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Domingo 22 de Septiembre de 2019
18:09 hs.

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JUVENTUDE
A juventude pode incendiar a classe trabalhadora rumo ao 14J
Odete Cristina
estudante de ciências sociais na USP
Vitória Camargo

A juventude estudantil tem sido linha frente nos processos de mobilização no país, os dias 15 e 30 de Maio são a prova disso e teriam sido muito maiores não fosse a atuação das burocracias estudantis e sindicais que separam as pautas dos cortes na educação e da reforma da previdência. É hora da juventude tomar a luta em suas mãos e construir um forte dia 14J aliada aos trabalhadores.

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Os atos do 15M que colocaram mais de 1 milhão de pessoas nas ruas em mais de 200 cidades do país contra os cortes na educação de Bolsonaro e Weintraub assustaram o Governo que chamou manifestações de rua no dia 26, além das outras alas do regime golpista que buscam agora avançar num pacto entre Bolsonaro, o Centrão do Congresso e o STF pela aprovação da Reforma da previdência.

A juventude tem muito pelo que batalhar contra esse governo ultraneoliberal, para além dos cortes à educação. A situação do desemprego na juventude é crítica. Entre 18 e 24 anos, a taxa de desocupação alcança quase 30%. Aqueles que possuem algum tipo de emprego, em sua maioria trabalha em situação precária, ao estilo atroz de empresas como Rappi e Ifood. Não dá sequer para chegar ao meio do mês, o que implica endividamento acentuado de jovens e a dependência dos bancos, grandes favorecidos pelo bolsonarismo. Estudar nessa situação? Quase impossível para a esmagadora maioria dos jovens. Bolsonaro e Guedes querem esfolar nossa juventude. Como representantes dos capitalistas, não tem absolutamente nada a oferecer aos jovens. Tomando como exemplo o papel de Guedes, enquanto ministro do ditador chileno Augusto Pinochet, teremos uma geração perdida se não nos organizarmos para "colocar o joelho no peito" desse governo.

E a melhor forma de fazer isso é com os métodos da luta de classes. Junto aos trabalhadores, potencializando sua luta. As jornadas do 15M e do 30M referendaram a forca que tem a juventude estudantil, que tem um repertório de importantes combates em toda a história brasileira no século XX, especialmente durante a ditadura militar na década de 70, e contra os ajustes neoliberais na década de 90.

O próprio dia 30 referendou essa disposição de luta e só não foi maior e capaz de colocar o governo de joelhos pelo controle exercido pelas burocracias estudantis e sindicais. A UNE e as centrais sindicais CUT e CTB operam uma verdadeira divisão de tarefas, tendo a UNE chamado manifestações no dia 30 apenas contra os cortes na educação enquanto a greve geral contra a reforma da previdência, que deveria ter sido adiantada para o dia 30 unindo forças com a juventude, foi mantida apenas para o dia 14 de Junho e com a CUT dizendo aos trabalhadores para que fiquem em casa.

Isso porque essas entidades são dirigidas pelo PT no caso da CUT e do PCdoB na CTB e na majoritária da UNE com suas juventudes (UJS, Juventude do PT). Esses partidos separam as lutas conscientemente pois tem interesses em negociar um projeto neoliberal “alternativo” com setores do Centrão no Congresso. Os 4 governadores do PT no Nordeste se disseram favoráveis à uma reforma da previdência “desidratada” e diferente da de Guedes. O PCdoB diretamente apoiou Rodrigo Maia para a presidência da câmara, principal articulador da reforma da previdência.

Pra que o 14J seja uma forte jornada contra a reforma da previdência é fundamental que a UNE organize milhares de assembleias em cada local de estudo desse país e que se articule um comando nacional de delegados eleitos pela base a partir dessas mesmas assembleias e que possa discutir e decidir democraticamente sobre os rumos da luta, saindo as ruas nessa greve geral junto e contagiando a classe trabalhadora de conjunto contra o “centro de gravidade” do regime representado por esse pacto pela reforma.

Como proposta ao PSOL que se propõe a construir uma política de oposição a da burocracia majoritária da UNE nós, desde a Faísca e o Esquerda Diário, lançamos uma carta ao PSOL, seus parlamentares e Boulos para que utilizem o peso social e a visibilidade que detém hoje para fazer um amplo chamado a juventude para se ligarem aos trabalhadores por esses métodos democráticos para o movimento.

É preciso dizer que a força da juventude estudantil é o que mais assusta Bolsonaro hoje e o coloca contra a parede, mas sem incorporar nas suas pautas a luta contra a reforma a juventude pode se ver isolada dos outros setores em luta contra o mesmo inimigo. Aliar toda sua energia e disposição de luta com a classe que é capaz de gerar prejuízo aos lucros dos capitalistas por parar a produção é o caminho para derrotar o projeto de retirada da aposentadoria de todos nós e para reverter os cortes na educação de Weintraub. Mas achamos que essa mesma força pode ir para muito mais e discutir uma alternativa à crise que ataque o lucro dos capitalistas, rompendo com o pagamento da fraude da dívida pública, um verdadeiro “bolsa banqueiro” que segue como principal mecanismo de justificativa dos ataques neoliberais para atender os interesses dos grandes empresário e especuladores imperialistas.

 
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