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Domingo 22 de Septiembre de 2019
18:23 hs.

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SOLIDARIEDADE INTERNACIONAL
Portuários franceses impedem carregamento de armas para a Arábia Saudita contra o Iêmen
Salvador Soler

Nesta quinta, os estivadores do Porto de Marselha-Fos na França, impediram o carregamento de armas e munições francesas em um barco saudita destinado a abastecer a guerra da Arábia Saudita contra o Iêmen.

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O site de investigações Disclose revelou nesta terça, 28, a iminente entrega de armas francesas para a Arábia Saudita com o objetivo de continuar a guerra no Iêmen. Trata-se do cargueiro Bahri Tabuk, que zarpou do porto de Saint John no Canadá e faria escala na França, conforme indicou a Anistia Internacional.

O armamento seria complementado no porto de Marselha-Fos, onde os estivadores anunciaram “não carregaremos armas nem munições para nenhuma guerra, está fora de discussão”. Uma posição que inspira a lutar contra as políticas imperialistas conduzidas nas sombras pelo Estado francês além de ser uma demonstração de solidariedade internacionalista.

Arábia Saudita e os Emirados Árabes se abastecem de armamento e inteligência através dos EUA, Espanha e França centralmente. Um informe publicado pelo site Disclose em abril mostra mapas da inteligência francesa que detalham o posicionamento de armas, fabricadas pela própria França, dentro do Iêmen e dentro da fronteira saudita, revelando que cerca de 430 mil iemenitas vivem dentro do alcance de fogo de seus canhões.

O governo francês declarou cinicamente que tais armas não seriam para posições ofensivas. A Ministra das Forças Armadas, Florence Parly, declarou que não há “provas” de que as armas francesas matem civis no Iêmen.

Os trabalhadores não pensam o mesmo. Assim demonstraram os estivadores de Marselha-Fos na França, quando nesta quinta, 30, detiveram a carga de armas e munições francesas, que se somariam aos veículos blindados canadenses que já estavam embarcados para serem utilizados na guerra contra o Iêmen.

França, um aliado chave do reino saudita

Em dezembro de 2018, França e Arábia Saudita firmaram um contrato comercial para a exportação de armas fabricadas pela companhia francesa Nexter. Entre estas armas encontra-se o “Canhão César”, do qual se suspeita terem partido os disparos em direção a áreas habitadas por centenas de milhares de civis iemenitas.

“Não menos de 129 armas césar devem ser enviadas ao reino da Arábia Saudita para 2023”, segundo o site Disclose. Por outro lado, uma análise recente do Observatório Econômico de Defesa, as exportações de armas francesas cresceram em 2018 devido a venda de veículos blindados para a Arábia Saudita. Se trata, especificamente, de veículos blindados de combate VAB MAK3, construídos por Arquus, e dotados de torretas ARX25 de calibre médio, fabricadas pela Nexter. Além dos tanques Leclerq de fabricação francesa transferidos para os Emirados Árabes Unidos, na batalha de Hudaida.

A guerra no Iêmen começou em 2015 a partir da invasão e bombardeios sistemáticos do Conselho de Cooperação do Golfo (CCG) buscando frear a expansão iraniana no Oriente Médio. Para isso contam com o apoio militar e de inteligência de tropas dos EUA, Espanha e França, distribuídas pela Península Arábica e o Corno da África (região da Etiópia e Somália).

O Iêmen se encontrava em uma guerra civil desatada pela Primavera Árabe que derrubou o ditador Ali Saleh, e que junto aos houthis (denominação mais comum do movimento político-religioso Ansar Allah) recuperaram o terreno perdido frente aos partidos islamitas liderados por Mansur AL-Hadi que governaram por um período breve, respaldados pela Arábia Saudita e os países do golfo.

Solidariedade operária internacional

A atitude dos portuários do porto de Marselha-Fos se soma aos do porto de Le Havre, em 8 de maio, e aos portuários italianos em Gênova, que também se negaram a realizar as respectivas cargas.

Os sindicatos de trabalhadores portuários junto a várias associações e organizações políticas se encontram em estado de alerta, vigilantes em relação às cargas com destino à Arábia Saudita para evitar o envio de armas.

Em 8 de maio, 100 pessoas bloquearam o porto Le Havre, o que impediu que um navio cargueiro saudita atracasse, evitando assim a entrega de armas à Arábia Saudita. No dia seguinte, Macron assumiu impunemente a política imperialista em nome da luta “sacrossanta” contra o terrorismo.

Diante das revelações feitas na segunda, 27/05, sobre o novo envio de armas que se concretizaria no dia seguinte em Marselha, vários representantes políticos e associações, dentre eles a Anistia Internacional, fizeram um chamado para bloquear a saída do “barco da vergonha”.

Além disso, o sindicato de estivadores da CGT no Golfo de Fos logo emitiu uma declaração em que se compromete a não embarcar nenhuma arma. Os estivadores afirmaram: “Fiéis a nossa história e nossos valores de paz, o sindicato luta contra todas as guerras no mundo, estamos lutando contra o imperialismo, contra a desestabilização de alguns países e contra o saque”.

Finalmente, as munições destinadas à Arábia Saudita não foram embarcadas pelo porto de Marselha-Fos nesta terça, 28 de maio. Informações não confirmadas indicam que as munições teriam se dirigido a um destino desconhecido.

O imperialismo francês é também responsável direto pelo fato de que o Iêmen se encontre em uma das crises humanitárias mais graves do mundo. Em cifras, 28 milhões de iemenitas seguem vivendo sob bombardeios, mais de 8,3 mil civis perderam a vida só por ataques aéreos feitos pela coalizão liderada pelos sauditas, incluindo 1.283 crianças, segundo o censo do Iêmen. A solidariedade operária internacional dos portuários franceses e italianos é uma mostra da potencialidade que tem a classe trabalhadora para frear as políticas do imperialismo e seus massacres sistemáticos.

 
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