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Sábado 7 de Diciembre de 2019
13:30 hs.

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METROVIÁRIOS SP
Metroviários de SP derrotam ataques, TRT proíbe coletes e Sindicato encerra mobilização
Redação
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Os metroviários de SP encerraram, esta semana, sua campanha salarial onde a empresa buscava aplicar duros ataques com retiradas de direitos no sentido de implementar mais profundamente a reforma trabalhista e avançar com a privatização no Metrô de SP. A categoria respondeu de forma acertada a partir de sua forte mobilização, quando aprovou como importante ferramenta de luta o uso dos coletes vermelhos contra a reforma da Previdência e a retirada de direitos, ligado à luta nacional contra a reforma da previdência, e ganhando muito apoio da população, que cercou de solidariedade a categoria. O governador João Doria (PSDB), que usou o Metrô e a justiça para implementar os ataques contra os metroviários, foi obrigado a recuar de seus iniciais planos de ataques frente o crescente e explosivo apoio conquistado com os coletes. Nesta batalha, os metroviários tiveram todos seus direitos assegurados, com a garantia de seu acordo coletivo, conquistando 4,99% de reajuste salarial, a manutenção do seu plano de saúde, o pagamento da Participação de Rendimentos (PR). Demandas estas que estavam colocadas em xeque pela empresa no início das negociações.

Ligando sua luta pelas demandas específicas com a luta nacional contra a reforma da previdência, os metroviários mostraram o caminho. Foram incontáveis os apoios que chegaram aos metroviários por utilizarem o colete vermelho contra a Reforma da Previdência, o principal plano de Bolsonaro para fazer com que os trabalhadores paguem por uma crise que não geraram. Trabalhadores e estudantes, de norte a sul do país, demonstraram seu apoio à luta cotidianamente nas estações de Metrô e pelas redes sociais. A #EuApoioOColeteDosMetroviários chegou a ocupar o segundo lugar dos assuntos mais comentados em São Paulo no Twitter a partir de um Twitaço organizado pelo Esquerda Diário. Ao perceberem o grande apoio que recebiam os metroviários, numa atitude antissindical e enormemente arbitrária, em meio à mobilização a empresa aplicou advertências verbais e escritas contra os trabalhadores por "insubordinação de cunho político" no intuito de calar as vozes dos trabalhadores e proteger a Reforma da Previdência de Bolsonaro, o que fez o apoio aos coletes só aumentar.

O amplo apoio da população e a determinação da categoria metroviária foi o que levou o Tribunal Regional do Trabalho (TRT) a se colocar como árbitro deste conflito. No dia da última assembleia realizada pelos metroviários, segunda-feira, 06/05, o TRT, por via do julgamento do dissídio, assegurou todos os direitos dos metroviários condicionando-os à suspensão imediata dos coletes, decidindo jogar na ilegalidade a utilização dos coletes vermelhos sob multa diária de R$500,00 por dia a cada trabalhador de colete, o principal instrumento de luta utilizado na mobilização que fez com o que o Metrô e Doria recuassem em seus ataques. Este julgamento do TRT, sem precedentes na história recente da categoria (já que sempre julgavam a greve quando as mesmas fossem deflagradas e nunca o dissídio em si), foi uma tentativa de "cala boca" para os metroviários. Demonstra o papel da justiça, que busca no país garantir os interesses do golpismo de Bolsonaro e Doria, quando coloca que o grande problema desse conflito era a fortaleza da ferramenta política que foram os coletes contra reforma da previdência e o apoio massivo da população, buscando acabar com a mobilização dos metroviários. O regime, suas instituições e as frações dominantes, ainda que se choquem constantemente entre si, se juntam quando temem o avanço do movimento operário.

Naquele momento, frente a iminência de uma forte paralisação nacional da educação, que se colocava também contra a reforma da previdência de Bolsonaro, marcada para o dia 15 de maio, próxima à mobilização dos metroviários, trazia à tona o grande perigo de que ambas lutas, unificadas, pudessem se ligar com o sentimento mais profundo de rechaço da população contra a reforma da previdência colocando-a em xeque, numa mobilização que poderia transcender os limites do próprio Metrô de São Paulo. Ainda mais se este movimento se ligasse à juventude, que já começava a se movimentar contra os absurdos cortes de 30% no orçamento da educação. O MRT, junto dos companheiros do movimento Nossa Classe, defenderam que os metroviários deveriam seguir mobilizados, suspendendo a greve e o uso de coletes temporariamente, mas marcando uma nova assembleia para o dia 14/05, não somente para aumentar a pressão sobre o Metrô para que ele não recorresse da decisão judicial, mas principalmente para que indicássemos nossa adesão à paralisação nacional do dia 15 junto com professores e estudantes. Veja Fala de Guarnieri, operador de trem e diretor da FENAMETRO:

Encerrar a mobilização dos metroviários neste momento não serviria apenas para que o Metrô, Doria e a justiça impedissem que a mobilização avançasse para colocar em xeque os seus planos com a aplicação da reforma da previdência, mas também colocaria em risco as negociações em curso das grandes centrais sindicais com Rodrigo Maia e o governo. Estas estão utilizando a reforma da previdência como moeda de troca para garantir seus privilégios particulares, pelas costas dos trabalhadores, como se posicionaram Paulinho da Força Sindical e a UGT no primeiro de maio, onde se colocaram a favor da reforma reivindicando o diálogo com o governo Bolsonaro. E nem sequer são contestados por CUT e CTB, que deveriam estar organizando os trabalhadores de forma independente do governo para barrar a totalidade desse brutal ataque. Ou como os governadores do PT do nordeste que já sinalizaram apoio a reforma em troca de orçamento para seus estados, postura avalizada pelo silêncio da CUT e da CTB.

A postura da ala majoritária da diretoria do Sindicato dos Metroviários (PCdoB/CTB e PT/CUT), acompanhada pelas correntes de esquerda (PSOL e PSTU), consistia em aprovar uma manobra na assembleia dizendo que a categoria deveria "aceitar a decisão do TRT", como se tratasse de uma "proposta" da justiça, e não uma determinação a ser cumprida, como de fato era. Entre não descumprir a decisão (pelo aspecto da relação de força) e aceitar (consequentemente dando respaldo ao ataque ao uso do colete do TRT) existe uma grande diferença, que na prática implicou na diretoria do sindicato defender a aceitação da decisão, encerrando a campanha e a mobilização. Foram contra uma nova assembleia dia 14/05 e um novo indicativo de greve dos metroviários para o dia 15, com o objetivo de aderir à greve nacional da educação, e assim fortalecer (e muito!) a luta contra a reforma da previdência, colocando em xeque as negociações em curto prazo. Além do que, se essa política fosse adotada, pressionaria muito mais o Metrô a não poder entrar com nenhum recurso via TST para cancelar a decisão do dissídio.

CUT e CTB, que dirigem a ala majoritária do sindicato dos metroviários, durante toda a campanha mantiveram a categoria isolada, mesmo com todo o apoio popular que receberam. Não mobilizaram nada de seus quase 30 milhões de trabalhadores das diversas categorias que dirigem, o que poderia cercá-los de solidariedade e expandir a luta nacionalmente, fazendo do dia 15 um passo decidido para barrar os ataques. A partir das pequenas forças do MRT e independentes do Movimento Nossa Classe já foi possível levantar uma grande campanha de apoio aos metroviários nas redes sociais, como já apontado neste artigo. Isso deixa evidente que se as grandes centrais sindicais estivessem decididas em derrotar a reforma, poderiam convocar assembleias de base e setoriais, e, em escala muito maior, ter uma política de construir uma frente única operária contra os ataques para derrotar de vez, com um só punho, a reforma que quer fazer com que os trabalhadores trabalhem até morrer para garantir os lucros dos capitalistas.

A política da principais centrais sindicais de negociar em torno de seus interesses próprios a reforma da previdência, separando as lutas para não comprometer o bom andamento dessas negociações espúrias, é comprovada quando agendam uma greve geral para dia 14/06, 1 mês depois da paralisação nacional da educação dia 15/05. A atuação adaptada à esta política por parte de PSOL e PSTU cobra seu preço. Embelezam essa estratégia ao invés de superar esta política de traição, dando a eles um "verniz" de esquerda, impedindo que os trabalhadores tirem as lições necessárias para que superem essas direções, assim como impedem a construção de uma alternativa para que os trabalhadores e juventude derrotem os ataques. Os parlamentares do PSOL e o PSTU, a partir dos sindicatos que estão a frente na CSP-Conlutas, deveriam desmascarar essa estratégia das centrais e serem um fator real, exigindo que o dia 15 se transformasse num dia de paralisação nacional, com assembleias de base e um plano de lutas sério contra os ataques e a reforma de Bolsonaro. Pelo contrário, no Metrô estas direções, juntas, avalizaram a decisão do TRT passivamente, sem nenhuma crítica, e impediram que os metroviários seguissem na luta contra a reforma da previdência, encerrando a mobilização.

Somente uma mobilização com a unificação de conjunto da classe trabalhadora, aliada aos professores que estão na vanguarda das lutas e a juventude mobilizada, será possível derrotar a reforma da previdência e fazer os capitalistas pagarem pela crise, rechaçando a reforma da previdência de conjunto, impondo o não pagamento da dívida pública, e que todos os empresários e banqueiros paguem cada centavo das cifras bilionárias que devem à Previdência Social. Por isso é necessário batalhar pela construção de assembleias de base em cada local de trabalho e estudo para avançar os organismos de auto-organização dos trabalhadores, cobrindo os professores e os estudantes com toda nossa solidariedade.

Foto: Paulo Iannone / Sindicato dos Metroviários

 
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