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Miércoles 20 de Noviembre de 2019
12:45 hs.

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CUT E PT
Paulinho da Força defende reforma da previdência, CUT não se opõe e isola professores no 15/05
Vanessa Duarte

Enquanto Paulinho da Força defende a reforma da previdência contra os trabalhadores em pleno 1º de Maio, a CUT e o PT negociam com o governo um ataque “mais brando” e isolam os professores em paralisação nacional da educação (15/05) ao invés de batalhar pela unidade em defesa da aposentadoria e da educação pública.

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O último 1º de Maio foi dia de trabalhadores em diversos locais do mundo saírem às ruas para resgatar a tradição internacional de luta da nossa classe no Dia dos Trabalhadores. No Brasil, o dia foi marcado pelo chamado unificado das centrais sindicais para manifestações em diversos pontos das principais cidades. O que deveria ser um dia para esquentar as ruas com a energia de milhões em repúdio ao centro de gravidade do governo Bolsonaro, a reforma da previdência, serviu como mais uma das expressões da paralisia e da traição das centrais.

Veja também: Bloco do MRT no 1° de Maio: contra a reforma da previdência e a ofensiva golpista na Venezuela

Para além do tamanho da manifestação, de pequena expressão, que contrasta com o nível de ataque ao qual os trabalhadores e a população estão submetidos com o governo e que explicita a não construção, por parte das direções do movimento operário, de um forte bloco de oposição direto das ruas, outros dois momentos foram expressão gráfica do papel traidor das centrais. O primeiro foi o convite à participação de Bruno Covas, atual prefeito de São Paulo, na manifestação. Covas foi quem garantiu a implementação do Sampaprev (reforma da previdência a nível municipal) aos servidores paulistanos, após muita repressão policial e professores feridos. O segundo foi a partir das falas de icônicos burocratas traidores como Paulinho da Força, presidente da Força Sindical, que, em cima do caminhão de som, em pleno Dia dos Trabalhadores, ao contrário de rechaçar a proposta de conjunto e de organizar a luta contra o governo, teve a audácia de assumir a defesa de uma negociação com o governo que relativize seus impactos, assumindo de antemão a passividade na situação como um problema alheio à atuação das direções: “Se não temos força para parar, a rua nos dá força de negociação para fazer uma reforma justa, que garanta direitos e combata privilégios”.

Icônico também foi Ricardo Patah, presidente da UGT, que não teve sombra de escrúpulos ao afirmar que é, de antemão, contra a possibilidade de uma greve geral contra a reforma da previdência e, por isso, aposta nas negociações com o governo Bolsonaro pelas costas da população.

Por cima, o PT se diz contra. Na prática, busca uma proposta consensual com o governo

Tudo isso foi assistido em silêncio pela CUT, maior central sindical do país, dirigida pelo PT, que em nenhum momento protestou no palanque ou defendeu os trabalhadores. Enquanto atua a partir da aparição midiática e discursos relativamente afrontosos no parlamento, a prática mostra que o PT não somente não atua para derrubar a reforma da previdência como diretamente compactua com Bolsonaro por uma reforma “mais branda”.

É o caso dos governadores petistas no Nordeste. Wellington Dias (PE), Camilo Santana (CE), Fátima Bezerra (RN) e Rui Costa (BA) já se colocaram totalmente à disposição do governo Bolsonaro para negociar uma reforma da previdência, mediante ajuda financeira da União à situação fiscal desses Estados e sob a remoção de alguns pontos particulares da proposta da reforma. Se por um lado Lula, em recente entrevista dada à Folha de S.Paulo se inflama com o discurso de que a reforma é “destruidora do futuro dos nossos velhinhos”, na prática, o PT abraça o programa neoliberal de Paulo Guedes de descarregar a crise sobre as costas dos trabalhadores e da população mais pobre, que será obrigada a entregar suas vidas em nome do pagamento da ilegal e fraudulenta dívida pública para os capitalistas nacionais e estrangeiros que lucram com a sangria de recursos do país. Essa postura petista mostra que não há qualquer interesse em derrotar a reforma, apenas minimizar seus impactos.

Isso sem nem entrar na completa falácia de outros setores e figuras que têm apoio da esquerda, mas de esquerda não tem nada, como Tábata Amaral (PDT) que se coloca abertamente favorável a pontos da reforma e recentemente se reuniu com Doria em SP para debater a nova previdência.

15 de maio: paralisação nacional da educação... e por que não também contra a reforma da previdência?

Somado ao plano central do governo de acabar com as aposentadorias e de atacar direitos da população mais pobre está a recente declaração de guerra aos estudantes e à educação pública com o congelamento de 30% das verbas de todas as universidades federais. Para a implementação da reforma da previdência, o governo precisa tentar castrar os setores mais críticos da sociedade, aqueles que a todo momento mostram disposição em se organizar contra os ataques, que são justamente os professores da rede pública e os estudantes das universidades. Golpear em primeiro lugar esses setores pode significar abrir caminho para passar com o rolo compressor em cima do conjunto da classe trabalhadora.

É nesse sentido que está sendo convocada uma paralisação nacional da educação neste dia 15 de maio, contra a reforma da previdência, que também tem os professores como parte destacada do ataque, e contra a destruição da educação pública que tem promovido o governo, além da concepção obscurantista que quer impor com perseguições e punições aos professores e aos métodos que incentivem uma concepção de mundo crítica.

As centrais sindicais, assim como o PT e a CUT, sabem da necessidade vital da unidade dos trabalhadores para atuar contra essa medida do governo Bolsonaro, que tem apoio de todos os capitalistas nacionais e estrangeiros, mas atuam precisamente no sentido de isolar os professores nesse combate, sem preparar um plano de luta que dê as condições para uma greve geral real e massiva no dia 14 de junho. Exemplo disso é a paralisia frente à possibilidade de ampliar o chamado à paralisação a outras categorias; é também o adiamento do Conune, o congresso de estudantes da UNE, para impedir a articulação de amplos setores estudantis para a preparação de uma greve geral junto aos trabalhadores. Tudo isso para preparar o terreno de favorecimento às distintas estratégias de negociação das cúpulas das principais centrais para manterem seu lugar no novo regime.

É preciso uma saída que rechace toda a reforma da previdência e imponha o não pagamento da dívida pública

A única saída para que sejam os capitalistas que paguem pela crise (e não os trabalhadores) é rechaçar toda e qualquer reforma da previdência e impor pela mobilização ativa o não pagamento da dívida pública, e que todos os empresários e banqueiros paguem cada centavo das cifras bilionárias que devem à Previdência Social, coisa que o PT e a CUT nunca chegaram perto de impulsionar em sua base social nem colocaram como parte de seu projeto político.

Nenhum ciclo de crescimento econômico surgirá com a aplicação da reforma da previdência; para isso, é preciso atacar os capitalistas e abolir essa sangria das riquezas nacionais pela fraude da dívida pública, algo que o PT nunca fez em 13 anos de governo.

Nesse cenário de avanço das políticas que vai degradar ainda mais a vida dos trabalhadores, pesa o fato de não termos alternativa de esquerda com independência de classe para impor uma frente única operária, já com seus distintos pesos e políticas, diversas organizações de esquerda convergem na convivência pacífica e sem crítica às burocracias. O PSOL segue com a estratégia de oposição meramente parlamentar, com correntes internas que inclusive batem palma aos avanços do autoritarismo judiciário. Já o PSTU, a partir da CSP Conlutas, atua sem nenhuma delimitação com a cúpula das centrais sindicais, terminando por cobrir com uma capa vermelha a política de traição das burocracias.

É por isso que o Esquerda Diário, impulsionado pelo MRT, junto ao Movimento Nossa Classe, a juventude Faísca e o grupo de mulheres Pão e Rosas, não isenta as direções sindicais de suas responsabilidades e, diante essa estratégia traidora das burocracias sindicais, incluindo o PT, denuncia seu papel traidor e exige a construção de assembleias de base em cada local de trabalho e estudo, para avançar os organismos de auto-organização das massas, e tornar massiva a preparação do dia 15 de maio, para que não isole os professores e os estudantes, e transforme este dia em um “ensaio” de diversas categorias que estão na mira do governo. É urgente unificar as categorias do movimento operário com a juventude em base a um plano de luta concreto que enfrente seriamente a reforma da previdência.

 
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