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Miércoles 22 de Mayo de 2019
05:25 hs.

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UFF
Por um DATER de luta e proporcional! Contra Bolsonaro, Witzel e a precarização!

No final do ano passado, os alunos de geografia da UFF decidiram por meio de um plebiscito a passagem da autogestão a uma gestão eleita, e assim no início deste ano começa o primeiro processo eleitoral nesses novos moldes, uma experiência que será importante para avançar o Movimento Estudantil na Geografia da UFF. Mas quais serão os desafios da futura gestão, como as chapas atuais se posicionam e como nós, estudantes da Juventude Faísca - Anticapitalista e Revolucionária, vemos como uma entidade deve se organizar e mobilizar os estudantes nessa conjuntura nacional e internacional, essas são algumas questões que queremos abordar.

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Se organizam portanto pras eleições, que começaram nesta terça-feira (16) as chapas: Chapa 1 - Aqui se respira luta: Por uma nova Geografia (formada pelas correntes UJC/PCB e Rua/PSOL junto a independentes) e a Chapa 2 - Geodiversidade: Por uma política plural (formada por UJS/PCdoB, Kizomba/PT e MPJ/PT junto a independentes). Para nós, da Faísca, nenhum dos programas está a altura de articular os problemas mais sensíveis dos estudantes da UFF às grandes questões que assolam nossa realidade local e nacional, dentro e fora da Universidade e com isso queremos debater.

A pouco se completou um ano do brutal assassinato de Marielle Franco e seu motorista Anderson, um crime ainda sem solução, e o cenário político se caracteriza pela ascensão de uma extrema direita profundamente misógina, racista e LGBTfóbica no poder, resultado de eleições manipuladas pelo judiciário que arbitrariamente prendeu Lula e agora opera junto aos militares para decidir sobre a política do país, querendo despejar nas costas dos trabalhadores ataques profundos como a Reforma da Previdência. Ao mesmo tempo que essa extrema direita ascendeu, no mês passado, no 8 de março, as mulheres fizeram a terra tremer em todo o mundo, saindo às ruas contra Bolsonaro, Trump e toda a extrema direita internacional e seus ataques conservadores. Aqui no Rio, durante o Carnaval, se expressaram vozes de revolta retomando a verdadeira história dos negros, pobres e mulheres e se viu grande insatisfação com declarações absurdas do presidente. Muita água rolou desde então, e assim as fortes chuvas ceifaram vidas no Rio, devastaram bairros, soterraram pessoas sob escombros, graças ao descaso dos governos e ganância dos capitalistas e milicianos. O cenário é crítico, e isso precisa nos dar ainda mais força e vontade de tornar nosso curso, nossa universidade, nossos debates, verdadeiras ferramentas de luta pela transformação política e social.

Para dar conta de tamanhos desafios, a organização de uma entidade estudantil precisa ser a mais ampla e democrática possível e por isso defendemos um diretório acadêmico proporcional, onde todas as chapas inscritas no processo eleitoral tenham direito participação na gestão de acordo com a sua porcentagem de votos na eleição, assim diferente de uma chapa majoritária, os estudantes não ficam presos a uma gestão única o ano todo e podem por meio de assembleias organizadas todos os meses (ou mais, conforme a necessidade) fazer sua experiência com diferentes concepções de movimento estudantil e escolher como melhor lidar com problemas do curso, da faculdade e do Brasil.

A UFF, junto com toda a educação pública brasileira, vem sofrendo brutais cortes pelo governo Bolsonaro, só a nossa universidade tem a previsão de fechar com um déficit de até 60 milhões ao final do ano (isso retirando as verbas excepcionais que o governo destinou aos hospitais universitários), os maiores afetados com esse cortes são os estudantes e trabalhadores terceirizados. Estes que vem sofrendo com demissões, salários atrasados, a permanente incerteza de receber seu salário do mês e ainda foram forçados a trabalhar em meio à uma situação de crise na região metropolitana do Rio. Nessa perspectiva, entendemos que ambas as chapas não respondem à questão da precarização do trabalho terceirizado na UFF porque, ainda que as duas apresentam seu apoio às reivindicações dos trabalhadores ou sentam para conversar com eles, o que é fundamental, não há propostas que debatam a fundo a situação e nem uma política que enfrente problema na raiz. É necessário um D.A que lute pelo pagamento imediato dos salários atrasados, estando ao lado dos trabalhadores em suas lutas imediatas, mas também levante a necessidade da efetivação sem concurso de todos os trabalhadores terceirizados! Igual trabalho, igual salário, mesmos direitos!

Para nós, o Movimento Estudantil precisa se aliar com os trabalhadores de dentro e fora da universidade, lutando pela defesa e ampliação das cotas étnico-raciais, para que sejam proporcionais ao número de negros do Rio de Janeiro, e pelo acesso diferenciado aos indígenas. Mas entendendo que o questionamento do elitismo da universidade precisa se dar com uma luta que defenda também o fim do vestibular para que toda juventude negra e pobre tenha direito ao acesso à universidade. Lutando contra essa estrutura de poder que não nos representa, pelo fim do Conselho Universitário e da Reitoria e por uma Estatuinte Livre Soberana e Democrática, para implementar uma Gestão dos três setores da Universidade – com trabalhadores, professores e maioria estudantil – e pela abertura do livro de contas para que possamos saber quanto dinheiro recebe hoje a Universidade, podendo decidir para onde serão destinadas as verbas e combatendo a mentira da falta de verba quando os membros da cúpula burocrática recebem altíssimos salários.

Também entendemos que o papel do DATER não deve ser o de uma pura extensão da sala de aula, mas sim que a partir dos importantes debates acadêmicos que o curso proporciona, possamos impulsionar projetos para utilizar a geografia para responder as questões mais latentes que atingem a população ao nosso redor, onde um prédio caiu na Muzema, um negro foi brutalmente assassinado por 80 tiros vindo do Exército, no Estado da intervenção Federal e mais uma vez as chuvas foram fatais para a população fluminense só nas últimas semanas. Precisamos construir um conjunto de estudantes que além de analisar os fatos que não foram nenhum engano ou acidente, possam propor mudanças estruturais na sociedade, como um plano de emergencial de obras junto com uma reforma urbana para empregar a população e dar moradia segura aos atingidos e aqueles em áreas de risco, além de lutar por uma investigação e julgamentos populares do assassinato de Evaldo. E assim utilize desse conhecimento acadêmico para a discussão com toda a sociedade e não somente em moldes que a academia nos impõe.

Desta maneira, queremos reacender a faísca e a mobilização dos futuros geógrafos da UFF, que deram exemplo nas ocupações contra a PEC55, e tem um papel histórico enorme a cumprir nesse momento tão complexo da realidade do país. Temos convicção de que um movimento estudantil organizado, democrático e aliado aos trabalhadores é mais forte também na luta pelas demandas mais imediatas como os que temos aqui com a retirada das xerox e redução dos trabalhos de campo.

Neste processo eleitoral declaramos nosso voto crítico na chapa 1 - Aqui se respira luta: Por uma nova Geografia, por entender que mesmo com os limites que encontramos em suas propostas e que vamos seguir debatendo e construindo junto no dia a dia da mobilização do curso, é questão de princípio entender que a independência política e financeira e a aliança com os trabalhadores é fundamental para o M.E, o que o PCdoB que dirige a UNE e que é parte da chapa 2, já demonstrou desprezo inúmeras vezes, seja estando de mãos dadas com o Rodrigo Maia, ou contra a greve dos trabalhadores técnicos da UFF no ano passado.

 
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