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Viernes 24 de Mayo de 2019
03:17 hs.

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CRISE SOCIAL NO RJ
6 medidas de emergência para acabar com a crise no Rio de Janeiro
Redação Rio de Janeiro

Não, a situação do Rio de Janeiro não é uma crise sem volta. Por trás de todos os problemas que as massas pobres e trabalhadoras da cidade enfrentam, estão sempre os mesmos personagens: os ricos e poderosos que controlam a política e impedem que medidas reais sejam realizadas para enfrentar a crise social aí instalada. Para eles, a saída é apenas bala. Não uma, nem duas. Umas 80.

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Nº 1: confisco das fortunas e bens dos empresários e políticos que sangraram as contas do RJ

Não é pouco dinheiro. Imagine todas as fortunas e bens das famílias Garotinho, Sérgio Cabral, Pézão, Picciani, Barata, Paulo Melo, Paes, Crivella; das empreiteiras Odebrecht, OAS, Delta, Carioca, Andrade Guttierrez, todas envolvidas em casos de propina, repasses ilícitos e caixa dois para serem favorecidas em licitações de obras que sequer foram entregues - além de alguns elefantes brancos da Copa e Olimpíadas; a Philips, pega num esquema de desvio de verbas em equipamentos de saúde, junto de outras grandes do setor, como Dixtal, Rizzi, Avalena, Beckfel, Life Cargo e Life Group.

A responsabilidade de todos esses grupos empresariais e dos governantes locais e nacionais na crise que o Rio de Janeiro vive hoje é absolutamente inegável, tanto quanto é inegável o papel que as obras da Copa e Olimpíadas cumpriram aí, de tornar prioridade pública os enormes gastos com construção de estádios e instalações que hoje se tornaram elefantes brancos da cidade, de onde bilhões foram roubados para algumas das empresas listadas acima, entre outras.

Esse dinheiro roubado está por aí, em paraísos fiscais e em bens adquiridos ilicitamente, que por seu caráter de classe burguês, o Estado segue sem determinar qualquer tipo de confisco que faça com que tudo se reverta para a população que foi deliberadamente roubada. Alguns desses políticos, inclusive, estão em prisões domiciliares compradas com o dinheiro que roubaram a estrutura da cidade, da saúde e da educação.

Confiscar esses valores é o primeiro passo para enfrentar com seriedade a crise social da cidade, investindo todo ele - que deve ser equiparável a PIBs de pequenos países - em obras públicas, resgate e socorro às vítimas das enchentes.

Nº 2: brigadas de trabalhadores para resgate e socorro emergencial dos afetados pela chuva

As chuvas não são as verdadeiras culpadas da situação calamitosa que o Rio de Janeiro está vivendo nos últimos dias. Tampouco foram os ventos do Katrina os responsáveis pela destruição de Nova Orleans, Mississipi, Luisiana e Alabama - diga-se de passagem, algumas das poucas cidades de maioria negra nos EUA. A culpada nunca é a natureza.

A aparente fragilidade da vida humana foi, há milênios, contornada pela organização social da nossa espécie, um tipo de organização que se complexificou com a técnica, a ciência - como consequência da complexificação do trabalho - ao ponto de nos capacitar a prever os movimentos da natureza e impedir catástrofes. Essa reação quase natural, a de ajudar nossos iguais, que faz parte do nosso instinto de sobrevivência, tem sido a origem do resgate e socorro de muitas famílias afetadas pelas enchentes, já que o Estado não deu nem as condições de prevenção desse enorme desastre, nem as condições de socorro adequadas.

As cenas são emocionantes. Trabalhadoras e trabalhadores enfrentando inundações, arriscando a própria vida, para salvar a vida de outro, ou simplesmente para ajudar uma família que perdeu tudo. De todos os lados se escuta e recebe relatos desse tipo.

Com os bens confiscados, essa ação de solidariedade poderia se converter em uma força muito mais poderosa, com recursos para localização, proteção e segurança dos envolvidos. Há muitos lugares, por exemplo, onde o resgate envolve risco de choque elétrico, ao que seria necessário a utilização de equipamento de proteção. Cada dia a serviço do resgate e auxílio de pessoas também deveria ser remunerado pelo Estado, também com a verba oriunda do confisco desses capitalistas acima, os verdadeiros responsáveis por essa catástrofe social.

Nº3: a construção civil como ferramenta para recuperação da cidade e do emprego

A chuva afeta dessa forma por um problema exclusivamente de classe. A chuva só toma uma proporção desastrosa fruto das condições precárias de moradia que as massas trabalhadoras são submetidas, a ausência total de manutenção dos sistemas de água e esgoto, o baixo investimento em proteção de encostas, etc.

Ao mesmo tempo que reparos e melhorias estruturais são fundamentais, os números do desemprego não param de subir. Somados desemprego e subemprego, são mais de 27 milhões os brasileiros que procuram trabalho estável no Brasil, e no RJ, a taxa é mais alta do que em todos os outros estados do sudeste.

Porque então o Estado não está contratando essa força de trabalho para recuperar as ruas, reconstruir e proteger escolas e universidades, hospitais, moradias? Porque seu papel de classe é garantir que os valores recolhidos pelo Estado voltem para as mãos dos capitalistas, com a dívida pública, licitações fraudulentas, com a corrupção inerente do sistema capitalista. Bolsonaro, Witzel e Crivella, cada um em sua esfera de poder, estão aí para garantir o privilégio dos ricos e poderosos de um lado, e miséria social e repressão pras massas negras, pobres e trabalhadoras, do outro.

Por isso, o confisco dos bens e fortunas que falamos acima deve servir também para empregar massas de desempregados na reconstrução da cidade, com obras de drenagens e controle das enchentes, recuperação e melhoria das moradias perdidas, ou seja, um plano de obras públicas que previna os próximos acidentes. Para isso, os trabalhadores têm que ter controle desse confisco, assim como das medidas que serão tomadas e dos valores gastos, pois já sabemos que não é possível confiar nos políticos da burguesia.

Nº4: socializar as moradias desocupadas, reconstruir as destruídas, aprimorar as existentes

O Rio de Janeiro reúne algumas das imagens mais contrastantes de desigualdade social. As instalações luxuosas do Copacabana Palace Hotel, cuja diária custa mais de R$2.000, contrastam com a densidade demográfica de extrema precariedade do morro ali do lado, do Cantagalo, onde está instalada a favela do Pavão. O dado de sexta maior densidade demográfica do continente (6.390 hab/km²) ameniza a verdade, porque faz uma média entre copacabana palaces e favelas como a do pavão, e esconde a terrível desigualdade social que permeia todos os cantos da cidade, com regiões cuja densidade certamente impressionaria as massas chinesas. Enquanto os mais pobres se aglomeram nos morros, os mais ricos desfrutam de mansões e hotéis de luxo, reservando enormes áreas absolutamente vazias, uma exclusividade para a especulação imobiliária.


Favela do Pavão, no morro do Cantagalo, nas proximidades do hotel Copacabana Palace, um dos mais caros do mundo.

Segundo o professor Edésio Fernandes, enquanto 6,9 milhões de famílias vivem sem moradia ou em condições precárias no Brasil, 6 milhões de imóveis estão - pasmem - desocupados há décadas. A socialização das moradias desocupadas é certamente uma das medidas de emergência mais simples de ser realizada, não fosse os limites do Estado cujos interesses pendem para a especulação imobiliária, não para a qualidade de vida dos mais pobres.

Nº5: as universidades devem utilizar seus melhores recursos para pensar medidas de resolução da crise social e econômica da cidade

As massas trabalhadoras não devem estar sozinhas nessa empreitada. A intelectualidade tem um enorme papel a cumprir na recuperação da cidade em uma perspectiva pró operária e popular, um papel que infelizmente é afastado do horizonte dos jovens no mesmo minuto em que ingressam nas universidades.

Para exercer esse papel, é preciso romper com o currículo tradicional, construído para esvaziar mentes, corações e encher os ricos de patentes.

Os economistas, arquitetos, assistentes sociais, médicos, enfermeiros, contabilistas, bibliotecários, arquivologistas, jornalistas, estão todos convocados a colocar seu conhecimento a serviço de construir e disseminar o plano de obras públicas operário e popular, contribuindo para seu sucesso e para a melhoria da qualidade de vida das massas trabalhadoras e pobres do Rio de Janeiro. Essa capacidade e vontade já está instalada, basta ver a energia que muitos estudantes já demonstraram em apoio à luta de trabalhadoras e trabalhadores terceirizados, no rechaço a que tivessem que ir trabalhar enquanto viam seus poucos bens sendo engolidos pela enchente.

Nº6: recuperar as entidades de base como ferramentas de organização da nossa classe

Seja nos locais de trabalho, para reunir bens e ítens de auxílio aos atingidos pelas enchentes, seja nas fábricas, para produzir azulejos e ítens de construção para reconstruir as casas, escolas e universidades perdidas, seja nas universidades e escolas, para batalhar por um conhecimento à serviço da classe trabalhadora e dos mais pobres, precisamos ter ferramentas de organização e de planificação de nossas iniciativas.

Esses instrumentos estão hoje tomados por diversas vertentes de diferentes tipos de burocracia sindical, que frente à tragédias como essas, não se prestam a qualquer tipo de ação de solidariedade, e se pronunciam exclusivamente para defender seus próprios direitos de burocracia - como a reunião que fizeram semana passada para manter o imposto sindical. É preciso que no curso desse plano de emergência, recuperemos as entidades estudantis e sindicais para que sejam ferramentas verdadeiramente da nossa classe, com o horizonte vivo da luta contra Bolsonaro, Witzel, Crivella e seu centro de gravidade, que segue sendo a reforma da previdência, que é o diabo na esquina. Aquele demônio que eles querem colocar para, se você não morrer pela bala da polícia, pela fila do SUS, pela enchente, eles conseguirem te matar de tanto trabalhar.

 
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