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Miércoles 17 de Julio de 2019
04:44 hs.

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ESTADO ASSASSINO
Laura: "O meu filho só morreu, porque é negro e favelado"
Redação

Essa é uma serie com 4 relatos de mães que tiveram seus filhos assassinados pelo estado, Marcia, Glaucia, Janaína e Laura.

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Imagem: MAURO PIMENTEL AFP/ El País

Após as eleições de Bolsonaro o estado apresenta uma escalada repressiva, com ataque sistemático ao povo negro, trabalhadores e lutadores. Abaixo relato de uma mãe, que teve seu filho assassinado pela polícia no estado do Rio de Janeiro.

O pacote do Mouro é para deixar os policiais ilesos de seus crimes, até o final serve para institucionalizar os autos-de-resistência!
Por investigações independentes para punir os envolvidos e mandantes dos crimes do estado!

Mãe: Laura Ramos de Azevedo Filho: Lucas Azevedo Albino, 18 anos Executado em: 30 de dezembro de 2018

A minha família tinha combinado de passar o dia na praia em Mangaratiba, na Costa Verde do Rio de Janeiro. Eu levantei às cinco da manhã e comecei a fazer os lanches. Acordei o meu filho às seis horas para ele ligar para a namorada e irmos buscá-la. Como ela não atendia, ele decidiu ir até a casa dela, que fica a duas ruas da minha casa e em frente ao posto de gasolina onde aconteceu a ação da polícia próximo ao acesso ao Complexo da Pedreira, em Costa Barros, na zona norte do Rio de Janeiro.
Ele desceu e eu continuei arrumando a minha sobrinha. O meu filho saiu de casa às 6h49 - eu sei, porque é a hora em que eu estava falando com a minha irmã no telefone. Quando foi sete horas eu escutei uma rajada de tiros. Eu falei: "Ai, meu Deus, apreende isso". Mas nem imaginava que era em cima do meu filho. Eu já estava trancando a porta e minha nora me ligou. Ela disse: "Desce, porque aconteceu alguma coisa com o Lucas".

Eu fui correndo da minha casa até o posto e quando cheguei o camburão já tinha saído. As pessoas que presenciaram a cena me disseram para eu ficar calma, porque o meu filho ainda estava andando quando foi colocado na viatura. Eles disseram que o Lucas falava: "Moço, eu não sou bandido. Chama a minha mãe, eu estou indo para a praia com ela".

Ele levou um tiro na altura do ombro, e os policiais pediram para avisar a família que eles estavam socorrendo e iriam levá-lo para o Hospital Carlos Chagas. Uma testemunha até fez uma foto do meu filho de pé entrando na viatura.
Eu fui direto ao hospital e, quando cheguei, fui informada que nenhum baleado tinha dado entrada na emergência. Depois de 15 minutos, veio um policial de plantão. Ele falou que o único baleado estava entrando pelos fundos, porque já chegou em óbito. Quando eu fui reconhecer o meu filho no IML, eu pensava que ele tinha morrido com um tiro no ombro. Mas não. O meu filho foi executado com um tiro na cabeça que estourou toda a face. Estourou de tal forma que para reconhecer o meu filho foi pelos pés e pelos braços, porque não tinha face. Ele foi morto na viatura no caminho para o hospital em algum lugar parado.

Depois que eu o enterrei, eu comecei a correr atrás. Eu tive acesso ao boletim de ocorrência. Os policiais alegaram um auto de resistência dizendo que o Lucas estava com drogas e tinha atirado contra os policiais, mas o exame de balística provou que ele não deu tiro, pois não havia pólvora nas mãos. [No boletim de ocorrência, os policiais relatam que Lucas tinha uma granada, 470 unidades de pó branco, 230 pedras de crack e um rádio comunicador.

Dizem que ele atirou, mas não apresentaram a arma, também não apresentaram as drogas. Ainda registraram que meu filho chegou com vida ao hospital, mas a documentação do hospital mostra que ele já entrou cadáver. Então, são coisas que não batem. E agora eu estou lutando para provar que o meu filho foi mais uma vítima.

Esse pacote do Moro só está dando liberdade para continuarem matando, o que eles já vêm fazendo. Os policiais que mataram o meu filho fazem parte do 41º Batalhão, que é conhecido como o "batalhão da morte" do Rio de Janeiro. O meu filho só morreu, porque é negro e favelado. Eu tenho certeza que se fosse um branquinho playboyzinho na pista isso não iria acontecer. Infelizmente, ele [Moro] está dando liberdade para matar o negro, para matar o favelado, o pobre. Isso não vai funcionar para todo mundo, só mesmo, para os pobres.

Fonte: UOL – por Karina Gomes

 
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