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Miércoles 22 de Mayo de 2019
16:51 hs.

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RIO DE JANEIRO
Frente ao descaso dos governos, a solidariedade do povo que garante menos mortes no Rio
Redação

Desde o início da noite de segunda, dia 8, o estado do Rio de Janeiro enfrenta chuva forte e chegou à escala três, a mais alta do estágio de crise, às 20h55. Inúmeros casos de alagamentos e deslizamentos atravessaram a madrugada e os resultados ainda estão sendo contabilizados, sob chuva intermitente. Enquanto as autoridades reforçam seu descaso, a população e os garis da Comlurb atuam, incansáveis, nas buscas por sobreviventes e desaparecidos.

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Até a tarde de terça-feira, os números atualizados são de 10 mortes no Morro da Babilônia, no Leme, na Gávea, em Santa Cruz e em Botafogo; várias vias importantes foram interditadas por causa dos desmoronamentos, como a Av. Niemeyer, pista sentido Zona Sul do Túnel Rebouças e Grajaú-Jacarepaguá; e, devido ao caos instaurado na cidade, foi decretado ponto facultativo, as escolas cancelaram as aulas e os ônibus circularam precariamente.

Os alagamentos e a destruição no Rio de Janeiro não é algo inusitado, em fevereiro de 2018 e também em fevereiro desse ano, temporais no Rio causaram mortes e destruição. Esse cenário é resultado do descaso das autoridades que estão mais preocupadas em garantir seus privilégios e do empresariado, para quem governam.

Crivella se limita a dizer para a população buscar locais seguros e que a falha da sua administração foi ter levado as equipes da Comlurb para os locais de risco após as 15h, e não de manhã. O prefeito do Rio ignora propositalmente que não gastou nem um centavo com serviços de drenagem urbana ou obras de contenção de encostas em 2019, ano que já soma 3 tragédias envolvendo temporais. Segundo matéria d’O Globo, os mais R$ 8 milhões pagos para as empreiteiras contratadas para os serviços de drenagem quitaram apenas faturas por serviços prestados principalmente em 2018; o mesmo ocorreu com as obras de contenção de encostas, em que os R$ 4,4 milhões pagos em 2019 são referentes a faturas de despesas realizadas em 2018.

Se depender de Crivella e Witzel, o Rio vai afundar. E eles contam com a contribuição dos governos anteriores que também ignoravam os recorrentes estragos causados pelas chuvas na cidade, optando por “investir” o dinheiro em seus próprios bolsos e nos de seus amigos empresários, e aprofundando o problema.
Crivella tenta se livrar da responsabilidade, jogando a bola para o governo de extrema-direita de Bolsonaro, queixando-se de falta de recursos.

Os governos federal e estadual permanecem pagando religiosamente a dívida pública e comprometendo o orçamento do país ao mesmo tempo em que favorecem empreiteiras e grandes empresários com subsídios e flexibilização fiscal. A utilização de quantidades estratosféricas de recursos para a construção da infraestrutura de eventos como a Copa do Mundo e as Olimpíadas, ações para projetar a imagem do Brasil internacionalmente, passam por fora de pensar as necessidades da população de lugares como o Rio que historicamente sofre com chuvas fortes, enchentes, alagamentos e deslizamentos de terra.

Mas o próprio Crivella é reconhecido por utilizar para benefício próprio e de seus aliados políticos os recursos e serviços do município, garantindo regalias as igrejas evangélicas para manutenção de sua base mais dura cada vez mais alinhada com esse mesmo projeto político da extrema direita.

Já para a garantia dos recursos para a repressão e assassinato cotidiano do povo negro e pobre carioca continua em dia com a benção do projeto anti-crime de Moro, garantindo que Evaldo Rosa dos Santos seja alvejado com 80 tiros nesse domingo, em Guadalupe, na Zona Norte.

Em meio a tanto descaso, é a solidariedade da população que previne que o cenário seja pior do que já está. Os garis da Comlurb arriscam suas vidas tirando entulho e desentupindo bueiros na marra, debaixo de chuva, e moradores das áreas atingidas ajudam incansavelmente nos resgastes e nas buscas aos desaparecidos.

Essas mobilizações da população, repletas de solidariedade, tanto sobre o temporal que atingiu o Rio, quanto sobre o assassinato de Evaldo Rosa dos Santos, mostra que é possível construir mobilizações que questionem a falta de resposta imediata e séria por parte dos governantes para as repetidas tragédias e também para impor uma resposta estrutural para a crise profunda que vive o Rio de Janeiro. Basta de pagar a crise no Rio com mortes de fuzis, enchentes e desemprego!

Bolsonaro, Witzel, Crivella, Moro e o Estado racista são responsáveis pela crise atual e pelas execuções da população negra e pobre no Rio de Janeiro.

Para reconstruir o que foi destruído é necessário um plano de obras de reforma urbana financiado com o confisco dos bens dos políticos e empresários que sangraram o Rio nos últimos anos. E que com esse dinheiro, as pessoas que estão se organizando em solidariedade para um plano de emergência sejam contratadas imediatamente.

Nossas vidas valem mais que o lucro deles! A população do Rio não pode continuar pagando com a sua vida por uma crise criada pelos capitalistas.

 
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