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Lunes 20 de Mayo de 2019
02:56 hs.

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NORDESTE
Confira os debates pelo Nordeste de lançamento da biografia “Rosa Luxemburgo: Pensamento e Ação”
Redação Esquerda Diário Nordeste

Dos dias 29 a 4 de abril, foram realizados em Natal (RN), Recife (PE), João Pessoa (PB) e Campina Grande (PB), importantes debates de lançamento da biografia “Rosa Luxemburgo - Pensamento e Ação”, de Paul Frölich, inédito em português.

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Foram feitos lançamentos do livro em várias cidades e estados do país. No Nordeste, os eventos contaram com a apresentação do livro pela professora Maíra Machado, da rede pública de Santo André (SP), do grupo de mulheres Pão e Rosas e ex-candidata a dep. Estadual do Movimento Revolucionário de Trabalhadores (em filiação democrática no PSOL).

A biografia de Paul Frölich, “Rosa Luxemburgo - Pensamento e Ação”, é uma publicação conjunta entre as editoras Boitempo e Iskra, e aparece pela primeira vez em português no ano do centenário de seu assassinato, no ano de 1919, orquestrado pela social-democracia alemã junto a bandas paraestatais de extrema direita que constituíram os grupos de choques do nazismo.

Uma biografia militante que traz uma visão sobre os acertos e erros de Rosa Luxemburgo. A mesmo tempo em que travava discussões profundas com Lenin e Trotsky – e ensinava que lutas decisivas, inclusive políticas, não cabem no terreno da diplomacia – defendeu os bolcheviques pela ousadia história de ganhar as massas para a ideia de tomada do poder, que a social-democracia Ocidental não foi capaz de realizar.

A professora Maíra, autora de diversos artigos sobre gênero e luta de classes, narrou alguns momentos que marcaram a personalidade de Rosa, enquanto uma mulher dirigente revolucionária. Desde o colégio, na Polônia, se envolveu em grupos políticos fora uma das mais brilhantes alunas. Amante das ciências naturais, foi também uma das poucas mulheres que se graduaram em ciências políticas no seu tempo.

Sua vocação pela política revolucionária a levaram a fugir do império czarista, que reinava o seu país, sob a opressão de ter nascido mulher, judia, então uma militante comunista. O seu assassinato comprovou o perigo que suas ideias representavam aos capitalistas e às direções traidoras do proletariado alemão.

Ainda jovem se destacando pelos grandes debates marxistas e políticos contra o revisionismo de grandes nomes do marxismo de seu tempo, sobretudo contra Eduard Bernstein e Karl Kautsky.

Contra o primeiro, que defendia a aposta na evolução da democracia liberal como caminho ao socialismo, mediante reformas sucessivas em oposição a ação revolucionária das massas e aliança oportunista com a aristocracia operária burocrática nos sindicatos, sabotadores da luta de classes. Um debate que ficou marcado pelo famoso texto Reforma ou Revolução?

Com Kautsky, combateu o afastamento sucessivo das bases de uma orientação revolucionária para a classe trabalhadora alemã, sob o ângulo da polêmica entre “estratégia de desgaste” e “estratégia de aniquilamento”. A de desgaste apostava na expansão de cargos parlamentares, posições sindicais, gradualmente, “nada mais que parlamentarismo” de maneira a evitar os combates decisivos que se colocavam com o ascenso revolucionário na Alemanha, que sucedeu as revoluções de 1905 e 1917 na Rússia.

Em oposição a essa concepção, Rosa acompanhava os bolcheviques na discussão sobre o papel da greve geral de massas e da necessidade de unificar o maior volume de força, combinando as vitórias táticas com o combate às direções burocráticas. Rosa foi capaz de identificar o mal que representavam as burocracias antes de Lenin.

Nós do Esquerda Diário Nordeste defendemos, a partir do legado desses marxistas que é necessário e urgente a mais ampla organização em cada local de trabalho e estudo, recuperando os espaços de democracia de base e métodos radicalizados, como paralisações e greves, para se enfrentar contra Bolsonaro, seus ataques e o autoritarismo Judiciário.

Mas para isso se mostra incontornável a agrupação de uma força social antiburocrática e anticapitalista, que imponha às burocracias estudantis e sindicais que cessem a trégua com Bolsonaro, exigindo um plano de lutas concreto. Como ensina Rosa, essa não será uma tarefa realizada de maneira espontânea e exige a intervenção consciente de um partido revolucionário e internacionalista. A criação de um partido com essas características é uma tarefa ainda a se cumprir, em especial no Nordeste.

IFRN Cidade Alta – Natal (RN)

Confira Grande debate político-estratégico marca lançamento da biografia de Rosa Luxemburgo em Natal (RN)

Em Natal (RN), o lançamento ocorreu no dia 29 de março, como atividade espelho da XVII Semana de Antropologia da UFRN “Demandas dos Movimentos Sociais à Antropologia” organizado pelo Esquerda Diário, Pão e Rosas e Coletivo Guapo, no IFRN Cidade Alta.

O debate foi apresentado pela estudante de ciências sociais da UFRN, Marie Castañeda, que partiu de reivindicar o legado marxista de Rosa para o desafio de organização de uma juventude marxista, a serviço de combater o vestibular, os tubarões do ensino e a dívida pública, que aposte na aliança operário-estudantil para superar a burocracia da UNE.

Contou com a presença de jovens da universidade, alunos dos IFs, assim como professores, trabalhadores e artistas. Junto ao coletivo Guapo de produção cultural e à APAF (Artistas Potiguares Anti-Fascistas), foi organizado um pocket show ao final com o MPB de Emily Frank e a rapper Jujux.

Um debate marcado pela discussão de como o legado de Rosa Luxemburgo ajuda a compreender o papel que cumpre hoje o PT quando aposta todas as fichas nas eleições de 2022, colocando um peso nas costas dos sindicatos da CUT, entidades estudantis da UNE, aceitando que a Reforma da Previdência passe sem um plano de lutas para barra-la. Fazem crer que seus parlamentares farão de tudo para barra-la, enquanto querem montar oposição com defensores da reforma e golpistas.

UFPE – Recife (PE)

No dia 1 de abril, a atividade realizada em Recife (PE) foi organizada em parceria com o Grupo de Estudos e Pesquisas sobre Ética (GEPE), com a participação da Profª Maria Alexandra da Silva, no Auditório do Centro de Ciências Sociais Aplicadas da UFPE.

Nesse evento foi marcado pela presença de professores e pós-graduandos do Serviço Social, da Ciências Sociais e da Filosofia da universidade, que interviram sobre os aspectos teóricos do debate estratégico entre Rosa e a socialdemocracia, assim como as contribuições da marxista polonesa para o debate sobre a autodeterminação dos povos.

UFPB – João Pessoa (PB)

Em João Pessoa (PB), no dia 03/04, o CCHLA da UFPB sediou o debate, com a marcante presenta de estudantes, pós-graduandos e professores, além de militantes de outras organizações. Um debate que foi construído sobretudo por alunas do curso de História da UFPB, simpatizantes do Pão e Rosas.

Este dia foi marcado pela discussão com o PSOL, em especial com como Freixo vem aceitando o pacote “anticrime” de Moro, propondo “melhorias”, com apoio ao programa da Lava-Jato e à estratégia petista de encontrar aliados entre defensores da Reforma da Previdência e do golpe (PSB e REDE).

Se não é possível igualar PSOL e PT, devido à desproporção entre a inserção sindical e parlamentar desse partido, tratou-se de uma discussão sobre como uma alternativa ao PT devia basear-se na construção de frações anticapitalistas e antiburocráticas nas univerisadades e locais de trabalho, que obrigue a essas burocracias a se moverem. Essa foi a defesa de Rosa, assim como Lenin e Trotsky, apesar de diferenças sobre o tipo de partido necessário para acelerar esse processo.

O PSOL, ao conviver pacificamente com a “frente democrática” do PT, se abster de travar a luta política contra a burocracia, acostuma-se em cobrir pela esquerda a política petista, ao mesmo tempo em que abre mão de qualquer proposta anticapitalista. Ao aceitar alianças com partidos burgueses, se presta a assumir compromissos com a “responsabilidade fiscal”, que em meio a crise capitalista significa ajustes e ataques contra os trabalhadores, legitimando o pagamento, ao menos de parte, de uma dívida pública que é toda fraudulenta e ilegítima. Até o final, não se faz uma alternativa ao PT na falta de um programa consequentemente anti-imperialista, mas que confia em setores da burguesia “produtiva”, ou “não-rentista”, separando mecanicamente seus interesses, que nesse momento se combinam no tema da previdência.

UFCG – Campina Grande (PB)

Em Campina Grande (PB), no dia 04/04 na UFCG, com a presença de Gonzalo Rojas, professor de Ciência Política da UFCG, militante do MRT e um dos fundadores do Esquerda Diário Nordeste, coordenando a conferência de Maira. Foi um grande evento que novamente contou com peso de um importante setor da intelectualidade universitária, desde graduandos, pós-graduandos e professores.

Ali, aprofundou-se as definições sobre as posições de Rosa e suas divergências com os bolcheviques, além de contribuições para a reflexão do surgimento da burocracia stalinista. Equívocos ou insuficiências que ela possa ter levado adiante, assim como suas diferenças com Lênin no terreno da espontaneidade das massas, da questão da insurreição e da construção de partido, temas fundamentais para seguir pautando o pensamento revolucionário hoje. No entanto, não diminuem o valor da paixão comunista de Rosa, infinitamente superior à de seus carrascos.

Ao final, os presentes se organizaram para enviar a sua solidariedade à luta dos trabalhadores da RR Donnoley, cujas mais de 900 famílias foram descartadas pela empresa, após declarar falência. Nenhuma família na rua!

Este debate foi transmitido pelo Facebook e pode ser assistido aqui:

Chamado a construção de uma juventude marxista contra a miséria capitalista no Nordeste

O Nordeste foi a região do país em que, nas eleições de 2018 Bolsonaro, foi derrotado, é berço das jornadas de 2013, mas também de profundas contradições e precarização, com uma média salarial à juventude reduzida à R$ 700, desemprego e informalização crescente. Uma alternativa ao PT aqui necessitaria ir além das melhoras circunstancias, não-estruturais, que esse partido promoveu nos seus anos de governo. Essa alternativa precisa de um programa que tenha por objetivo atacar os lucros, a propriedade privada, combatendo o autoritarismo judiciário apoiado nas Forças Armadas e a corja de empresários lobbistas defensores da Reforma da Previdência.

Uma alternativa que combata o saudosismo de Bolsonaro ao período militar fazendo valer a memória combativa e as lições das ligas camponesas, principal inimigo gos golpistas de 1964, assim como o enorme potencial operário hoje, sobretudo em Recife. Sendo assim, há um enorme potencial explosivo que o pacote racista de Moro busca deter, legalizando o massacre, encarceramento e repressão dos negros e trabalhadores também no Nordeste.

Para isso, propomos como saída a construção de uma juventude marxista que supere a miséria do possível petista, enlameada em acordos com a burguesia, que transformam sua política em um pacificador, munidos de uma estratégica e política revolucionárias.

Uma juventude a serviço de batalhar por frações revolucionárias no movimento estudantil, operário, de mulheres, negras e negros e LGBT, para que se organize um setor que atue na contramão das burocracias, para que sejamos sujeitos ativos de pensar uma saída contra os patrões e o imperialismo, e à serviço da imensa maioria da população, a classe trabalhadora, majoritariamente formada por mulheres e negras e negros.

Neste sentido queremos convidar cada trabalhador e jovem que enxerga a necessidade de transformar este sistema de raiz ao lado dos trabalhadores a se somar ao grupo de estudos semanal construído pelo Esquerda Diário e pelo Pão e Rosas.

A partir do dia 11/04, às quintas-feiras no IFRN Cidade Alta e as quartas-feiras no Setor 2 da UFRN.

Contato: 84 9473-5897

 
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