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Miércoles 22 de Mayo de 2019
16:41 hs.

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REFORMA DA PREVIDÊNCIA
Agronegócio, indústria e empresas pressionam governo para aprovar reforma da previdência
Redação

As principais entidades desses setores organizam lobby pela aprovação da reforma da previdência, pressionando senadores e parlamentares dos estados a defender sua sede de lucro e os interesses do setor privado às custas do direito de milhares de trabalhadores à aposentadoria digna.

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As entidades principais dos setores da indústria, do comércio e do agronegócio, além de grupos empresariais, organizam lobby pela aprovação da reforma da previdência, pressionando senadores e parlamentares dos estados a defender os interesses do setor privado às custas do direito de milhares de trabalhadores à aposentadoria digna.

Depois de 42 patronais do agronegócio e a FIESP escreverem uma carta de pressão e apoio ao governo Bolsonaro para a aprovação da reforma, com a CNA (Confederação Nacional da Agricultura e Pecuária do Brasil) trabalhando intimamente com sua frente parlamentar no Congresso, a FPA (Frente Parlamentar Agropecuária), composta por 225 deputados federais, a CNI (Confederação Nacional da Indústria) e a CNC (Confederação Nacional do Comércio) também começam a mobilizar suas entidades para que a reforma da previdência saia do papel, mesmo com ajustes.

As sedes da CNI no Rio Grande do Norte e em Brasília já fizeram cafés da manhã com deputados e senadores para confluir os interesses de manutenção dos lucros aos ataques contra os direitos trabalhistas de milhares de pessoas. No Rio Grande do Norte, em dezembro passado, todos os deputados e senadores, além da governadora Fátima Bezerra compareceram no café, a convite do presidente da Fiern, Amaro Sales de Araújo, representante da CNI no estado.

Segundo informações da Folha, pessoas que participam da articulação da CNI com o Congresso afirmam que a confederação não se mobilizará por aspectos específicos e mais controversos da proposta, como a previdência rural, a previdência dos militares, o Benefício de Prestação Continuada (BPC) e o regime de capitalização. A intenção é conseguir um “caminho do meio” para garantir a aprovação da reforma, com os argumentos de déficit financeiro e aumento da idade populacional.

Na esteira da CNI, a CNC (Confederação Nacional do Comércio), também busca o apoio de parlamentares e conta com lobistas no Congresso. O presidente da confederação José Roberto Tadros disse estar marcando eventos nos estados, mas que muitos dirigentes têm relações pessoas com deputados, senadores e governadores em eventos privados.

O lobby pela aprovação da reforma da previdência conta também com empresários apoiadores de Bolsonaro, como João Apolinário (Polishop), Luciano Hang (Havan), Sebastião Bonfim (Centauro), Washington Cinel (Gocil), Edgar Corona (Smart Fit), que abrirão um escritório de lobistas em Brasília chamado Instituto Brasil 200, que atuará pelo interesse desses grandes grupos empresariais. Um desses empresários, Flávio Rocha (Riachuelo), que já foi acusado de analogia a trabalho escravo, responde por várias denúncias de violações trabalhistas em fábricas terceirizadas no interior do Rio Grande do Norte, em que os trabalhadores ganham menos que o salário mínimo com jornadas extenuantes de trabalho.

O ministro Paulo Guedes, formado no berço neoliberal de Chicago, e a trupe de empresários que se movimentam para garantir o ataque à previdência sabem que a reforma já garante suficientemente seus interesses mesmo sem os pontos mais abordados, como a capitalização. O gatilho automático para aumentar a idade mínima da aposentadoria a partir de um índice controverso de expectativa de sobrevida da população, o aumento da idade mínima e do tempo de contribuição, o incentivo à informalidade, são alguns dos pontos fundamentais que mesmo uma reforma negociada tende a passar.

Vemos, portanto, que a tentativa do PT de bancar uma reforma “mais branda”, com as centrais sindicais que dirige atuando como freios de uma mobilização ampla dos trabalhadores, para negociarem com o governo e apresentarem propostas de ajuste da reforma da previdência, acabam colaborando com os interesses dos setores mais exploradores do país. Não à toa, pois para se elencar como alternativa parlamentar para daqui a alguns anos, o PT precisa do apoio dos setores mais reacionários do setor financeiro, ao mesmo tempo que usa de demagogia e populismo para fingir se comprometer com os direitos dos trabalhadores.

Toda essa movimentação dos principais setores da indústria, do comércio, do agronegócio e dos empresariado demonstra os objetivos por trás dos discursos patriotas da maior parte da mídia, com o mote de que a reforma da previdência é “para salvar o Brasil”. O governo Bolsonaro cada vez mais se mostra submisso aos trâmites da política tradicional, aos interesses da burguesia nacional e ao imperialismo dos EUA e, apesar das fissuras internas, cada vez mais fica explícita a ganância capitalista que une os setores do governo para aprovar o quanto antes a absurda reforma.

Essa reforma, assim como a que o golpista Michel Temer tentou passar em 2017, não serve para diminuir privilégios, mas sim para arrancar direitos dos mais pobres e diminuir os custos do empresariado nacional, garantindo a taxa de lucros dos grandes capitalistas frente a uma crise econômica internacional que se desenrola desde a crise de 2008. Eles querem que morramos trabalhando para que os patrões e grandes empresários continuem lucrando fortunas.

Por isso, as centrais sindicais precisam romper com o burocratismo que tem demonstrado até então, atuando desde as bases dos locais de trabalho para preparar assembleias e dias de paralisação para a construção de atos massivos nas ruas. Apenas os trabalhadores organizados poderão canalizar a indignação contra os ataques a seu direito de aposentadoria após uma vida de trabalho, fazendo os capitalistas pagarem pela crise que eles mesmos criaram.

 
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