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Viernes 24 de Mayo de 2019
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RIO GRANDE DO NORTE
Fátima Bezerra (PT) afirma não ser contra a Reforma da Previdência e quer diálogo que não combate Bolsonaro
Redação Esquerda Diário Nordeste
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“Não somos contra a reforma da previdência, mas defendemos que um debate, como este, que atingirá todas as camadas da nossa sociedade precisa ser amplamente discutido com todos”, disse a governadora em meio a realização do “Seminário Formativo Previdência Social no Brasil”, promovido pelo Sindicato dos Auditores Fiscais do RN.

A Reforma da Previdência é concretamente a “pedra angular” do governo Bolsonaro, foi para isso que foi eleito mediante um processo eleitoral direcionado pelas medidas autoritárias da Lava-Jato e do STF, sob tutela e apoio das Forças Armadas.

A governadora ignora esse fato, que com a prisão de Lula em Curitiba para que não participasse do pleito, com seu direito a candidatar-se sendo perseguido, o sequestro do direito de voto de mais de 3 milhões de pessoas, concentrados no Nordeste e no Norte, significaram um avanço do golpe institucional para garantir a eleição de um candidato capaz de terminar o serviço sujo de Temer e aprofundar as tendências autoritárias do Judiciário.

A aprovação dessa reforma é uma necessidade estratégica dos interesses imperialistas no país, tanto para saquear recursos da previdência para o pagamento da dívida pública, quanto para derrotar os trabalhadores e impor um regime político ainda mais repressivo e que sedimente a escalada autoritária.

Aprovar a reforma daria margem para Bolsonaro, junto a Moro, os militares e o STF, aprofundarem a desorganização dos trabalhadores e setores oprimidos perseguindo os sindicatos, movimentos sociais e partidos políticos, enquanto o setor mais “trumpista/olavista” investem contra as mulheres, os negros, LGBTs e indígenas.

Ao aceitar que haja uma reforma da previdência, Fátima colabora com a fantasia de que existe um déficit da previdência e que por isso é preciso “combater os privilégios”, ideia que a presidente do PT, Gleisi Hoffmann, fez o desserviço de defender, corroborando com a principal mentira do governo Bolsonaro para legitimar a sua proposta.

Para além disso, a declaração da governadora do PT atesta que não fará oposição ao consenso burguês de que os trabalhadores terão que pagar pela crise trabalhando até morrer e com medo de uma aposentadoria miserável.

Nesses três meses de seu governo não se viu a governadora denunciando, por exemplo, que empresários devem mais de R$ 450 bilhões a previdência. Apesar da denúncia existir em nota oficial do PT, isso é completamente desvinculado dos discursos das suas figuras e da política construída cotidianamente, que passa pelo movimento duplo entre a confiança em acordões e o a atuação na contramão da organização desde as bases.

Fátima aparece nas redes sociais como uma figura popular, fazendo demagogia de que tem como prioridade o pagamento dos salários, mas sua política não se difere do discurso de “responsabilidade fiscal” dos governos anteriores com os credores da dívida do estado, que resulta no não pagamento dos salários de dezembro e 13º dos dois últimos anos aos servidores. Essa mesma defesa da “responsabilidade fiscal” foi o que permitiu ao PT bom trânsito com o capital imperialista dos bancos e multinacionais, pagando cerca de R$13 trilhões da dívida pública nos seus anos de governo.

O “debate” que propõe Fátima não poderia significar nada mais que a velha estratégia governista do PT, através de criação de espaços, como o que participou o ex-ministro Gabas, que só servem para defender uma reforma da previdência “inclusiva”, em negação do direito dos trabalhadores de impedirem a Reforma da Previdência se auto-organizando. No lugar de que os trabalhadores recuperem a iniciativa política contra a extrema-direita, organizando e paralisando os locais de trabalho e estudo em aliança com os movimentos sociais, Fátima Bezerra propõe domesticar essa iniciativa aos limites do governo do estado.

Fazer crer que uma discussão “ampla” sobre o projeto poderia mudar esse futuro é fazer propaganda de uma ilusão e na confiança do Estado para “melhorar” o roubo das aposentadorias. Que debate amplo o PT propõe se, através dos sindicatos da CUT e entidades da UNE, segue asfixiando o movimento operário, estudantil e de mulheres, recusando-se a convocar amplos espaços de autoorganização para que se possa discutir e organizar a luta contra Bolsonaro e seus ataques.

É a expressão do que significa a estratégia petista de “resistência democrática” quando à frente de um governo de estado, de desacreditar os trabalhadores da sua própria força e alimentar ainda mais a passividade e desmoralização.

Quando no Congresso o PT se mostra disposto a fechar com gente que defende a reforma da previdência, como Renan Calheiros (e alguns deputados ajudando na eleição de Rodrigo Maia), setores do PSDB, PDT, e outros partidos burgueses, orquestra uma “resistência democrática” incapaz de barrar qualquer votação. Se trata de uma estratégia de “desgaste” do governo Bolsonaro, fazendo crer que as crises palacianas por si só poderiam acabar com a reforma.

Na prática, joga todas as saídas para as próximas eleições, lá em 2022, com o PT apresentando seu candidato como “mal menor”, com promessas falsas de que será capaz de reverter a reforma da previdência. O resto é pura demagogia.

Parte determinante para o sucesso dessa estratégia está no papel que o PT cumpre nos sindicatos e movimentos sociais, via as centrais CUT e CTB, que controlam a maior parte dos sindicatos do país. Só no Rio Grande do Norte essas centrais dirigem sindicatos importantes, como de professores (uma das categorias mais afetadas pela reforma). Via UNE, o PT enquanto organização majoritária dessa entidade, dirige DCEs da UFRN e diversas universidades privadas.

Na semana passada, a presidenta da UEE do Rio Grande do Norte foi intimada e teve sua intimação entregue por policiais fortemente armados em sua casa. Apesar de reivindicações levadas por estudantes ao Conselho de Entidades de Base da UFRN, o DCE, dirigido por correntes majoritárias da UNE (Juventude do PT, UJS, Levante) segue sem ter sequer uma previsão de convocatória de uma Assembleia Geral contra essas ameaças e a Reforma da Previdência.

Junto às patronais Força Sindical e UGT, essas centrais e entidades petistas se negam atuar pela auto-organização em cada local de trabalho e estudo, com um plano de lutas concreto, debatido com cada trabalhador e estudante, com assembleias, com objetivo de retomar as greves, paralisações e métodos radicais e urgentes para derrotar essa reforma. Ao não fazer isso, estão dando tempo para que Bolsonaro supere as crises internas, rearticule-se com Rodrigo Maia para ganhar os votos que precisa para aprovar a reforma e o pacote “anti-crime” de Sergio Moro.

Na paralisação geral do dia 28 de Abril de 2017, a classe trabalhadora brasileira fez sentir, em pequeno, a sua tremenda força, que naquele momento impediu a aprovação da Reforma da Previdência. Em Natal, fomos 100 mil nas ruas. Então, as Centrais Sindicais adotaram uma linha traidora negociando alguns pontos da Reforma Trabalhista na contramão do aprofundamento da auto-organização da classe trabalhadora, aceitando o fim da CLT mediante a reversão do ataque ao imposto sindical. E falharam.

Após anos de acordos parlamentares com a bancada evangélica, com o agronegócio e os setores mais reacionários do país, rifando cada promessa às mulheres, indígenas, trabalhadores do campo em nome da governabilidade, estes setores se voltam contra o PT e os trabalhadores. Esses acordos e negociatas deixaram o caminho livre para a extrema-direita, na falta de uma luta independente da classe trabalhadora, junto à juventude, movimentos de mulheres, negras e negros, LGBTs, que barrasse esses ataques estratégicos e impusesse uma saída anticapitalista para a crise.

Fátima Bezerra e o PT, se apoiando nos sindicatos e entidades estudantis, terminam trabalhando estrategicamente para a aprovação da Reforma da Previdência tal como Bolsonaro, Paulo Guedes e o Congresso decidir que será, colocando os trabalhadores num beco sem saída, separados nas suas categorias, cursos, partidos e movimentos sociais.

Nós do Esquerda Diário acreditamos que é necessário e urgente a mais ampla organização em cada local de trabalho e estudo, recuperando os espaços de democracia de base e métodos radicalizados, como paralisações e greves, para se enfrentar contra Bolsonaro, seus ataques e o autoritarismo Judiciário. Mas para isso se mostra incontornável a agrupação de uma força social antiburocrática e anticapitalista, que imponha às burocracias estudantis e sindicais que cessem a trégua com Bolsonaro, exigindo um plano de lutas concreto.

Para isso, propomos como saída a construção de uma juventude marxista que supere a miséria do possível petista, enlameada em acordos com a burguesia, que transformam sua política em um pacificador, munidos de uma estratégica e política revolucionárias.

Uma juventude a serviço de batalhar por frações revolucionárias no movimento estudantil, operário, de mulheres, negras e negros e LGBT, para que se organize um setor que atue na contramão das burocracias, para que sejamos sujeitos ativos de pensar uma saída contra os patrões e o imperialismo, e à serviço da imensa maioria da população, a classe trabalhadora, majoritariamente formada por mulheres e negras e negros.

Neste sentido queremos convidar cada trabalhador e jovem que enxerga a necessidade de transformar este sistema de raiz e a enorme disparidade material entre a vida dos 8 homens mais ricos do mundo, que detém a mesma riqueza que os 3,6 milhões mais pobres, da imensa maioria da população e entende que isso nos coloca em lados opostos da história, a se somar ao grupo de estudos semanal construído pelo Esquerda Diário e pelo Pão e Rosas.

A partir do dia 11/04, às quintas-feiras no IFRN Cidade Alta e as quartas-feiras no Setor 2 da UFRN.

 
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