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Martes 20 de Agosto de 2019
13:39 hs.

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CONTRA AS DEMISSÕES NA DONNELLEY
Segundo ato de trabalhadores da RR Donnelley fecha Anhanguera
Redação

Nesta quarta, 3, trabalhadores da RR Donnelley fecham pela segunda vez a rodovia Anhanguera em protesto contra o fechamento das fábricas que deixará cerca de 1000 famílias nas ruas. Após muitos anos de lucro com o ENEM a empresa fechou as portas do dia para a noite em Osasco, Barueri e Blumenau, alegando suposta falência e deixando os trabalhadores sem qualquer perspectiva de receberem seus direitos. Veja a seguir depoimentos dos trabalhadores.

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Pela segundo dia seguido as pistas da rodovia Anhanguera na altura de Osasco amanheceram fechadas pelo protesto dos trabalhadores da RR Donnelley. No dia 1º de abril a empresa fechou as portas das fábricas de Osasco, Barueri e Blumenau e deixou 970 trabalhadores com suas famílias nas ruas. Depois de lucrar por muitos anos com a impressão das provas do ENEM, a Donnelley alega falência e que não pode sequer pagar as verbas rescisórias e os direitos dos trabalhadores.

Tenho quase 40 anos de experiência em manutenção, 20 anos só na Donnelley. Durante o último mês retirei 12 máquinas antigas pra serem desmontadas. A empresa vendeu como sucata. O que estão fazendo com a gente é a mesma coisa.
Até os tratamentos médicos que o pessoal está fazendo vão ser interrompidos no meio porque a empresa está cortando o plano de saúde.", relata o trabalhador C., da planta de Barueri, ao Esquerda Diário.

Todos os selos de cartório de São Paulo, a Telesena, a Shell imprime todos os seus rótulos aqui. Em Tamboré imprime os materiais da Saraiva, da Companhia das Letras, são muitos clientes, além do Enem. Só o Enem no último ano rendeu 140 milhões para a Donnelley, muito mais do que eles dizem, onde foi parar todo esse dinheiro? É a maior gráfica do mundo, como não tem dinheiro?" relata um trabalhador que não quis ser identificado.

A indignação dos trabalhadores e os protestos são legítimos, pois não é possível que sejam os trabalhadores a pagarem com suas vidas pelas crises criadas pelos grandes empresários. Além dos lucros com o ENEM, a gráfica tinha convênios com as editoras Saraiva, Cultura e também com o Bradesco. RR Donnelley é uma multinacional milionária, que nos EUA possui o monopólio de impressões do correio. Onde está todo o dinheiro lucrado com estes negócios? Por que a Donnelley não dá satisfações aos trabalhadores e não abre seus livros de contabilidade?

Depois de 38 anos de trabalho e colaboração com a empresa, você chega pra trabalhar e encontra os portões fechados, a empresa não dá nem uma satisfação, e você não não tem perspectiva de receber nem seus direitos trabalhistas. Depois de 38 anos vou ter ir buscar outro posicionamento de trabalho. E o Bolsonaro vai pros Estados Unidos dizer pro Trump que o país tá de portas abertas. Estamos vendo aqui, de portas abertas pra fazer o quê, sugar o sangue dos trabalhadores, porque essa empresa é americana e é uma das maiores do mundo."
relata ao ED o trabalhador E. C., de Osasco.

São centenas de trabalhadores que estão ameaçados de se tornarem parte das imensas filas de desemprego, muitos dos quais estão há mais de vinte anos na empresa. Em nome da lucratividade a patronal trata os trabalhadores como se fossem descartáveis, essa é uma realidade que se repete em muitas fábricas, como no caso das demissões da Abril ou mesmo o fechamento da Ford, em São Bernardo do Campo.

“Pra nós é uma surpresa, poderíamos imaginar qualquer forma de atenuar a crise menos essa sacanagem desumana. Toda a mídia só fala da necessidade de imprimir o ENEM, mas as pessoas daqui nem poderiam prestar o ENEM, e nem nossos os filhos, também por causa da confidencialidade a gente não pode chegar nem perto se alguém da família conseguir chegar a prestar o Enem. A gente só quer os direitos, não que fique sendo divulgado só a importância do Enem, mas o que gente passa aqui ninguém fala. Essa estratégia de auto falência ampara eles pela lei. Tudo que está acontecendo aqui não reflete na matriz dos Estados unidos, eles estão blindados, só os trabalhadores das 3 plantas do Brasil que vão pagar a crise. Mais de mil famílias, mais de 4 mil pessoas. Estamos na mão dos representantes jurídicos do sindicato que nós nem sabemos quem são, que não dão as caras, que também estão blindados. Todos trabalhadores estão no mesmo barco, terceirizados, jovens aprendizes, pessoas que estão sem rumo sem saber o que fazer. Uma situação muito delicada, triste, todos aqui se dedicaram mesmo, tem que obedecer muitos critérios pra trabalhar aqui. Todos acreditavam nesses critérios e achávamos que a Donnelley era uma empresa idônea mas eles se mostraram, esses norte americanos, que eles não são e eles não tem nada disso..” H., 21 anos de trabalho

Essa realidade deveria ser combatida pelas grandes centrais sindicais, como a CUT e a Força Sindical, que dirige o sindicato de gráficos de Osasco e Barueri. É preciso organizar uma grande batalha e a mais ampla solidariedade de trabalhadores de todas as categorias para impedir que esses trabalhadores e suas famílias sejam lançados à rua. E essa batalha deve estar ligada ao necessário enfrentamento ao governo Bolsonaro e seu plano de ataque aos trabalhadores de conjunto, com sua Reforma da Previdência. Foi Bolsonaro que extinguiu o Ministério do Trabalho, num claro sinal de que as patronais podem se sentir à vontade para atacar e priorizar ainda mais seus lucros, como faz a Donnelley.

 
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