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Jueves 23 de Mayo de 2019
08:46 hs.

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GANÂNCIA CAPITALISTA
Vale lucrou R$ 25,657 bilhões em cima de lama, cidades e sangue dos trabalhadores
Redação

Em 2018, a empresa, responsável pelas tragédias de Mariana e Brumadinho, teve um crescimento de 45.6% nos lucros em relação a 2017. O resultado, que foi o melhor para a empresa em sete anos, foi garantido pela ganância capitalista que fez com que a Vale rifasse duas cidades e diversas vidas de trabalhadores em prol do lucro.

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Segundo balanço divulgado pela mineradora Vale na quarta feira (27), e empresa teve um lucro líquido de R$ 25,657 bilhões (aprox. US$ 6,860 bilhões) no ano de 2018. O resultado representou um aumento de 45.6% em relação a 2017.

Os resultados, extremamente favoráveis aos grandes empresários capitalistas - nacionais e estrangeiros - donos das ações da companhia (privatizada por FHC na década de 90), vieram no ano em que se marcavam três anos da tragédia de Mariana, onde o rompimento de uma barragem de rejeitos lançou toneladas de lama tóxica contra a comunidade, destruindo o Rio Doce e ceifando diversas vidas. Também antecipam, por pouco, o crime ambiental promovido pela empresa no começo de 2019, quando o rompimento de outra barragem, desta vez em Brumadinho, deixou centenas de mortos, em sua maioria trabalhadores com condições precárias de trabalho, configurando o maior evento de seu tipo na história do país.

A ganância dos empresários capitalistas não vê limites quando se trata de cortar “gastos” e precarizar o trabalho para promover o lucro. A empresa, enquanto produzia seus altos lucros em 2018 e anos anteriores, comprovadamente já sabia do risco de rompimento da barragem de Brumadinho, e chegou mesmo ao cúmulo de calcular as perdas e mesmo o número de mortos de uma eventual catástrofe. Não é prática incomum para empresas, após calcularem que será mais barato apostar em ter que pagar indenizações do que mudar seu modelo de exploração ou fazer manutenções preventivas, preferir simplesmente esperar para, a custo de centenas de mortes e danos ambientais incalculáveis, cinicamente pagar algo de indenização às famílias de suas vítimas.

É notável ressaltar aqui que, multada desde 2015 por seus crimes em Mariana, a Vale até hoje não pagou um centavo do que deve à justiça. Escancarando não somente a degeneração de uma empresa cuja sede de lucro, obtido às custas do sangue operário derramado em meio ao mar de lama, chega ao ponto de burlar mesmo as consequências piores (e inevitáveis) de suas práticas, como também o caráter hipócrita e de classe do judiciário brasileiro, que segue conivente com os crimes e assassinatos em massa promovidos por grandes capitalistas, ao passo que lota as cadeias com jovens negros pegos em pequenos crimes por uma polícia racista e elitista.

Os crimes da Vale não param. Enquanto os acionistas da empresa comemoram seus altos lucros, e vêm com otimismo projeções de seguir lucrando mesmo em 2019, após Brumadinho, graças à subida dos preços do minério no mercado internacional, à população de Minas está reservada uma possível crise de saúde, que veria a um surto de dengue e febre amarela, resultado da destruição do meio ambiente pela lama tóxica.

O modelo de exploração de recursos adotado por empresas capitalistas como a Vale, que tem em vista acima de tudo agradar os acionistas e maximizar os lucros, é predatório. Pautado na destruição do meio ambiente, assim como na economia de recursos para prevenção e preservação e na exploração desumana dos trabalhadores e trabalhadoras, é um modelo pautado nas necessidades do mercado mundial e das grandes empresas imperialistas, a revelia das vidas das comunidades que destrói, e dos trabalhadores que morrem todos os dias em “acidentes” de maior ou menor proporção.

Esse lucro imenso da Vale, em meio a uma crise que está impondo uma série de ataques aos trabalhadores, escancara que o projeto dos capitalistas é descarregá-la nas costas do povo pobre, rifando nossas vidas, fazendo com que trabalhemos até morrer com a reforma da previdência, enquanto eles mantém seus privilégios. Bolsonaro, junto com Trump, Paulo Guedes, Maia, o judiciário golpista e os empresários, têm esse objetivo. O lucro da Vale só foi possível com as tragédias pelas quais a empresa é responsável, junto com o governo, que destruiu cidades, histórias e famílias.

A exploração de recursos para a melhoria da vida do povo, o fim da exploração dos trabalhadores pelos grandes empresários e a preservação da natureza passam, necessariamente, pela expropriação dos responsáveis diretos e indiretos das tragédias do capitalismo. Por isso é urgente a expropriação imediata da dessas empresas, sobre gestão operária e controle popular! Sem nenhuma indenização aos capitalistas! Nossas vidas valem mais que o lucro deles!

Leia: DECLARAÇÃO DO MRT - Pela re-estatização da Vale sob gestão dos trabalhadores e controle popular, para enfrentar a mineração predatória

 
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