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Martes 10 de Diciembre de 2019
05:40 hs.

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REPÚDIO
Repudiamos a Aula Magna de Henrique Meirelles na PUC-SP
Redação

O centro acadêmico Leão XIII, da Faculdade de Economia, Administração, Ciências Contábeis e Atuariais (FEA) da PUC-SP, convidou o banqueiro e golpista Henrique Meirelles para dar a Aula Magna de 2019 que ocorreu na noite de terça-feira (12), no teatro Tuca. Meirelles é ex-presidente do Bank of Boston, foi Ministro da Fazenda de Michel Temer, candidatou-se à presidência pelo MDB em 2018 e, atualmente, é Secretário da Fazenda do estado de São Paulo, governado pelo ex-prefeito e ladrão de merenda João Doria, um dos principais apoiadores da campanha de Bolsonaro.

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Não o torna menos isento ou “imparcial” o fato de que Meirelles tenha sido nomeado presidente do Banco Central pelo ex-presidente Lula, que se orgulha de que os bancos nunca tenham lucrado tanto quanto no seu governo. Nos anos de conciliação petista, a economia brasileira reprimarizou-se, enquanto pautas sociais, como a legalização do aborto, foram rifadas em troca da “governabilidade” e do apoio das figuras mais reacionárias da política nacional, as mesmas que se tornaram atores do golpe institucional. O peso do agronegócio em relação à estrutura de classes do Brasil aumentou, assim como a repressão que inclui, entre seus exemplos mais revoltantes, a intervenção militar no Haiti.

Meirelles dirigiu-se aos estudantes durante cerca de 40 minutos, falando sobre sua carreira privilegiada, dizendo que a causa da crise econômica é o excesso de gastos do governo e que a reforma da previdência é necessária porque as famílias já não fazem tantos filhos quanto antes, uma falácia que é contradita pela produção científica da própria PUC-SP, ao que nos referimos aqui.

Questionado sobre por que é a previdência que deve ser sacrificada se a maior despesa do governo é o pagamento da dívida pública, Meirelles respondeu que a taxa de juros do Brasil é alta porque a confiabilidade do governo é baixa, como se “investir” em títulos da dívida brasileira tivesse algum risco. Na verdade, o tripé macroeconômico superávit fiscal-metas de inflação-câmbio flutuante, que organiza toda a economia do país, não tem outra finalidade a não ser a valorização do capital portador de juros aplicado nos títulos públicos.

O ponto mais alto da noite deve ter sido a apresentação que antecedeu a palestra de Meirelles do coletivo de estudantes bolsistas que criticou o convite do C.A. a Meirelles. Que o evento tenha acontecido no Tuca também é uma ironia quase provocativa, pois em suas paredes ainda estão as máscaras da história de resistência da comunidade universitária ao regime militar. Como se não bastasse, Meirelles ainda se vangloriou de sua responsabilidade pelo teto dos gastos públicos, também conhecido como PEC do fim do mundo, que condenará a educação e à saúde de toda uma geração, e que até a organização imperialista que é a ONU definiu como “violação dos direitos humanos”.

O C.A., dirigido pela chapa União FEA-PUC, justifica seu convite à Meirelles (p. ex. aqui) em nome do “pluralismo democrático”. Para nós, não há nada democrático em dar voz aos inimigos da classe trabalhadora que, ademais, já têm todo o espaço da nada democrática mídia burguesa. Pelo contrário, afunção do C.A. deveria ser solidarizar-se e defender os interesses históricos dos trabalhadores e do povo pobre, e promover o pensamento crítico, justamente aquele que é excluído dos meios hegemônicos. Por isso, nos posicionamos contrários ao projeto de Henrique Meirelles e chamamos os estudantes da Faculdade de Economia, que usufruímos do restritíssimo acesso ao conhecimento que essa faculdade produz, a construir um projeto alternativo, de uma sociedade livre da exploração e da opressão.

 
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