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Martes 12 de Noviembre de 2019
05:40 hs.

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MULHERES
Neste 8 de março, marchamos por pão, mas também por rosas!
Patricia Galvão
Trabalhadora da USP e integrante da Secretaria de Mulheres do SINTUSP

Por um feminismo socialista que se coloque contra Bolsonaro e as reformas.

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Pão para todos e rosas também! A frase da sufragista americana Helen Todd no início do século XX expressa o anseio da luta das mulheres no mundo todo até os dias de hoje. O grito por pão, símbolo das necessidades da humanidade, do justo sustento para garantir a a vida em sua essência e o anseio pelas rosas, símbolo do que que torna a vida plena de sentido e digna de ser vivida, o acesso a produzir e usufruir da arte, da música, da literatura, do conhecimento científico, da natureza.

A luta pelo pão e pelas rosas inspirou greves no início do século, como a greve das operárias têxteis de Lawrence – Massachusetts, nos Estados Unidos, em 1912 que lutava contra as jornadas intermináveis, os salários miseráveis e as condições desumanas de trabalho.

Muitas dessas lutas operárias foram duramente reprimidas. Um caso escandaloso é o das operárias têxteis da Triangle Shirtwaist Company, em Nova York, que foram queimadas vivas pelos patrões. O desfecho trágico dessa luta, inquestionavelmente legítima, mostra que para a burguesia a vida das mulheres trabalhadoras não tem valor. Em nome dos seus lucros estão disposto, inclusive, a entregarem-nas a morte.

A luta das mulheres não foi sem percalços e mesmo atualmente enfrenta os freios dos setores conservadores aliados a burguesia, que se hoje não queima as mulheres nas fábricas, as deixam sem nenhum direito, sujeitas a condições precárias de trabalho e baixíssimos salários. Querem derrotar as mulheres e assim derrotar o conjunto da classe trabalhadora.

O patriarcado, cuja expressão mais brutal é a violência machista e o feminicídio, não é invenção do sistema capitalista. Na Antiguidade Ocidental as mulheres eram posses do marido, do pai ou do irmão. Hoje, no papel, a mulher não é propriedade do marido. Mas ainda hoje, são mortas por que tentam sair de um casamento, terminar um namoro ou simplesmente por que dizem não. Isso ainda acontece não porque a ideologia patriarcal é invencível ou a natureza do homem é em sua essência machista ou misógina. A opressão de gênero mesmo depois de milênios, numa época como a nossa onde milhões de mulheres protagonizaram intensas lutas contra o patriarcado, é mantida por que existe um sistema de exploração que subjuga quase toda a humanidade e que sua existência depende de manter a classe trabalhadora dividida (em raça, em gênero). Esse sistema é o capitalismo.

A opressão da metade feminina da humanidade é extremamente lucrativa aos capitalistas. O trabalho reprodutivo, ou seja, as tarefas como o cuidado com o lar, com as vestimentas, a produção das refeições, a educação e cuidado das crianças, tudo isso recai sobre os ombros das mulheres. E isso por séculos. No entanto, sob o capitalismo a esse trabalho essencial para a reprodução da vida soma-se a necessidade do trabalho das mulheres também nas fábricas para garantir a subsistência da família, já que o operário explorado pelo patrão não recebe um salário suficiente para prover as necessidades da sua família.

Assim, a mulher, lançada ao mercado de trabalho, vende a sua mão de obra, mas não se livra da escravidão do lar. Seu trabalho é duplamente lucrativo aos patrões. O trabalho doméstico, essencial para o capitalista, pois graças a ele o operário chega à fábrica (ou à empresa) pronto para produzir o lucro, não é remunerado. O Estado, a serviço dos patrões, se exime da sua responsabilidade de fornecer lavanderias, restaurantes e creches públicas. Nas fábricas ou nas empresas, o trabalho feminino vale menos. O baixo valor pago as mulheres serve para rebaixar os salários também dos operários homens.

A união entre a exploração capitalista e a opressão patriarcal resulta em precarização e violência contra as mulheres. Cerca de 70% da população mais pobre mundial é formada por mulheres. O trabalho das mulheres valem menos, ou nada se for o trabalho doméstico, e seus corpos, suas ideias e em última instância, suas próprias vidas valem menos no capitalismo. No Brasil as mulheres ganham em média cerca de 30% menos que os homens, as mulheres negras ganham 60% menos, além da jornada semanal trabalham mais 21 horas por semana só no cuidado do lar e dos filhos, são mais vulneráveis ao assédio moral e sexual. São mais de 1.200 mortes de mulheres vítimas de abortos clandestinos por causa da proibição do aborto no Brasil. De acordo com as estatísticas, a cada 1 hora e meia uma mulher é vítima de feminicídio e milhares são vítimas de violência doméstica.

Esse panorama sob o governo de Bolsonaro ganha contornos mais dramáticos. Um governante que considera as mulheres frutos de uma “fraquejada”, que responde a críticas políticas feitas a ele com ameaças e apologia ao estupro, que justifica os menores salários pagos às mulheres por que engravidam, só poderá defender mais ataques às mulheres a serviço dos patrões. Não à toa, Bolsonaro lança mão de um projeto de reforma da previdência que ataca o conjunto da classe trabalhadora, mas tem as mulheres como principal alvo, elevando sua idade mínima para aposentadoria e atacando as professoras (equiparando a sua idade de aposentadoria a dos professores homens).

Mais ainda, Bolsonaro escolhe como ministra da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos, a pastora Damares Alves, numa tentativa frustrada de cooptação das mulheres, tentando igualar uma ministra aliada à burguesia e aos setores conservadores machistas às mulheres trabalhadoras e jovens em luta contra o patriarcado. Damares que já se manifestou contraria ao direto ao aborto, dando as costas a um milhão de mulheres que abortam todos os anos no Brasil. Que já declarou a “nova era” de azul para meninos e rosa para meninas, numa clara ofensiva contra a educação e liberdade sexual e aos LGBTs. Que já defendeu que lugar de mulher é em casa, ao invés de lutar pela libertação das mulheres das tarefas domésticas.

Mais do que nunca as mulheres são chamadas à luta contra o patriarcado. Casos escandalosos de feminicídio chegam todos os dias. Mulheres trans assassinadas e tendo seus corações arrancados. Ataques brutais aos direitos trabalhistas das mulheres e da classe trabalhadora conquistados com o sangue da operárias do século XX.

É nessa realidade atual que fazemos um chamado às mulheres a marchar nesse 8 de março com o grupo de mulheres Pão e Rosas contra Trump, símbolo do imperialismo misógino que oprime as mulheres venezuelanas, Bolsonaro e a Reforma da previdência. E chamamos a construir um feminismo socialista aliado à classe trabalhadora para derrubar de forma definitiva o patriarcado e o capitalismo.

 
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