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Domingo 22 de Septiembre de 2019
22:23 hs.

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POLÊMICA
PSOL: "Frente ampla parlamentar" com burgueses e golpistas
Redação

Na aliança com partidos burgueses, como o PSB, e golpistas, como a REDE de Marina Silva, para onde vai a Frente ampla parlamentar composta por esses partidos, o PSOL e o PT?

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As votações no Congresso Nacional são articuladas em função da aprovação da reforma da previdência e outros ataques do governo Bolsonaro.

Apenas com a força independente dos trabalhadores, organizados nos seus locais de trabalho, é possível se enfrentar seriamente com esse trator de retirada de direitos.

Nesse processo, o PT e seus aliados, que dirigem a maioria dos sindicatos do país através da CUT e da CTB, vêm apostando nos acordos com partidos burgueses e líderes fisiológicos, terminando apoiando o "novo" defensor da reforma, Renan Calheiros, no Senado, em busca de cargos numa estratégia de conciliação de classes que conduziu milhões de brasileiros às misérias do golpe institucional e da eleição de Bolsonaro. Ao mesmo tempo, trabalham para manter na passividade os milhões de trabalhadores filiados aos sindicatos que dirigem.

Diante disso, o PSOL poderia (e deveria) utilizar suas posições no parlamento para exigir das centrais sindicais um plano de luta real que organizasse os trabalhadores contra as reformas e avançasse contra os ataques de Bolsonaro contra os trabalhadores, as mulheres, os negros e os LGBT. Mas não faz isso. O PSOL escolhe seguir sendo parte da estratégia de "resistência democrática" do PT, exclusivamente parlamentar, separada da luta de classes nas ruas, renunciando a uma luta política com o programa e a política do PT. O resultado dessa convivência pacífica com as burocracias políticas e sindicais do PT é a abdicação taxativa de construir frações revolucionárias nos sindicatos, nos locais de trabalho e estudo, deixando o caminho livre para a política do PT de deixar os ataques econômicos passarem e aguardar 2022 para capitalizar eleitoralmente o descontentamento com esses ataques e tentar retomar a administração do Estado capitalista neoliberal decadente.

Mas o que dizer do "bloco progressista" conformado e anunciado com entusiasmo pelo PSOL, não apenas junto ao PT, mas junto aos partidos burgueses, e golpistas, do PSB e da Rede? O deputado federal Marcelo Freixo (PSOL-RJ) disse que “é uma vitória da esquerda que tem pontos em comum entre os partidos. São partidos comprometidos com a democracia, de oposição ao governo Bolsonaro, e com possibilidade de um diálogo intenso com a sociedade, com independência total desta Casa em relação ao governo”. Como é possível ter pontos em comum com a golpista Marina Silva, da Rede, ferrenha apoiadora da prisão arbitrária de Lula e do autoritarismo judiciário? Que "comprometimento com a democracia" pode haver da parte de partidos que apoiaram o golpe institucional como o PSB, de Rollemberg e de Márcio França, que reprimem greves dos trabalhadores com mão dura, e são aliados da direita tucana? Isso, para não mencionar que defendem à risca a Lei de Responsabilidade Fiscal e o "equilíbrio fiscal", que significam corte na aposentadoria, saúde, educação e outros ajustes contra o povo trabalhador, tudo para manter e o pagamento de bilhões de reais para a ilegal, ilegítima e fraudulenta dívida pública.

Em entrevista do fim do ano passado, Freixo chegou a defender uma frente ampla que incluísse até setores do PSDB, retirando do foco a luta contra o autoritarismo judicial em defesa da libertação de Lula: “a pauta não pode ser mais o ‘Lula Livre’. Isso não vai unificar a esquerda. Até porque a frente que tem que se construir hoje é democrática. Mais do que uma frente de esquerda. Tem um setor do PSDB, por exemplo, que se recusa a acompanhar o João Doria e não irá para o colo do Bolsonaro”. Ou seja, trata-se de uma estratégia de Frente Ampla que inclui inclusive membros do partido responsável pela privatização da Vale e outras atrocidades contra os trabalhadores.

Na recente nota publicada pelo PSOL, que sequer cita a escalada autoritária do judiciário através da prisão de Lula, um dos pontos centrais da atuação do partido será a “luta por uma Câmara dos Deputados independente” .

Uma formulação bastante semelhante está foi usada pelo próprio Rodrigo Maia que, aos olhos de partidos como o PCdoB e de Gilmar Mendes, construiria um mandato que garantiria a “autonomia” da Câmara dos Deputados, não se submetendo à totalidade da agenda de Bolsonaro. Acontece que as movimentações no Congresso, os acordos parlamentares, os privilégios, o "toma-lá-dá-cá" que dá o tom para as votações – ou seja, a estrutura e o DNA do parlamento brasileiro estão todos em função da aprovação de leis e políticas que descarreguem a crise econômica nas costas dos trabalhadores. É necessário atuar no parlamento, mas sem qualquer ilusão: trata-se de um terreno da burguesia, e que uma política de independência de classe é a regra número um para enfrentar o programa dos capitalistas.

A aliança do PSOL com PT, PSB e Rede (esperando que os apoiadores de Rodrigo Maia, o PDT de Ciro e o PCdoB de Manuela D’Ávila, também se unam) numa "frente ampla" que inclui partidos da burguesia, é uma política de conciliação de classes, que obstaculiza a necessidade de levantar uma política de independência de classe dos trabalhadores. Em verdade, sob o argumento da nova situação oriunda do governo Bolsonaro, o PSOL adotou uma política que não apresenta nenhum obstáculo à estratégia petista.

Uma “frente ampla parlamentar” com golpistas e burgueses como a que encampa o PSOL, naturalmente, exclui a mobilização real das bases nos locais de trabalho e estudo, e constitui um freio para a massificação da luta de classes contra os ataques de Bolsonaro e os golpistas. O complemento a esta “frente ampla” é a política de contenção e divisão dos trabalhadores pelas centrais sindicais, como a CUT e a CTB, para que nada saia do controle.

A adaptação do PSOL ao PT é funcional à paralisia das centrais sindicais na medida em que não questiona a sua política, não questiona a passividade promovida pela CUT e pela CTB, e acaba encobrindo “pela esquerda” a política de desorganização da classe trabalhadora.

Esta “frente ampla”, da qual o PSOL insiste em fazer parte, tem um método: a única "unidade" que ela amplia é entre os partidos da classe dominante, e não a da classe trabalhadora. Pelo contrário, ela divide o movimento operário, debilita a possibilidade de hegemonia operária sobre seus aliados, enfraquecendo a luta dos negros, das mulheres e dos LGBT, em função de atrair políticos e partidos burgueses para alianças parlamentares, preparando o caminho de 2022. Não há nada em comum entre essa política e os interesses do movimento de massas.

Um combate sério, ao contrário disso, significa unificar, em função de objetivos práticos da luta de classes, toda a classe trabalhadora e os setores populares contra o bloco unificado dos capitalistas, a extrema direita e o autoritarismo judiciário; a única política eficaz para isso é a da frente única operária para a luta de classes. A atividade no parlamento deveria ser um impulsionador da luta de classes extraparlamentar. Temos um grande exemplo desse parlamentarismo revolucionário na Argentina com a Frente de Esquerda e dos Trabalhadores (FIT), encabeçada pelo Partido dos Trabalhadores Socialistas (PTS), completamente independente de qualquer partido burguês, levantando um programa de independência de classe para que os capitalistas paguem pela crise. O PSOL dá um exemplo contrário: dilui-se numa frente com partidos burgueses que odeiam a mobilização independente dos trabalhadores.

Unificar as fileiras operárias, em aliança com o movimento estudantil, de mulheres e negros, num combate comum e coordenado contra o “bloco unificado dos capitalistas”, e através disso ampliar a influência de um programa anticapitalista e socialista que faça com que os capitalistas paguem pela crise: esses dois aspectos estão fundamentalmente combinados na política da frente única operária. E fundamentalmente ausentes na política da “frente democrática”, impotente para enfrentar seriamente Bolsonaro, o autoritarismo judiciário e a politização das Forças Armadas. Essa força vai ser capaz de impor barrar o conjunto dos ataques de Bolsonaro, como a reforma da previdência, revogar as reformas e ataques aprovadas pelo governo Temer e avançar contra o pagamento da dívida pública, que enriquece os bancos, pela reestatização da Vale sob gestão dos trabalhadores e controle popular, bem como por uma Petrobras 100% estatal sob controle dos trabalhadores.

 
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