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Martes 17 de Septiembre de 2019
18:58 hs.

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CAMPINAS
Está parado o plano de obras antienchentes que poderia reduzir mortes
Redação

Mais uma morte na última semana em Campinas decorreu das enchentes nas principais vias da cidade após chuva forte. É grande a indignação diante das tragédias que ano após ano seguem acontecendo.

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Foto: Divulgação G1 Campinas

Mais uma morte na última semana em Campinas decorreu das enchentes nas principais vias da cidade após chuva forte. É grande a indignação diante das tragédias que ano após ano seguem acontecendo. A pressão da opinião pública fez com que a prefeitura de Jonas (PSB) se pronunciasse, mas o fez somente para dizer que as obras previstas para resolução da situação não podem ser realizadas porque “falta dinheiro”. Em meio aos escândalos de corrupção com desvios milionários de verbas e aos altos lucros de empresas privadas que se beneficiam dos serviços em Campinas essa afirmação é uma afronta à vida da população, sobretudo das milhares de pessoas que não podem evitar as vias centrais na volta do trabalho e por isso estão mais suscetíveis aos riscos.

As chuvas de verão são recebidas com preocupação na cidade de Campinas, onde muitas pessoas foram vítimas de enxurradas que se formam nas mais importantes vias de acesso, como Orozimbo Maia, Princesa D’Oeste e Norte e Sul, que são próximas aos córregos e ficam completamente alagadas após alguns minutos de chuva torrencial. A última vítima fatal foi um motociclista que foi arrastado pelo corrente no alagamento da Princesa D’Oeste. Essa época do ano é palco de muitas tragédias anunciadas, aliás não só em Campinas, como mostra o brutal caso de Brumadinho. Mas diante do caráter crescente destas tragédias, já não se pode esconder e é preciso dar um basta à lógica da iniciativa privada e a sede de lucros dos grandes empresários que se apropriam do que deveria ser público para serem mais importantes que nossas vidas.

Assim como a realidade precária das barragens da grande Vale do Rio Doce e de outras empresas, como a própria CPFL e suas barragens hidrelétricas que foram avaliadas com risco médio na RMC, foi escancarada como um crime contra centenas de vidas, também temos que encarar como criminosa a falta de infraestrutura na cidade que permite mortes nas vias públicas e perdas de casas da população pobre durante as chuvas. A realidade de dor e desespero pelas perdas não pode seguir existindo, os governos são responsáveis, os grande capitalistas que enriquecem às custas das vidas dos trabalhadores e população pobre também são, e a vida humana deve ser uma prioridade.

As obras de macrodrenagem que poderiam ser um alívio na situação alarmante das chuvas do início de ano em Campinas foram avaliadas em cerca de R$ 300 milhões de acordo com um dos orçamentos divulgados pela prefeitura. A cidade possui diversas universidades, entre as quais a Unicamp, uma das referências nacionais em pesquisa e com reconhecido departamento de Arquitetura e Urbanismo, além de outras áreas, poderia oferecer um suporte fundamental à resolução do problema, a começar pela elaboração de um projeto viável e com orçamento transparente para que a população possa ter certeza dos gastos. Também a execução deveria ser colocada como uma pauta de interesse público, sendo que o dinheiro necessário para sua realização deveria ser pautado como uma prioridade, em detrimento dos acordos e projetos privatistas que entregam os serviços públicos nas mãos de empresas que somente se interessam com os rendimentos próprios, quando não vão além e desviam o dinheiro público em esquemas de corrupção, como fez a Organização Social Vitale no caso do Hospital Ouro verde, em que até o prefeito Jonas Donizette é investigado.

As contas da cidade devem ser abertas e postas à disposição da população, para que suas entidades próprias e independentes possam ser parte da análise e execução de uma saída urgente à crise das chuvas que todo ano deixa mortos. É uma afronta a prefeitura dizer que não pode fazer nada, na prática é dizer que as pessoas devem seguir morrendo. Se abrir as contas da cidade será possível ver que dinheiro tem, a começar pelos milhões desviados no Hospital Ouro Verde, os milhões desviados da SANASA e todos os subsídios dados aos grandes empresários da Transurc. É preciso que o dinheiro público seja empregado no interesse público, que estas empresas sejam 100% estatais, controladas pelos próprios trabalhadores e população usuária. Nossas vidas devem valer mais que os lucros deles.

 
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