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Miércoles 21 de Agosto de 2019
12:35 hs.

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CENTRAIS SINDICAIS
Que adianta prometer "pressionar", se na prática as centrais sindicais seguem em "paz" com Bolsonaro?
Marcello Pablito - Trabalhador do Bandejão da USP e diretor do SINTUSP
dirigente do MRT e fundador do Quilombo Vermelho

As centrais sindicais de todo o país insistem em manter os sindicatos em “marcha lenta”, deixando que a preparação necessária para enfrentar os ataques do governo Bolsonaro se adie de uma forma cada vez mais insustentável. É ainda mais inadmissível que centrais, como a CUT e a CTB, estejam propondo uma proposta “alternativa” de Reforma da Previdência, buscando acordar este ataque com o novo governo (nem falar a UGT, que quer aprovar a reforma de Bolsonaro imediatamente). Mas todas, pelas nossas costas, estabelecem acordos entre si para paralisar os sindicatos como sinal de disposição de negociação, e a mesquinha manutenção dos seus privilégios que Bolsonaro prometeu lavar junto com os próprios sindicatos.

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Dia após dia a grande mídia tem bombardeado um punhado de desinformação para que nós trabalhadores acreditemos que o maior problema econômico do país hoje são as nossas humildes (e miseráveis) aposentadorias. Isso, quando bancos e empresários devem à previdência mais de R$450 bilhões. Ainda que Bolsonaro não tenha apresentado uma proposta definitiva, não deixou dúvida de que preservará os banqueiros e milionários, e acabará com a aposentadoria dos trabalhadores: quer que trabalhemos por mais 5, 10 anos, assim os patrões poderão ter mais tempo para lucrar sobre nosso suor, e de quebra deixar que muitos jovens trabalhadores, nossos filhos e filhas, sigam desempregos ou sujeitos a empregos precários e sem perspectivas de um futuro digno. É uma reforma ainda mais agressiva que a do golpista Temer.

Somam a isso a proposta de um “regime de capitalização”, que basicamente transforma nossa previdência em uma poupança individual, podendo valer menos de um salário mínimo de aposentadoria. A maior dúvida de Bolsonaro é o quanto irá aumentar na idade mínima e se irá contestar os enormes privilégios dos militares e mexer na sua aposentadoria. Porém, mostrou em Davos que o programa econômico que ele e seu guru, Paulo Guedes, são de submissão mais cruel do país ao imperialismo, através da entrega de estatais, terras e um valor inestimável das riquezas do pré-sal, aos “investidores”.

Com a Reforma da Previdência e novos cortes na saúde e educação, prometem pagar o rombo fraudulento e ilegítimo da dívida pública, que rouba mais de R$ 1 trilhão por ano para os grandes bancos e capitalistas.

Diante disso, aqueles trabalhadores que estão acompanhando o tema da Reforma da Previdência não encontram nos seus locais de trabalho um espaço em que possam sequer discuti-la, muito menos se organizar para respondê-la. Pior que isso, alguns sindicatos lhes aparecem como aqueles que querem uma Reforma da Previdência “alternativa”, como anunciaram as centrais (como a CUT, dirigida pelo PT, e a CTB dirigida pelo PCdoB, além da Força Sindical). Nem falar da UGT, que propôs "aprovar agora mesmo a reforma de Bolsonaro", buscando ser base sindical da extrema direita. Estão atuando de maneira criminosa, pelas nossas costas, como um bando de burocratas que não pisa no seu local de trabalho há décadas e vive de privilégios.

A Força Sindical, acompanhada pela CUT e a CTB, após o fracasso da proposta de “diálogo” com Bolsonaro através de uma carta vergonhosa, tiveram que mudar o discurso pressionados pelas bases dos seus sindicatos revoltosas com a Reforma da Previdência. Passaram a falar em estratégia é de “pressão e negociação”. Porém, marcaram uma reunião que não encaminhou plano de luta algum, apenas verborragia sobre “greve geral” e a data de uma próxima reunião, que novamente deverá estar restrita a um punhado desses burocratas. Sabe para quando ficou essa reunião? 20 de fevereiro! Onde estão as assembleias nos locais de trabalho, para que os trabalhadores decidam com seus próprios métodos como preparar o combate? Essas direções burocráticas, que dirigem nossos instrumentos de luta, são a equipe dos sonhos para que Bolsonaro ganhe tempo e proponha sem qualquer indisposição a reforma da previdência mais dura, em sintonia com os monopólios reunidos no Fórum Mundial de Davos.

Ou seja, acordaram nada mais que um compromisso de mumificar os sindicatos, contribuindo para que Bolsonaro desfrute livremente a sua “lua de mel”, articulando votos para a Reforma da Previdência, entregando o pré-sal e privatizando tudo.

As direções burocráticas das centrais sindicais "pressionam" sem organizar nada, uma política consciente que permite lavarem a cara enquanto as ajustes passam - com a conivência do PT e do PCdoB no parlamento, exigindo que cruzemos os braços e esperemos sua "resistência democrática" com...Rodrigo Maia. Os trabalhadores precisamos nos organizar nos locais de trabalho para lutarmos em comum, com um só punho, independentemente das diferenças de filiação partidária ou sindical. Precisamos mostrar essa força unificada para obrigar as centrais a se moverem e usarem todo o aparato material dos sindicatos, que são mantidos por nós, para que derrubemos realmente a reforma da previdência!

Não é de hoje que viemos denunciando neste diário a postura traidora dessas centrais sindicais. Desde o golpe institucional batalhamos no no Sindicato dos trabalhadores da USP, na categoria de professores de distintos estados, e no Metrô de SP, para que a CUT e a CTB, diretamente relacionadas ao PT e a passividade instalada nos seus anos de governo, rompessem com sua paralisia e movessem os sindicatos que dirigem em todo o país para derrotar o golpe institucional. Denunciamos a desorganização que essas centrais impuseram à luta contra a Reforma Trabalhista, que após a histórica demonstração de força operária na greve geral de abril de 2017, começaram a chamar dias de luta dispersos e sem nenhuma preparação. Exigimos nessas últimas eleições que rompessem com a estratégia petista de resistência passiva perante a prisão de Lula, o veto de sua candidatura e toda a manipulação judicial, tutelada pelos militares, e que construíssem em cada local de trabalho e estudo comitês de base para barrar o avanço da extrema-direita.

Não só preferiram atuar em conformidade com a estratégia parlamentar petista, que aposta mais em uma centena de deputados do que na força das massas em ação, como passaram a aceitar o resultado eleitoral como se o processo tivesse ocorrido de forma “democrática”. Chegaram ao ponto de introjetar o golpismo da Força Sindical ao legitimar a vitória de Bolsonaro para culpar os trabalhadores de sua vitória, isentando-se de um balanço dessa estratégia adotada.

Todo esse período de traições relatado demonstra a falência dessas direções sindicais petistas, que começa a ser sentida por um setor de base. A carta propondo “paz” ao Bolsonaro caiu tremendamente mal, tanto que tiveram que “avermelhar” o discurso após o seu fracasso. Começam a surgir setores dispostos a lutar contra a Reforma da Previdência e não temos dúvida que, quando Bolsonaro apresentar seu projeto draconiano, essa vontade por uma alternativa anti-burocrática capaz de enfrentar os ataques aumentará, podendo causar fissuras na conjuntura de “lua de mel” do governo (cada vez mais abalada diante dos escândalos de corrupção envolvendo o clã bolsonarista).

Por isso que o Esquerda Diário e os militantes do MRT (Movimento Revolucionário de Trabalhadores) acreditamos na necessidade de impulsionar comitês antiburocráticos de luta contra a Reforma da Previdência, que sirvam para organizar um setor da vanguarda de trabalhadores capaz de se ligar com setores das bases dos sindicatos com uma política de exigência a que essas centrais preparam imediatamente um plano de lutas contra a Reforma da Previdência, marcando um primeiro dia de luta contra esse ataque o quanto antes e construído com assembleias em cada local de trabalho e estudo.

Mas temos consciência de que, apesar de toda a nossa dedicação em por de pé esses comitês, como queremos fazer nos locais em que temos força, será necessário superar a divisão promovida pelas burocracias sindicais e unificar na ação as fileiras da classe trabalhadora, por objetivos práticos de combate. Para isso, a CSP-Conlutas e a Intersindical, dirigidas pelo PSTU, pelo PSOL, precisam cessar sua atuação adaptada às burocracias nas reuniões de cúpula das centrais: exigir um plano de luta real às centrais majoritárias passa também por esclarecer seu papel traidor às bases. Temos de dizer a verdade, e mostrar o que nos impede de lutar em comum, propondo ações concretas e práticas para superar estes obstáculos.

E se o PSOL colocasse todos os seus parlamentares para denunciar as direções das centrais sindicais, exigir um plano de luta imediato e impulsionar a ação extra-parlamentar, que efeito isso poderia ter? A esquerda poderia construir um pólo anti-burocrático que impactasse nas bases de trabalhadores que hoje estão reféns das suas direções que atuam como freios a sua luta? Essa política de frente única para a ação, ajudando os trabalhadores a fazer uma experiência com suas direções, se opõe pelo vértice à política de "resistência democrática" meramente parlamentar do PT (à qual adere o PSOL) de unificar-se com os partidos burgueses que se indispuserem com Bolsonaro, mesmo que golpistas e favoráveis aos ajustes, para construir uma aliança eleitoral para 2022. Isso não servirá de nada, a não ser refazer o caminho que nos trouxe até o golpe institucional e Bolsonaro. Precisamos unificar as fileiras dos trabalhadores na luta de classes contra o conjunto da burguesia e seus partidos, que nos odeiam e querem os ajustes.

O MRT e o Esquerda Diário colocaremos toda nossa força como parte de preparar esta atuação unificada, junto à defesa de um programa anticapitalista que se proponha a avançar contra essa classe de parasitas que quer nos fazer pagar pela crise. É para dar essa batalha que chamamos todos os trabalhadores e jovens e militantes de esquerda que rechaçam o golpismo e a extrema direita, mas não confiam mais na estratégia do PT, a militar em comum no interior de cada local de trabalho e estudo e batalhando por isso nos sindicatos e entidades estudantis contra toda e qualquer forma de reforma da previdência e também o não pagamento da dívida pública e a estatização de todas as empresas que estão sendo vendidas, sendo colocadas para funcionar sob gestão operária e controle popular, única forma de começar a combater eficazmente os esquemas de corrupção inerentes ao capitalismo e ao vínculo das empresas privadas, dos acionistas e do governo.

 
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