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Martes 15 de Octubre de 2019
23:52 hs.

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ESPECIAL ROSA LUXEMBURGO: ÁGUIA DA REVOLUÇÃO
Rosa Luxemburgo e os povos indígenas da América
Sergio Moissen
Dirigente do MTS e professor da UNAM

Você sabia que Rosa Luxemburgo se fascinou pela história dos chamados povos “bárbaros”?

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Tradução: Lara Zaramella

Texto original do LID: clique aqui.

Rosa, “A Vermelha", foi uma das mais importantes revolucionárias do século XX. Sua história é um exemplo de luta para as gerações que hoje recuperam a bandeira pela mudança do mundo.

Luxemburgo foi uma dirigente mulher de uma minoria étnica em um país oprimido pela grande “nação russa": judia.

Fundadora do socialismo de seu país, decidiu militar na Alemanha, nas fileiras da Social-Democracia Alemã (SDS) como uma das principais especialistas dos povos chamados “orientais". Foi opositora à maioria do partido, cujo referente principal da ala a direita era Eduard Bernstein, e fundou posteriormente o Grupo Espartaco, junto a Karl Liebknecht.

Muitos são os assuntos que Luxemburgo sugere no debate marxista: a espontaneidade da luta de classes (em oposição ao gradualismo e reformismo do SDS), sobre o papel da greve geral de massas (criticando o pacifismo de seu partido alemão), sobre a violência na luta revolucionária e a crítica ao centralismo proposto por Lenin.

Criticou duramente a capitulação do SDS em 1914 quando a maioria de seu partido decidiu aprovar os créditos de guerra, no que Lenin chamou a primeira carnificina imperialista. Vislumbrou a categoria “acumulação por despojo” ou da importância da despossessão no capitalismo em sua Acumulação do capital.

Comunismo incaico?

Luxemburgo polemizou com os bolcheviques, mas sempre esteve do lado da Revolução de 1917. Sua inteligência lhe permitiu falar alemão, russo, iídiche, polonês e, em uma resenha maravilhosa, o crítico cultural John Bergernos informa que na prisão ela falava com os pássaros durante a grande guerra de 1914. Foi assassinada pela Social-Democracia depois da trágica perseguição ao Grupo Espartaco em meio a grande revolução alemã.

Rosa Luxemburgo, a grande revolucionária polonesa dirigente do Grupo Espartaco, escreveu sobre os povos indígenas da América.

Antes do escrito de José Carlos Mariátegui em Sete ensaios de interpretação da realidade peruana em defesa dos povos incas, Rosa Luxemburgo se aproximou da ideia de que na América os povos chamados “bárbaros”, sem civilização e sem “cultura" representavam valores, ideias e formas de organização social superiores aos da civilização capitalista.

Luxemburgo desenvolve tal tese em Introdução à Economia Política, um texto que foi publicado postumamente depois das anotações que escreveu para a Escola Central de formação dos quadros do Partido Social-democrata alemão, inaugurado em Berlim em 1906 e que foi ditado pela revolucionária sem fronteiras.

Como é isso? Para Rosa Luxemburgo o comunitarismo, a forma coletiva do trabalho agrário, a forma de organização estatal por congressos, a inexistência das classes, a forma de organização do homem e da natureza nos chamados povos “bárbaros”, são formas de organização “prévias ao capitalismo" e, portanto, funcionais, pontos de apoio para a revolução socialista.

Similar às reflexões sobre a comuna rural russa de Marx, que intercambiou com Vera Zasúlich e estranhamente parecido à fascinação de Walter Benjamin pela cultura mexicana, Luxemburgo se aproximou do pensamento indígena do Peru.

Michael Löwy diz que “é necessário levar em consideração que a expressão comunismo inca é encontrada no livro Introdução à Economia Política de Rosa Luxemburgo, em que fala do comunismo inca. O que quer dizer com isso? Na civilização inca, além da estrutura absolutista, o poder do inca e sua oligarquia existiam na base, nas comunidades indígenas, formas comunitárias de vida, de trabalho, com propriedade comum da terra, etc. A isso se nomeia como comunismo inca".

Nesse estudo, publicado por Kevin Anderson nos Estados Unidos, se pode ler que “as reflexões de Luxemburgo sobre as estruturas sociais comunais em uma variedade de sociedades não-ocidentais e pré-capitalistas – entre elas a Índia, o Peru inca, o povo russo e o sul da África – tudo isso está em sua incipiente Introdução à Economia Política”.

Luxemburgo em sua Introdução à Economia Política chega a conclusões similares às de José Carlos Mariátegui: o indígena na América não é um problema, como pensava o pensamento burguês e liberal. Para Luxemburgo, as formas sociais, culturais e de organização chamadas “pré-capitalistas” são pontos de apoio para a revolução socialista.

Rosa Luxemburgo: Pensamento e Ação

A Boitempo e Edições Iskra lançam uma biografia inédita de Rosa Luxemburgo em Português no centenário de seu assassinato. Obra de Paul Fröhlich, seu companheiro de militância, retrata a vida da mulher que “terá sido a maior dirigente revolucionária mulher do último século” desde a sua infância até o seu assassinato. Assim como analisa suas mais importantes obras, retratando cada uma das batalhas que deu em defesa do marxismo e do socialismo em oposição à barbárie capitalista.

Aqui no Esquerda Diário, publicaremos diariamente textos de e sobre Rosa Luxemburgo e um Dossiê Especial no dia 15 de Janeiro, centenário de sua morte.

Acompanhem no Esquerda Diário nosso Especial: “Rosa Luxemburgo, águia da revolução” e também os lançamentos da Biografia que faremos em todo o país!

Fontes:

“Não podemos voltar ao passado. Mas ficar no vazio presente como propõem os ideólogos da burguesia é insuportável”: entrevista com Michael Löwy.

Rosa Luxemburgo, Introdução à Economia Política.

 
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