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Domingo 22 de Septiembre de 2019
22:20 hs.

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GOVERNO WITZEL
Pedro Fernandes quer acabar com conquista das ocupações e recriar avaliação da rede do RJ
Nossa Classe - Educação

Em 2016, alunos da rede do estado do Rio de Janeiro realizaram uma série de ocupações nas escolas e uma de suas pautas era o fim do Sistema de Avaliação do Ensino no Rio de Janeiro (Saerj).

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Imagem: Cristina Boeckel/G1

No momento das ocupações, o secretário da educação era Wagner Victer, que foi obrigado a acatar à reivindicação devido a mobilização dos estudantes e da greve dos professores, e prometeu recriar um método de avaliação.

As críticas em relação ao Saerj por parte dos estudantes e professores era que passavam o ano inteiro se preparando para uma prova que era elaborada pela própria secretaria sem levar em consideração a realidade das condições de trabalho docente, da estrutura escolar e da realidade dos estudantes, impondo uma forma de avaliação que levava a uma manipulação da realidade de acordo com os interesses da secretaria estadual e do governo do estado.

No caso, a verba destinada as escolas estava submetida veladamente ao desempenho nesta avaliação. Ou seja, uma relação da educação produtivista para estabelecer resultados numa lógica mercadológica, além de ser uma barganha por parte da secretaria com os professores para receberem gratificações de final de ano que também estavam submetidas ao desempenho no Saerj. Isso fazendo com que muitos diretores fossem representantes diretos da secretaria de educação dentro das escolas cobrando resultados e passando por cima da liberdade de cátedra dos professores.

O novo secretário da educação Pedro Fernandes (que hoje está sem partido), nomeado pelo ultra-reacionário governador Witzel, anunciou que a secretaria elaborará um novo método de avaliação específico da rede estadual. Não se sabe ainda qual modelo será proposto por Pedro Fernandes e ao que a secretaria indica, será formada uma comissão para discutir o novo modelo de avaliação.

Desde que o Saerj parou de ser aplicado, a única forma de avaliação que a rede do estado do RJ adotou foi a prova do Sistema Nacional do Ensino Básico (Saeb), que a partir de 2017 o governo Temer passou a aplicar em todas as escolas públicas de ensino médio.

O Sindicato Estadual de Profissionais da Educação (Sepe) do Rio, diz ser contra a realização de prova e que a avaliação deve ser diagnóstica levando em consideração as condições das unidades.

Demagogia de Pedro Fernandes com os trabalhadores da educação

Pedro Fernandes no último dia 3 de janeiro, seu segundo dia a frente da Seeduc, reuniu-se com a equipe da sede e das diretorias regionais e afirmou que trabalhará em parceria com os profissionais do ensino na tomada de decisões em relação à educação. Em declaração nesta reunião disse que “ (...) É o maior desafio da minha vida e a maior responsabilidade que recebi até agora. Na minha gestão, o Pedagógico será prioridade e todos os recursos que conseguirmos serão investidos nessa área. Nossa gestão será mais próxima. Vamos empoderar a ponta e as Regionais para que tenham mais autonomia. Além disso, temos que valorizar os profissionais dedicados, que fazem a diferença”.

A meta prioritária de Fernandes será elevar os índices da educação estadual. “Queremos melhorar a Educação do Rio de Janeiro para que figure entre as melhores do Brasil. Nossos profissionais vão reverter o quadro atual do Ideb e avançar na qualidade do ensino dos alunos que são nossa prioridade”.

Apesar da demagogia dizendo que vai trabalhar em parceria com os profissionais da educação do RJ, e de ter sentado com o Sepe para debater o novo concurso público para vaga de professores, que já foi aprovado na Secretaria da Fazenda, Pedro Fernandes representa a política do ultra-reacionário Wilson Witzel na educação.

Pedro Fernandes, de maneira oportunista para ganhar um filezinho no governo do estado, apoiou a candidatura de Witzel, mesmo seu partido PDT na época, apoiando Eduardo Paes. Fernandes já é conhecido por fazer a dança da cadeira entre vários partidos e já foi secretário de ninguém menos que Cabral, Crivella e Pezão, além de ter defendido abertamente os ataques aos trabalhadores declarando que governaria com “austeridade”, se fosse eleito governador.

Debandou para o lado de Witzel, aliado de Bolsonaro, que já está preparando uma série de ataques contra os trabalhadores do estado do RJ, com cortes orçamentários e mais repressão para a juventude e moradores das favelas.

Este jovem político, que nada mais representa do que a velha política dos ricos e dos empresários que sempre quiseram descarregar a crise sobre as costas dos trabalhadores, em suas primeiras palavras à frente da Seeduc, já indica que vai manter uma política de valorização meritocrática aos “que fazem a diferença”.
Sabe-se que “a diferença”, ainda mais numa situação política em que o governo Bolsonaro em apenas dez dias já demonstrou que vai atacar ofensivamente os setores da educação no Brasil, é daqueles que concordam com a ideologia e os valores mais discriminatórios baseados na misoginia, no racismo e na lgbtfobia.

Professores e profissionais da educação devem estar na linha de frente contra Witzel e Bolsonaro

Os trabalhadores da educação podem fazer a diferença na luta contra Witzel e Bolsonaro no estado do RJ, por isso é urgente que o SEPE convoque uma assembleia extraordinária para que um plano de luta possa ser construído logo. Esperar até o dia 23 de fevereiro para realizar a assembleia ordinária, que tem como pauta apenas a campanha salarial, é dar 54 dias de vantagem para os governantes ultrarreacionários eleitos em 2018, prorrogando o imobilismo do sindicato diante de todos ataques que aconteceram no último período.

O SEPE, sendo o maior sindicato do estado do Rio de Janeiro, pode cumprir um papel importante debatendo o papel traidor já realizado nesse início de ano pelas Centrais sindicais, como a CUT e CTB, que aceitaram o golpe e agora vão rifar dos direitos dos trabalhadores, negociar a reforma da previdência e esperar 2022, para tentar minimamente manter seus privilégios de burocracia.

O SEPE precisa abandonar a inércia vigente, em que não preparou nenhuma organização na categoria e um plano de luta contra o avanço da ultra-direita para defender a educação e para que os capitalistas paguem pela crise.

 
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