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Martes 22 de Enero de 2019
11:13 hs.

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REFORMA PREVIDÊNCIA
Capitalização na Previdência: Bolsonaro quer valor da aposentadoria ainda mais miserável
Redação

Governo Bolsonaro anuncia novo modelo para previdência, a capitalização. A pessoa se aposenta com quanto poupou. Privatização e miséria para quem chegar vivo aos 65 anos é isso que querem.

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A média dos brasileiros que se aposenta por idade recebe R$1000,00, segundo reportagem da Folha. Este valor miserável é quase ¼ do valor que é calculado como o valor que deveria ser o salário mínimo segundo o DIEESE. Bolsonaro quer que os brasileiros recebam ainda menos que isso. Ele quer não somente que trabalhemos quase até morrer, mas que passemos fome. O sistema de “capitalização” que querem criar significa privatização e miséria.

Alguns países adotam esse modelo, onde o Estado garante um mínimo miserável para todos que sobrevivam até determinada idade e todo restante é fruto de uma poupança individual privatizada, entregue a bancos nacionais e imperialistas.

Qual poupança pode ter quem sofre logo cedo um acidente de trabalho, como acontece no Brasil que é o terceiro país do mundo com mais acidentes de trabalho? Que poupança pode formar um boia-fria, um peão da construção civil, uma empregada doméstica? Ou mesmo os milhões de desempregados, os outros milhões de sub-empregados e a maioria da classe trabalhadora que é todo ano demitida e quando consegue um emprego consegue algo temporário e que paga uma miséria, no país que é campeão mundial em rotatividade de trabalho?

A resposta a estas perguntas é nenhuma. Nenhuma poupança poderão montar a maioria de negros e de mulheres que compõe nossa classe trabalhadora. Aqui os efeitos deste modelo privatista e de miséria seriam ainda mais catastróficas do que no Chile.

O Chile é um dos únicos países do mundo a adotar esse modelo privatista e miserável. Lá ele foi implementado pelo ditador Pinochet, cujo programa neoliberal na economia é muito elogiado por Guedes e Bolsonaro. O ministro da economia do Brasil começou sua carreira como economista servindo a este governo assassino, criou um sistema que faz os mais pobres passarem fome, e o país recordista de suicídio de idosos. As pessoas se “aposentam” mas ganhando muito menos que o salário mínimo. E mais, imensos recursos são privatizados, favorecendo os bancos e numerosos escândalos de corrupção no sistema conhecido como “AFIP”.

Este modelo de ter direito a se aposentar mas sobreviver mais alguns anos muito abaixo da linha da pobreza é o sistema dos sonhos de Paulo Guedes e do Banco Mundial, onde Joaquim Levy, ministro da economia de Dilma e atual presidente do BNDES de Bolsonaro trabalhava. Antes da campanha os conselheiros de Bolsonaro, os irmãos Weintraub, agora agraciados com cargos, tinham declarado à Folha que para eles o valor da aposentadoria deveria ser de R$239! A OCDE, clube que reúne as maiores economias do mundo, propõe que o INSS brasileiro pague cerca de R$500.

Querem a miséria, e quem sobreviver até 65 anos que se veja obrigado a buscar algum bico ou trabalhar até morrer para tentar chegar ao miserável salário mínimo. Tudo isso para aumentar a taxa de lucro dos capitalistas, aumentar a extração de mais-valia como melhor desenvolvido aqui como forma de relocalizar a burguesia brasileira e os imperialistas aqui localizados na competição mundial.

As contradições fundamentais do capitalismo se expressam vivamente na Reforma da Previdência, “mãe de todas reformas” para a burguesia em todos países. Há cada vez mais avanços técnicos e meios de produção (máquinas, tecnologias, fábricas, terras, pessoas disponíveis para operar estas máquinas) que permitiram todos trabalharem 2 ou 4hs por dia e dedicar todo restante de suas vidas à cultura, ao esporte, à arte, ao que bem entenderem, mas para manter os lucros é preciso que todos trabalhem cada vez mais a cada dia e cada vez por mais anos.

Esse é o Brasil do futuro de Bolsonaro e que é comemorado pela Bolsa de Valores com recordes sucessivos. Os trabalhadores brasileiros ficarão mais miseráveis e a burguesia ainda mais rica. É isto que significa a reforma da Previdência e especialmente a “capitalização” e os recursos que ela entrega para os bancos administrarem.

É isso que está por trás do anúncio por Paulo Guedes e Onyx da proposta detalhada de reforma da Previdência de Bolsonaro. Como já noticiamos, o governo Bolsonaro com a ajuda da mídia tenta confundir sobre sua proposta e enganar que ela seria mais leve que a de Temer, mas é pura mentira trata-se de uma reforma escravagista. Esta reforma teria diversas partes, uma dela seria feita por decreto nos próximos dias e significará um corte no que recebem os mais pobres do país, atacando os trabalhadores rurais e aqueles que recebem o BPC, outra parte inclui roubar 9 anos da vida dos trabalhadores brasileiros para entregar aos capitalistas e agora esta capitalização que significa miséria por um lado e privatização por outro.

É preciso derrotar essa proposta escravista. É preciso erguer a resistência da classe trabalhadora exigindo das centrais sindicais que abandonem seu traidor silêncio perante esse imenso ataque aos direitos dos trabalhadores, organizarmos em cada local de trabalho e estudo esta exigência para que se organize um urgente plano de luta para derrotar essa reforma e todos ataques de Bolsonaro, dos golpistas e do judiciário.

Nós do MRT faremos parte de qualquer medida unificada contra a reforma draconiana que querem implementar os capitalistas, apresentando nessa frente única dos trabalhadores nossa perspectiva também de batalhar por uma saída para que os capitalistas paguem pela crise, que deve desenvolva, junto ao rechaço urgente à reforma da previdência e às demais retiradas de direitos econômicos e políticos, pontos programáticos que ataquem a espoliação imperialista e os lucros capitalistas. Além disso, é preciso atacar o reacionarismo contra a população LGBT, mulheres, negras e negros e indígenas, lutando pela demarcação das terras quilombolas e dos povos originários, igualdade salarial entre negras, negros, brancas e brancos, homens e mulheres, trans e cis. Precisamos nos organizar desde cada local de trabalho e estudo, impondo aos sindicatos e centrais sindicais um plano de luta e batalhando para recuperar os sindicatos e centros acadêmicos para a luta de classes. E lutar juntos para derrotar a reforma da previdência, a reforma trabalhista e todos os ataques já anunciados pelo novo governo.

 
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