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Miércoles 23 de Mayo de 2018
00:16 hs.

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DITADURA MILITAR
’Queremos reparação, não homenagens’, diz operário torturado em fábrica da VW na ditadura
Redação
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A Volkswagen apresentou (14) relatório no qual reconhece ter colaborado com a ditadura militar, como divulgamos aqui. Ex-funcionários da montadora manifestaram-se na fábrica de São Bernardo do Campo (SP), entre eles, o ex-ferramenteiro Lúcio Bellentani, 72.

Ex-militante do Partido Comunista Brasileiro (PCB), Lúcio trabalhou na mesma fábrica até 1972, quando foi preso por agentes do Departamento de Ordem Política e Social (DOPS), ajudados por seguranças patrimoniais da montadora, em plena linha de produção, e, em seguida, torturado dentro da fábrica, com a conivência do então chefe do Departamento de Segurança Industrial, o militar reformado Adhemar Rudge. Lúcio ficou preso por um ano e meio, durante os quais levou choques, teve dentes arrancados com alicate e sofreu outros tipos de tortura.

Veja, abaixo, trechos da entrevista que Lúcio concedeu ao jornal O Estado de São Paulo:

Qual sua avaliação sobre o relatório?

É ridículo. Não traz nenhuma prova concreta do que a Volkswagen fez, ao contrário dos documentos já disponíveis no Ministério Público. O professor Christopher Kopper tem muita credibilidade, mas acho que a empresa não abriu todo seu arquivo a ele.

O presidente da Volkswagen, Pablo Di Si, disse que lamenta muito o que ocorreu, mas que, segundo o próprio relatório, não houve uma cooperação institucionalizada na repressão.

É um cinismo por parte dele. O MP tem mais de 500 documentos com provas de violações ocorridas dentro da empresa que eram de conhecimento da direção.

O que acha da placa inaugurada hoje? [ontem, 14]

Não estamos atrás de placas ou homenagens. Queremos que a empresa se apresente ao MP – o que não fez até agora – e inicie um processo de negociação para evitar a judicialização do processo.

O que o grupo reivindica?

Queremos que a empresa venha à publico dizer que errou e faça uma reparação coletiva. Pode ser um memorial, um museu para que os jovens conheçam a verdadeira história da ditadura no País. Também pedimos indenização coletiva. Alguns ex-funcionários que nunca mais conseguiram empregos por terem os nomes em uma “lista negra” passaram e passam por muitas dificuldades.

A empresa diz que, no momento, não pensa em indenização.

Se houver a judicialização do processo, quem decidirá isso será a Justiça.

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Conteúdo Agência Estado

FOTO Lucas Lacaz Ruiz /A13/Folhapress

 
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