www.esquerdadiario.com.br / Veja online / Newsletter
Esquerda Diário
Esquerda Diário

Sábado 8 de Agosto de 2020
17:42 hs.

Twitter Faceboock
MOVIMENTO SINDICAL
Direção da CUT fala de direitos, mas está com Dilma contra os trabalhadores
Marília Rocha
São Paulo
Chico Pontes
Ver online

Cada passo, cada declaração, cada mobilização que a CUT participou nesse ano foi calculada de forma muito bem pensada: aparecer em alguma medida contra os ataques, desde que isso não significasse se enfrentar com o governo Dilma. Ou seja: tentar transformar os projetos de Cunha e os ajustes econômicos dirigidos pelo ministro Levy em interesses separados do governo federal que Dilma dirige e que ambos integram.

Enquanto isso, Lula, consciente que o barco do governo pode afundar, usa sua esperteza política para tentar se separar de sua sucessora, deixando organizado um bote salva-vidas, se necessário. Saiu nos últimos meses falando em Frente de Esquerda, “Grupo Brasil”, ao lado das direções da CUT , UNE e do MST. O objetivo é claro: barrar qualquer processo de reorganização e ruptura dos trabalhadores à esquerda do PT, tentando fazer com que o partido pague o menos possível pela crise do governo Dilma. Com a teoria de um suposto “golpismo”, tentam fechar a possibilidade de que exista uma real alternativa à esquerda para os trabalhadores e a juventude frente à falência desse projeto. Tentam impedir que os sindicatos classistas e o ativismo anti-governista deem expressão e se misturem com o profundo descontentamento que existe hoje entre os trabalhadores.

As direções sindicais da CUT não irão lutar até o final por nossos direitos

É por isso que a CUT se colocou contra o PL 4330, mas na prática, nos atos de rua, silenciava sobre as MPs de Dilma e propunha “regulamentar” a terceirização. Pactuaram junto com a Força Sindical o “Plano de Proteção ao Emprego (PPE)”, que a única coisa que protege é o lucro das grandes empresas. Se colocam contra o projeto privatista que entrega ainda mais a Petrobrás para o imperialismo de José Serra, mas silenciam sobre o projeto de reestruturação que o próprio governo faz da Petrobrás, aprofundando o processo de concessão e entrega de nosso petróleo ao capital imperialista com grandes ataques.

Escondem por trás do argumento de “golpismo da mídia”, ou de “corrupção estrutural do país”, todo o grande esquema, montado e dirigido pelo PT, com as grandes construtoras. O cinismo de alguns é tamanho, como o de Rodrigo Rodrigues, secretário de formação da CUT-DF, que para ele os grandes empresários da Camargo Correa e da Odebrecht, são “os agentes políticos e empresariais que se atreveram a propor e realizar um projeto de desenvolvimento com inclusão social e distribuição de renda arraigado nos mais legítimos anseios da nação brasileira”. Um tipo distinto de “distribuição de renda”.

Os trabalhadores descontentes com Dilma, mas que sabem que é necessário uma alternativa de esquerda ao petismo, até o momento não encontraram um caminho firme e decidido. Desde as grandes manifestações de rua, capitaneadas pela oposição de direita, se faz urgente o surgimento de uma terceira via, à esquerda, articulada entre os sindicatos anti-governistas e movimentos sociais que seguem na luta independente, entidades estudantis combativas e partidos de esquerda. É urgente que a CSP-Conlutas, o MTST, as Intersindicais, o MPL, a ANEL, a Oposição de Esquerda da UNE encabecem esse processo.

Os setores anti-governistas precisam se dirigir às bases da CUT e de todas as centrais, começando pela CUT e Força Sindical que se alinham ao governo e à oposição de direita, exigindo de suas direções um plano de luta efetivo pra enfrentar os ajustes. É necessário que os trabalhadores se organizem e se unifiquem através de assembleias e plenária regionais com delegados eleitos pela base para lutar por um programa operário de saída da a crise. É necessário lutar contra qualquer demissão, reivindicar a redução das horas de trabalho sem redução salarial e exigir a abertura dos livros de contabilidade das empresas que querem demitir ou flexibilizar direitos para que ela provem se realmente não têm dinheiro para pagar os trabalhadores. Além disso, é necessário ter um programa claro para defender os trabalhadores terceirizados, lutando contra o PL 4330 e pela efetivação dos terceirizados com os mesmos salários e direitos que os efetivos.

É necessário uma alternativa à esquerda da CUT, CTB, Força Sindical e demais centrais governistas. A raiva dos trabalhadores precisa encontrar eco, ganhar os locais de trabalho e as ruas. Contra o SIM da austeridade do governo Dilma, apoiado pela burocracia dos sindicatos, temos que dizer, em alto e bom som, que NÃO iremos aceitar e a resistência será organizada. Contra Dilma e a oposição de direita, é necessário construir essa alternativa pelo futuro dos trabalhadores desse país.

 
Izquierda Diario
Redes sociais
/ esquerdadiario
@EsquerdaDiario
[email protected]
www.esquerdadiario.com.br / Avisos e notícias em seu e-mail clique aqui