Sociedade

Grande esquema de Corrupção no Hospital Ouro Verde em Campinas

Organização Social Vitale, a empresa administradora do Hospital Ouro Verde e Prefeitura de Campinas estão envolvidas em esquema milionário de corrupção e desvio de verbas da saúde.

quinta-feira 30 de novembro| Edição do dia

Foto: Prefeitura de Campinas/Rodrigo Capela.

Começou hoje em Campinas o cumprimento de uma série de mandados de buscas, apreensões e prisões, como parte da 1ª fase da operação Hautório do Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado), do Ministério Público.

A ‘Organização Social Vitale’, entidade responsável pela gestão do Hospital Ouro Verde e que não deveria ter qualquer fim lucrativo, é acusada pelo envolvimento com um grupo criminoso responsável desvio sistemático de verbas da saúde e de utilizar vantagem patrimonial indevida, relacionados também a própria Prefeitura de Jonas Donizetti (PSB), que também está sendo alvo de buscas e apreensões hoje.
Em todas as áreas de Licitações e da Saúde de Campinas hoje estão sendo realizados o cumprimento dos mandados de busca e apreensão, que somam 33 ao todo; além de 6 prisões que estão sendo realizadas nas residências de administradores da Vitale em várias cidades do Estado.

Alguns mandados de busca, apreensão e prisão foram cumpridos em três casas do condomínio Alphaville. Somente na casa de Fernando Vitor Torres Nogueira Franco, médico e ex-diretor técnico da Vitale - segundo seu advogado, foram apreendidos dois carros de luxo, uma Ferrari e uma BMW, além de vários documentos. Na casa de um funcionário público de carreira, Anésio Corat Júnior, o Diretor do Dep. de Contas da Secretaria de Saúde de Campinas, foram apreendidos R$1,2 milhão em espécie. Além destes, foi presa também, em Bariri, a sócia presidente e administradora da Vitale, Aparecida de Fátima Bertoncello.

Foto: Divulgação Gaeco/MPSP – dinheiro e documentos encontrados durante busca em residência no condomínio Alphaville.

A “crise” do Hospital Ouro Verde

Conforme noticiamos aqui, o Hospital Ouro Verde, um dos maiores da cidade e responsável pelo atendimento de mais 18.000 mil pacientes por mês, somente no pronto socorro, é administrado pela Vitale desde abril de 2016, quando foi assinado um contrato avaliado em R$645 milhões que previa por cinco anos a prestação de serviços à Prefeitura, com um repasse mensal de R$10,75 milhões em verbas para manutenção do hospital e pagamento dos funcionários. Entretanto os funcionários e a população vem há muito denunciando o descaso no atendimento, a falta de estrutura e de materiais básicos, como gaze, luvas e seringas e essa “crise de gestão” que se aprofundou nesse último ano, levou inclusive a uma greve dos funcionários durante 8 dias em outubro deste ano, exigindo o pagamento dos salários atrasados, do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço que não vinha sendo depositado, das férias e pagamentos dos direitos trabalhistas de funcionários demitidos que também estava atrasado.

Tudo isso vem acontecendo debaixo dos olhos do Prefeito da cidade, Jonas Donizetti que ao passar a administração do hospital a uma Organização Social (OS), nada mais faz que do privatizar sua administração de forma velada, o mito da administração “sem fins lucrativos” com que a Vitale deveria gerir o hospital mostra sua inconsistência e fragilidade, e de exemplos como esse existem muitos outros.

Empresas como a Vitale e prefeitos como Jonas são os verdadeiros responsáveis pelas mortes diárias em hospitais públicos!

O descaso da prefeitura de Jonas com a administração dos equipamentos públicos entregues às O.S.s e a tantos empresários tem como reflexo o sucateamento e a precarização da vida de serviços essenciais a vida de milhares de trabalhadores e da população, além dos funcionários que fazem funcionar esses equipamentos, enquanto os “gestores” enriquecem às custas do dinheiro público, como mostra o exemplo da Vitale.

Mais do que denunciar esse absurdo e não lavar em nada a cara de Jonas Donizetti que também é responsável por isso, é mais que necessário o confisco imediato de todos os bens da Vitale e assim como da quadrilha envolvida no desvio, assim como a estatização do Hospital Ouro Verde, sendo gerenciado sob controle dos seus trabalhadores e da população que utiliza, pois os empresários e políticos que privatizam só estão interessados em seus próprios lucros e para eles nada valem nossas vidas.




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