Política

POLÊMICA

Zé Maria declara que o PSTU se absteria na votação do impeachment

Para alguns a declaração de Zé Maria, em polêmica com os parlamentares do PSOL que corretamente vão votar contra o impeachment, de que se absteriam na votação do impeachment (se tivessem deputados), foi uma surpresa.

Marcelo Tupinambá

São Paulo

quarta-feira 13 de abril de 2016| Edição do dia

Houve militantes e simpatizantes do PSTU pelo país, em debates de Facebook e em assembleias onde se debateu essa questão, que diziam que o PSTU era contra o impeachment, frente a pressão cada vez maior de trabalhadores e jovens que criticam o quão de direita é essa política de não rechaçar esse golpe institucional reacionário. Para citar um exemplo, Altino Prazeres, presidente do Sindicato dos Metroviários de SP, fez isso no debate no metrô, apesar de terem se negado a votar separadamente o posicionamento sobre o impeachment. Zé Maria chegou a aparecer na Folha de SP como “contra o impeachment”, mas para um leitor atento, ali se mantinha na mesma posição de dizer que “não era solução” ou “não era suficiente”, que foram as únicas formulações que a direção nacional do PSTU aceitou.

Ex-militantes e mesmo simpatizantes do PSTU escreveram vários comentários perguntando a Zé Maria e a direção nacional do partido se não enxergam como essa política – cuja ambigüidade sobre o impeachment o liga claramente com a direita como a Folha de S. Paulo, a FIESP, Renan Calheiros e as manobras reacionárias do Judiciário – é responsável pela saída recente de toda uma camada de militantes.

O PSTU não surpreende e segue firme na política de capitular ao golpismo institucional

Nunca tivemos ilusão de encontrar alguma lucidez na política errática do PSTU. Trata-se apenas do corolário natural de uma política que tem seu eixo em se ligar aos que querem derrubar o governo Dilma pela direita. Para eles, não importa que seja pelas mãos de um punhado de deputados totalmente degenerados liderados por Eduardo Cunha e baseado num movimento que na sociedade tem hegemonia da classe média “coxinha”. Basta ver que o PSTU chamou as manifestações da direita de 13/3 de “contraditórias” e não reacionárias (ou mesmo de “grandes mobilizações de massas contra o governo Dilma”, em nota da LIT (Leia aqui) e que a tarefa da esquerda seria “disputar” esse setor social.

Mais uma prova cabal de que o “Fora Todos” é uma verborragia que tenta mascarar pela esquerda uma política que só fortalece o único movimento real que existe, que é Fora Dilma (e Lula), liderado por Sérgio Moro, a Globo e parte da nata da direita reacionária do país e outros golpes institucionais.

Uma política com raízes profundas

Não é novidade porque o PSTU já fez o mesmo ao se ligar à direita na Venezuela que queria derrubar Chávez, aos gusanos e as “damas de branco” em Cuba, e já defendeu uma frente única com a OTAN contra Kadafi na Líbia. Para o PSTU, qualquer queda de governo, não importando o programa, os métodos e a direção, favorece o movimento de massas. Em 2005, frente ao mensalão, a política do PSTU foi a mesma, só não chegou até o fim porque a situação não se desenvolveu como agora.

Essa posição tem raízes teóricas profundas, como debatemos aqui, tanto que outras correntes do PSOL, que vem dessa mesma tradição teórica da corrente de Nahuel Moreno da Argentina, são os únicos que acompanham o PSTU na sua política de “Fora Todos” (cada um com seus matizes), no caso a corrente de Luciana Genro do PSOL, o MES, e a corrente do vereador Babá do Rio de Janeiro, a CST.

O PSTU, em seu desespero, dizia que todos que estão contra o impeachment são governistas e agora estão no “bloco burguês”

Cada vez mais isolados e atacados por sua política, o PSTU tenta se sustentar bradando o grito de “governistas” para todos que são contra o impeachment, e na nota do Zé Maria dizem que estão no “bloco burguês”. Estão pelo “Fica Dilma”, dizem. Enquanto eles estariam “com as massas” que estão contra o governo do PT. Para o PSTU, as manifestações verde e amarelo são “contraditórias”, mas as organizadas pelo governismo não. Em meio a este intento desesperado, o PSTU deve estar buscando alguma citação que seja para “provar” que o MRT é “governista”. Morrerão tentando.

Felizmente o mundo não é como o PSTU quer ver e muitos trabalhadores e jovens pelo país estão contra o impeachment porque tem a lucidez do que significa e, ao mesmo tempo, são críticos ao governo do PT. A ruptura com o PT precisa ser guiada por um programa anticapitalista e socialista. Assim, a tarefa que qualquer um que se reivindica revolucionário deveria se dar é a de impedir que estes setores sejam capitalizados pelo governismo e que nós viemos denunciando que se derrota o impeachment, vai seguir implementando ataques (mesmo que venha com mais demagogia).

Por uma política independente da direita do impeachment, mas também contra os ataques do governo do PT

Somente poderá surgir uma mobilização independente dos trabalhadores para dar uma resposta à crise a partir de uma forte exigência a que as centrais sindicais e as direções do movimento de massas rompam sua subordinação ao governo, e impulsionem um plano de luta (que vá além dos atos controlados de agora) contra o impeachment, os ataques do governo do PT (e de todos os governos) e as demissões, que coloque em movimento trabalhadores e jovens a partir dos locais de trabalho e estudo.

Ao mesmo tempo, não compusemos os atos dos dias 18 e 31 de março, alertando que são uma manobra para apoiar um futuro governo Dilma-Lula.

É com essa política que nós do MRT, nos locais de trabalho e estudo, conjuntamente com a Faísca - Juventude Anticapitalista e Revolucionária e com o Esquerda Diário, estamos ampliando cada vez mais um auditório e fortalecendo verdadeiras alternativas que se apresentem aos que tem clareza da necessidade de barrar os golpes institucionais mas que já não encontram ou não encontrarão no PT uma ferramenta para isso e para avançar na luta contra os ataques do governo do PT e de todos os governos.

Um movimento como esse poderia ser a base para impor uma Assembleia Constituinte Livre e Soberana imposta pela força da mobilização, como parte da luta por um governo dos trabalhadores.




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