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Call Center | Zanc Porto Alegre atrasa pagamentos, não paga férias e deixa trabalhadores a própria sorte

O Esquerda Diário recebeu denúncias de trabalhadores da empresa de teleatendimento e cobrança Zanc, em Porto Alegre, do atraso de pagamentos de salários e benefícios como Vale Alimentação e Vale Transporte. Além de estarem há 2 anos sem reajuste salarial.

quarta-feira 22 de junho | Edição do dia

A empresa Zanc Assessoria de Cobrança e Teleatendimento é uma das grandes empresas de Call Center do país, com várias filiais em alguns estados, prestando serviços para grandes bancos como o Itaú e Bradesco, e que ao longo dos últimos anos obteve lucros exorbitantes. Mas como é de praxe em meio a uma crise econômica na qual viemos passando com alta da inflação, desemprego e todos os impactos agudizados com a pandemia, a empresa vem descarregando os efeitos da crise em cima das costas dos trabalhadores.

Em denúncias enviadas ao Esquerda Diário, a empresa vem atrasando o pagamento dos salários desde o final do ano passado. Ao longo do primeiro semestre do ano, os atrasos começaram a ser mais constantes e a demorar cada vez mais para serem pagos. Além do salário, o pagamento dos benefícios como Vale Refeição (VR) e Vale Transporte (VT) também passaram a ter atrasos, além de serem pagos de forma fragmentada, depositando em um dia 3 dias referente a VR, em outro 2 dias, em outro 5, e assim por diante. As coisas se agudizaram mais neste último mês de julho onde a empresa simplesmente ficou dias sem pagar o VR. Segundo os relatos dos trabalhadores, em 20 dias já passados do mês a empresa tinha pago somente o valor referente a 4 dias. O VR dos trabalhadores impacta diretamente seus bolsos, já que devido aos salários ultra baixos (não chegando nem a um salário mínimo) o benefício do Vale Alimentação compensa sendo mais de 400 reais ao mês.

Mas para além desses atrasos, os trabalhadores denunciam o arrocho salarial que estão sofrendo. Como já falamos o salário não chega nem a ser o mínimo, e a empresa não reajusta há 2 anos o valor dele. Sendo que o acordo coletivo já foi votado e aprovado pelos trabalhadores no mês de março, começando a receber o reajuste no mês de maio. Mas desde então o salário segue o mesmo. Segundo o sindicato, a empresa tem segurado assinar o documento do acordo coletivo para que o salário será reajustado. E não seria apenas aumentar o valor, mas também pagar o valor retroativo já que o acordo é referente ao ano de 2021. Chega a ser muito absurdo isso, em meio a alta dos preços dos alimentos, das contas como gás, luz e aluguel, esses trabalhadores terceirizados tem seu salário cada vez mais arrochado e defasado.

Para aumentar ainda todas as negligências que a empresa vem tendo com os trabalhadores, ela também vem atrasando o depósito de pagamento do FGTS, com alguns funcionários tendo recebido seu último depósito em 2021, e alguns não tendo o saldo que deveriam ter para receber o adiantamento do FGTS liberado pelo o governo esse ano. Alo extremamente revoltante e que gera muita indignação dos trabalhadores. Outros relatos mostram que alguns funcionários que saíram de férias não receberam o pagamento das férias, mesmo tendo assinado o aviso de férias. Não apenas o pagamento de ⅓ do salário, mas o valor referente ao salário que o trabalhador passaria nas férias também não foi pago. Algo ainda mais absurdo deixando o trabalhador totalmente liso para pagar as contas e pôr comida na mesa.

A maioria dos relatos são dos trabalhadores que prestam serviços ao banco Itaú. Este mesmo banco que deve bilhões para a previdência, que comemora recorde de lucros enquanto milhões penavam no desemprego. Além de ganhar inúmeras isenções e bilhões que o governo Bolsonaro injetou no Itaú, e em outros grandes bancos para salvar os seus lucros.

Esse é o efeito da terceirização: trabalho precários, com salários baixíssimos, e total descaso e negligência dessas empresas que deixam o trabalhador amargando enquanto a fome e a miséria vão batendo cada vez mais na sua porta em meio a toda essa crise capitalista.




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