DESMONTE NA SAÚDE

Zago fecha Pronto Socorro Infantil do Hospital Universitario da USP

No último dia 20, o Pronto Socorro Infantil restringiu seu atendimento ao período das 7h às 19h. Após esse período, não serão abertas novas fichas e serão atendidos apenas casos de emergência.

Babi Dellatorre

Diretora do SINTUSP

quarta-feira 27 de abril de 2016| Edição do dia

Foto: Tatiana Santiago/G1

Toda mãe sabe que é a noite que as crianças doentes pioram e precisam ir para o hospital. E mais uma vez Zago mostra seu total descaso com a vida das mulheres.

Desta vez impõe, através de sua política de desmonte do HU, o fechamento do Pronto Socorro Infantil restringindo o atendimento às crianças das 7h às 19h.
Essa medida extrema é fruto da política da gestão do reitor Zago, que desde 2014 aplicou um dos mais profundos desmontes da universidade pública. Zago suspendeu a contratação e implementou um Plano de Demissão Voluntária. No HU, saíram 213 trabalhadores no PDV e dezenas de outros, entre médicos, enfermeiros, anestesistas e administrativos, pediram demissão por causa das péssimas condições de trabalho.

Foram fechados leitos na UTI semi-intensiva, na UTI Pediátrica, na Maternidade, Clínicas Cirúrgica e Médica o que gerou um represamento de pacientes no Pronto Socorro. As macas se acumulam lado a lado, sem respeitar a distância mínima de segurança. Os trabalhadores da enfermagem não conseguem dar o atendimento com a atenção e cuidado que sempre caracterizou o hospital. Tampouco conseguem dar atenção aos alunos que nas residências. Nessa situação de estresse, os trabalhadores adoecem física e emocionalmente. Esta situação também coloca em risco a vida de pacientes que acabam sendo expostos a doenças infecto-contagiosas e erros nos procedimentos.

A crise do HU mergulha na crise da saúde no país, que se agrava com as políticas dos governos federal, municipal e estadual de corte de verbas, precarização e privatização acelerada. As unidades de atendimento primário da Zona Oeste, onde está o HU, passa pelo processo de troca da Organização Social de Saúde (OSS – entidade privada) que atualmente faz a gestão a Fundação Faculdade de Medicina, para a Associação Paulista para o Desenvolvimento da Medicina (SPDM). Isso está gerando demissões, mas também resistência. E a população usuária não tem pra onde correr, pois as OSS são a porta de entrada dos convênios privados, precarizando ainda mais o atendimento ao público, privilegiando quem pode pagar em detrimento da população cada vez mais carente de saúde pública de qualidade.

Enquanto isso, o diretor da Faculdade de Medicina da USP, Prof. José Otávio Costa Auler Junior, busca convencer os estudantes de medicina que a desvinculação do HU é a única solução possível e apresenta a gestão e contratação de funcionários pelas OSS como luz no fim do túnel.

O que nem Auler, nem Zago respondem é de onde virá o dinheiro para financiar o hospital. Para isso não tem mágica: é preciso mais verba para saúde e educação. É preciso se contrapor à resposta que estes senhores querem dar para a crise, pois a alternativa que eles nos apresentam é precarização das condições de trabalho, estudo e atendimento e privatização do sistema de saúde.

Os ataques à saúde na USP correspondem aos ataques feitos nacionalmente ao projeto de saúde pública, gratuita e universal garantida pelo Estado, que hoje conhecemos pelo SUS. Na linha de desses ataques estão os setores mais reacionários que se expressaram, reivindicando a ditadura militar e seus torturadores, na votação do impeachment. Cunha e o PMDB financiaram sua campanha eleitoral com dinheiro de planos privados. Dilma e o PT, que vieram abrindo espaço a esses setores, também abriu espaço à privatização pelas mãos imperialistas com a aprovação da Lei 13.097, em 2015, que permite a participação do capital estrangeiro no financiamento da saúde.

Para barrar o golpe institucional da direita e os ajustes dos governos é necessário construir uma forte mobilização contra o desmonte do HU e da USP que arranque a contratação imediata, mais verbas para a saúde e educação. Um plano de lutas que some a força dos trabalhadores, estudantes em aliança com a população. Por isso estamos convocando todos à comporem um bloco no 1º de maio para expressar essa política e as lutas em curso e que seja a preparação, na USP, de uma forte paralisação no dia 05 de maio começa pelo nosso local de trabalho e estudo.




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