Mundo Operário

#YoNoPuedoQuedarmeEnCasa, a realidade de milhões de trabalhadores e trabalhadoras frente ao coronavírus

Ontem foi o primeiro dia de trabalho sob o Estado de Emergência no Estado Espanhol, e a hipócrita medida de confinamento anunciada pelo Executivo de Sánchez se desfaz no ar quando encosta na proteção dos lucros capitalistas. Usuários do transporte, trabalhadoras e trabalhadores e fábricas inteiras reagem com denúncias e paralisações.

terça-feira 17 de março| Edição do dia

Publicamos aqui tradução de artigo do La Izquierda Diario do Estado Espanhol, onde trabalhadoras e trabalhadores utilizaram a hashtag #YoNoPuedoQuedarmeEnCasa para expressar sua indignação das redes sociais, traduzido significa "Eu não posso ficar em casa".

Era questão de tempo para que as medidas de confinamento promulgadas pelo governo no último sábado se transformassem em papel molhado. O que faltava precisamente era que tocasse o alarme de milhões de trabalhadores e trabalhadoras para irem ao trabalho.

Nesta segunda-feira a realidade de milhões de trabalhadores e trabalhadoras não foi diferente da de outra segunda-feira normal. Sair na rua, pegar um transporte público abarrotado e ir trabalhar. Só que desta vez em meio a uma pandemia que duplica dia após dia o número de contagiados e mortos.

As manifestações frente a esta contradição não tardou em chegar. Ninguém entende como se pode estar frente a uma situação de emergência, com o contágio e os focos do coronavírus longe de estarem controlados, e que se siga permitindo que milhões tenham que ir trabalhar em empresas que não são de primeira necessidade. A verdadeira razão que se esconde atrás desta incongruência é o objetivo de preservar a todo custo os lucros dos capitalistas. Todo mundo nas suas casas! A não ser para trabalhar…

O contraste de ruas militarizadas onde as pessoas são multadas por estarem andando, com milhões se deslocando ao trabalho, demonstra que estamos frente a um Estado de Emergência idealizado a partir do respeito e da preservação dos benefícios capitalistas e o reforço dos mecanismos repressivos.

Desde a primeira hora da manhã as redes sociais tem estado em ebulição com imagens e denúncias de usuários que se viam obrigados a dividir o transporte público rodeados de pessoas, formando aglomerações e aumentando exponencialmente o risco de contágio, e portanto, de ser um transmissor potencial do vírus.

Denúncias que podiam ser vistas tanto no metrô Barcelona como na rede de proximidades de Madrid, epicentro do contágio no Estado Espanhol.

Não chegou somente a denúncia dos usuários e usuárias de transporte público por serem obrigados a esta exposição. Os trabalhadores da fábrica da Mercedes em Vitoria bloquearam a linha de produção.

Uma fábrica na qual se encontram 5000 trabalhadores, estes decidiram paralisar a produção para exigir da empresa que lhes permitam ficar em casa, algo que naquele momento a patronal, movida pela ganância, não está permitindo.

Teremos que ver como avança e quais repercussões tem a paralisação dos trabalhadores e trabalhadoras da Mercedes em Vitoria, já que os efeitos em outras fábricas pode ser imediato.

Que a crise seja paga pelos capitalistas

As tentativas do governo e da patronal, com a cumplicidade das direções sindicais da CCOO e da UGT, acontecem para que a crise do coronavírus seja paga pela classe trabalhadora, como já acontece com a crise de 2008.

Frente a estas medidas que buscam sobretudo preservar os lucros dos grandes capitalistas acima de nossas vidas, é necessário levantar outro plano de choque que coloque no epicentro os milhões de trabalhadores e trabalhadoras que vamos sofrer o impacto. Por isso exigimos:

  • Proibição das demissões e dos ERTEs, licença paga a todos os trabalhadores dos setores não essenciais, financiadas por meio de impostos especiais aos lucros empresariais e às grandes fortunas, além de uma moratória de alugueis, hipotecas e insumos básicos.
  • Colocar sob controle de seus trabalhadores hospitalares e empresas que tenham que seguir funcionando para atender à crise. Plenos poderes para organizar turnos, medidas de segurança e novas contratações. Plenos direitos trabalhistas e sindicais. Utilização de todos os recursos da Saúde privada e empresas necessárias para a crise, sem retribuição econômica
  • Informação pública da evolução da crise, elaborada por comitês independentes do governo formados por especialistas, sindicatos da saúde e associações de defesa da saúde pública.
  • Basta de militarização das nossas ruas
  • Que a coordenação diante da crise não sirva de desculpa para a anulação de competências regionais autônomas.



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