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Xenofobia extrema: Trump suspenderá a imigração em meio à pandemia

Trump twittou na noite de segunda-feira que aprovará decreto para suspender a imigração nos Estados Unidos. Em uma escalada de política xenófoba e nacionalista sem precedentes de Trump contra os imigrantes.

terça-feira 21 de abril| Edição do dia

Como é usual para o presidente estadounidense, Trump utilizou novamente o Twitter para anunciar que quer suspender temporalmente a imigração aos Estados Unidos, fazendo referência à pandemia do Coronavírus.

Em seu tweet sinaliza “Frente ao ataque do Inimigo Invisível, além da necessidade de proteger os empregos dos nossos grandiosos cidadãos estadunidenses, assinarei uma ordem executiva para suspender temporalmente a imigração aos Estados Unidos”.

Os argumentos de Trump para "defender" os empregos em meio à pandemia são absolutamente falsos e correspondem mais a um discurso de campanha para reforçar sua base social do que com causas reais.

A crise do desemprego não tem nada a ver com os imigrantes: trata-se da pandemia à qual a administração de Trump se negou a dar respostas desde o primeiro momento, e uma quarentena tardia que agora busca terminar por todos os meios, mobilizando seus seguidores fanáticos, que participam de manifestações armados de metralhadoras em várias cidades do país.

O fato de que Donald Trump argumente que está ocupado com “proteger” qualquer coisa que não sejam os lucros capitalistas é ridículo. Enquanto a economia esteja protegida, ele está disposto a deixar os trabalhadores que fazem parte da primeira linha morrerem realizando tarefas não essenciais ou não (como os restaurantes de comida rápida obrigados a trabalhar sem segurança), e inclusive aos cidadãos estadounidenses sobre os quais diz se preocupar.

Independentemente desta política anti imigratória por fim entrar em vigência ou não, fechar as fronteiras não tem nada a ver com a proteção do emprego. É um osso jogado aos setores mais reacionários da base de Trump em meio à queda dos seus índices de aprovação. Trump está falando diretamente com estes manifestantes, muitos dos quais agitam bandeiras confederadas e gritam slogans racistas nas manifestações que realizam pedindo aos governadores que encerrem a quarentena.

A suspensão temporal da imigração anunciada por Trump é um giro nacionalista quase sem precedentes na recente política de imigração dos EUA, e é um retorno à forma unilateral que Trump vinha governando, anunciando mudanças de política através de tweets e ordens executivas, aparentemente sem coordenação com o restante do governo.

Trump está usando a dupla crise econômica e de saúde pública com desculpa para impulsionar os aspectos mais xenófobos da sua agenda. Esta suspensão de toda imigração aos EUA é a maior escalada de xenofobia da sua administração até o momento.

Cada vez é mais evidente que Trump tentará ganhar as próximas eleições gerais com uma plataforma ainda mais nacionalista e supremacista branca que antes. A suspensão da imigração acontece combinada com a insistência de Trump, junto a outros membros da extrema direita (NdT: Bolsonaro por exemplo) de se referir ao coronavírus como um “vírus chinês”, uma tentativa descarada e repugnante de culpar a China, e por extensão, todas as pessoas de ascendêcia china pela propagação do vírus, quando é evidente que se expressa uma crise da saúde pública estadounidense. Isso tem levado a um aumento de ataques racistas contra os asiático-americanos.

No entanto, Trump e os republicanos não são os únicos que tentam usar mensagens racistas em torno da crise do coronavírus. O candidato democrata Joe Biden também entrou no jogo do medo xenófobo no sábado quando fez uma publicação criticando Trump por não ser duro o suficiente com a China. Está ficando evidente que tanto os democratas, quanto os republicanos estão em um giro nacionalista frente a esta crise.

Não é a primeira tentativa de Trump de utilizar a crise do coronavírus para impulsionar sua agenda racista e xenófoba e ganhar pontos com a sua base de direita no período anterior às eleições presidenciais. Há alguns meses Trump e o Departamento de Segurança Nacional haviam anunciado que estavam acelerando os planos pra construir o muro na fronteira entre o México e os Estados Unidos. Sua administração afirmou que a construção rápida do muro ajudaria a deter a propagação do vírus. Mas o fato de que os EUA se visse afetado pelo coronavírus muito antes que o México demonstrou a falsidade do argumento e que apenas se tratava de uma tentativa velada de cumprir uma promessa racista de campanha. A construção do muro na fronteira continuou durante a crise, desviando fundos do governo que deveriam ser utilizados para apoiar o recortado sistema de saúde e os trabalhadores desempregados.

Além do que, o ICE (Escritório de Migração e Controle de Aduanas) seguiu operando durante a pandemia, aumentando a propagação do vírus e gerando medo entre os imigrantes em todo EUA, já que a agência prende, detém e deporta centenas de imigrantes. Os agentes e guardas do ICE dentro dos centros de detenção estão expondo os detidos ao vírus, que são especialmente vulneráveis para contrair e propagar o vírus dadas as condições insalubres e de lotação nestes centros de detenção.

É verdade que muitos trabalhadores estão perdendo seus empregos em meio à crise. Mais de 22 milhões de pessoas pediram seguro desemprego apenas no último mês, e muitos mais não conseguem fazê-lo devido às regras antiquadas e burocráticas. Existe uma verdadeira crise de desemprego que não mostra sinais de desaceleração.

No entanto, como é evidente, não tem nada a ver com os imigrantes. Pelo contrário, milhões de trabalhadores poderiam ser contratados para empregos relacionados com o alívio a crise, como a produção de máscaras, ventiladores e respiradores, ou dando apoio aos trabalhadores da primeira linha que estão arriscando suas vidas todos os dias nas lojas de comida, hospitais e centros de distribuição. As horas de trabalho poderiam ser distribuídas entre todos que possam trabalhar, sem reduzir o salário. Além disso, é necessário exigir a proibição de todas as demissões na medida que se desenvolva a crise econômica e um salário de quarentena para todos os estadounidenses, não apenas para os que tenham documentos e cidadania. Isso é perfeitamente possível através de impostos massivos aos ricos e congelando todos os fundos militantes e do muro na fronteira.

O capitalismo tem demonstrado uma vez mais que é incapaz de responder às crises que cria, e esta crise de desemprego é apenas outro exemplo. Agora, quando são enfrentados os fracassos do sistema, os maiores defensores do capital estão fazendo o mesmo que fazem sempre: transformar os setores mais marginalizados da classe operária em bodes expiatórios. Assim como Trump proíbe a imigração nos EUA, todos os que nos reivindicamos socialistas devemos exigir a abertura das fronteiras e o fim da deportação e da detenção de imigrantes.




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