Sociedade

RIO DE JANEIRO

Witzel usa morte de sequestrador para lavar a cara da sua política racista no Rio

O governador do Rio de Janeiro, Wilson Witzel, protagonizou uma cena bastante emblemática e bizarra no dia de hoje. Ao descer do helicóptero no meio da Ponte Rio-Niterói, onde saltitava e comemorava a ação policial, numa clara criação de fato político que usará a seu favor.

terça-feira 20 de agosto| Edição do dia

(Foto: Antonio Lacerda/EFE)

Hoje os noticiários do Rio de Janeiro e do Brasil amanheceram com a notícia de um sequestro em meio a ponte Rio-Niterói, uma das principais vias de acesso a cidade.

Em meio aos desdobramentos do caso, que culminou com a morte do sequestrador, que portava uma arma de brinquedo e outros artefatos, o governador do Rio de Janeiro e outras autoridades reacionárias já aproveitaram-se deste fato para se promover perante seu eleitorado, muito dos quais angustiados com a violência urbana na cidade. Um anseio legítimo que é utilizado de forma ultradireitista, muitas vezes se virando contra muitos trabalhadores e o povo pobre que mora em favelas que acaba sendo massacrado com a política racista de Witzel.

Witzel se utilizou da situação do sequestro do ônibus para comparar com a absurda execução e genocídio de jovens que tem acontecido na cidade: "Foi um trabalho de excelência, se a PM não tivesse abatido o criminoso, muitas vidas não teriam sido poupadas, e é isso que está acontecendo nas comunidades: se a polícia puder abater quem está de fuzil, muitas vidas serão poupadas"[...], (tsc) disse o governador. Oportunamente Witzel só “esqueceu” de mencionar em seu balanço positivo da operação policial de hoje pela manhã, dos 6 jovens mortos em operações e incursões policiais na semana passada, vítimas de sua política racista.

Ele fundamentalmente se utilizou dessa ação do BOPE de hoje para se legitimar e seguir com seu discurso e política genocida nas favelas e periferias do Rio de Janeiro. Apoiado na grande mídia que fez questão de mostrar a tragédia na ponte Rio-Niteroi como uma “boa ação” da polícia, Witzel fez questão de deixar claro nas coletivas de imprensa após o sequestro que a polícia do Rio é eficiente quando o assunto é assassinar e que mortes como os dos 6 jovens inocentes na semana passada não justificam uma possível má atuação da polícia. Ele não só utilizou a morte do seqüestrador para legitimar ações da polícia como também para atacar a “oposição”, numa clara intenção de mostrar como essas denúncias seriam infundadas, já que a polícia matou o seqüestrador do ônibus.

Diferentemente do que os meios de comunicação burgueses e o próprio Witzel querem passar, essa não foi uma “boa ação” do BOPE, isso que ocorreu foi um fato trágico que o próprio governador tenta se apoiar pra “livrar sua cara”, de uma política racista que fez quase 900 mortes só esse 1º semestre.

O que temos em nossa frente é uma tentativa de Witzel tentar tirar de suas costas o peso de 900 cadáveres, do sangue negro deixado nas favelas e periferias diariamente. Já está mais que claro que a política de “segurança pública” e de guerras às drogas tem apenas uma finalidade: aumentar ainda mais o assassinato da juventude negra pelas mãos da polícia. Apenas a legalização de todas as drogas pode dar um basta ao genocídio do povo negro, combatendo o monopólio do comércio de drogas que alimenta o tráfico num patamar, a própria polícia e as milícias em outro, e a indústria das armas. Pelo fim de operações policiais nas favelas que só servem para massacrar os trabalhadores e o povo pobre. A execução sumária do sequestrador se soma a contagem de todos os jovens negros e negras assassinados que tiveram seus sonhos arrancados pela polícia racista de Witzel, e que não podem ser comemoradas.




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