Educação

WILSON WITZEL

Witzel quer atacar autonomia das universidades para impor sua escolha sobre reitores

O Governador defendeu nesta quarta-feira (22) seu projeto de lei, que tenta mudar o processo de escolha de reitores das universidades estaduais. Atualmente a Uerj, a Uenf e Uez não precisam submeter listas e têm, cada uma, seu mecanismo de consulta à comunidade acadêmica. Witzel chamou o processo atual em que ele não chancela sobre o reitor escolhido pelos estudantes, professores e funcionários de "ditadura". Para ele, o mais "democrático" é que ele que não faz parte da comunidade acadêmica escolha a revelia do que decidiu todos que voltaram num processo já bem anti-democrático nas universidades, nas quais diferente de qualquer eleição tem voto universal.

Carolina Cacau

Foi candidata a vereadora do MRT em 2016, é estudante da UERJ e professora da rede estadual.

Isabela Santos

Estudante de Serviço Social da UERJ e coordenadora do Centro Acadêmico de Serviço Social da UERJ - CASS

domingo 26 de maio| Edição do dia

O Governador defendeu nesta quarta-feira (22) seu projeto de lei, que tenta mudar o processo de escolha de reitores das universidades estaduais. Witzel quer seguir o exemplo da absolutamente antidemocrática Lei de Diretrizes e Bases (LDB) no plano federal, que garante ao membro do executivo veto e nomeação de outro reitor para a universidade.

Atualmente a Uerj, a Uenf e Uez não precisam submeter listas e têm, cada uma, seu mecanismo de consulta à comunidade acadêmica. Witzel chamou o processo atual em que ele não chancela sobre o reitor escolhido pelos estudantes, professores e funcionários de "ditadura". Para ele, o mais "democrático" é que ele que não faz parte da comunidade acadêmica escolha a revelia do que decidiu todos que voltaram num processo já bem anti-democrático nas universidades, nas quais diferente de qualquer eleição tem voto universal. Witzel ainda disse que opinar no currículo dos candidatos, logo ele que foi denunciado essa semana por ter em seu currículo uma formação na Universidade Havard, que ele nunca frequentou.

Recentemente, Bolsonaro ameaçou negar a indicação do nome pelos Conselhos das 11 universidades federais que passam por eleição para reitores no primeiro semestre desse ano. O modelo federal permite que o decidido pela comunidade acadêmica não seja respeitado, e é isso que Witzel quer. Impor sua visão da universidade sem participar da comunidade acadêmica, ferindo a perspectiva da autonomia universitária.

Nós da Juventude Faísca e do MRT, que integramos a Chapa 2 para o CONUNE, nos opomos a tentativa reacionária de Witzel de intervir nas universidades para controlar ideologicamente a produção científica e o livre pensar, e também aprofundar a sua precarização como foi colocado com os cortes que anunciou para a UERJ no começo do ano, que ele acabou retrocedendo.

Devemos nos opor a tentativa de intervenção de Witzel e Bolsonaro como um ataque frontal a autonomia universitária, porém, não podemos deixar de lado a insuficiência do modelo atual para que a universidade de fato sirva aos trabalhadores e o povo pobre, sendo a existência da reitoria um dos entraves para que isso ocorra.

Por isso propomos que a estrutura de poder na universidade seja em base ao sufrágio universal, cada cabeça um voto, e um governo democrático de estudantes, professores e técnicos, com maioria estudantil, com o fim da reitoria e do conselho universitário atual. Assim podemos avançar para colocar o conhecimento produzido pela universidade a serviço dos trabalhadores e o povo pobre.




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