Educação

Witzel e Fernandes impõem reabertura das escolas: É urgente construir a auto-organização nas escolas para fortalecer a greve!

O reacionário governador do Rio de Janeiro, Wilson Witzel, ao lado do seu secretário de educação, autoritariamente anunciou a reabertura das escolas particulares partir do dia 14 de setembro e das escolas públicas a partir do dia 5 de outubro em todo o estado do Rio de Janeiro. Apesar da decisão contrariar todas as recomendações de estudos científicos e negar a experiências de outros locais onde essa medida resultou apenas em piora da situação sanitária, o governo desenvolveu toda uma retórica de mudança na classificação de risco epidemiológico, apenas para justificar que, em nome do lucro dos patrões, é aceitável arriscar a vida de professores, funcionários, estudantes e todos os seus familiares. Para além de apostar na justiça burguesa, como faz a maioria da direção do SEPE, é preciso construir a auto-organização nas escolas para fortalecer a greve dos professores.

sexta-feira 21 de agosto| Edição do dia

Na live amplamente divulgada nas redes sociais, o reacionário Wilson Witzel decretou mais um ataque à classe trabalhadora fluminense (e não apenas aos profissionais da educação): a reabertura das escolas particulares e estaduais em plena pandemia do coronavírus, cinicamente afirmando que “há um apelo da população”. Mas se de fato é a vontade da população, por que não deixa-la decidir? Qual seria a necessidade de um decreto? Witzel mente. O único apelo que está atendendo é o dos empresários, que precisam de um lugar para que os trabalhadores que eles exploram coloquem seus filhos. Witzel não se importa com as vidas dos trabalhadores, tanto que, mesmo durante a pandemia, ele continuou usando a sua força policial para massacrar o povo negro nas favelas e periferias, em uma guerra cotidiana que tirou a vida de vários jovens negros. E agora ele está impondo que os profissionais da educação e estudantes se exponham ao coronavírus.

Durante o anúncio, ao lado de Witzel estava Pedro Fernandes, inimigo dos professores, que passou toda a sua gestão avançando na precarização dos professores, que estão cada vez mais dependentes economicamente de gratificações para manter uma renda mínima. Paulo impôs um excludente projeto de ensino a distância durante a quarentena, enquanto os estudantes permaneceram meses sem qualquer acesso a alimentação escolar. Apesar de ter se esforçado para tentar afastar a sua imagem da reabertura das escolas, a verdade é que, desde julho, a secretaria de educação vem publicando portarias e circulares que pavimentaram a reabertura das escolas, inclusive convocando todos os funcionários que trabalham fora de sala de aula, como a coordenação, secretários e zeladores. Apenas alguns dias antes do anúncio do governador, Pedro Fernandes apareceu junto com o secretário de saúde, Alex Bousquet, apresentando um argumento de mudanças no sistema de classificação de risco epidemiológico para justificar a reabertura das escolas. Ou seja, declaradamente o governo do estado não esperou o risco epidemiológico baixar, e sim mudou a classificação do que é um risco aceitável para abrir as escolas. Isso é escandaloso.

Enquanto isso, a maioria da direção do SEPE seguiu se adaptando aos movimentos do governo. Capitulou ainda nos primeiros momentos do enfrentamento com o projeto de ensino a distância da secretaria de educação, desviando as reivindicações da categoria para mediação da justiça burguesa, que por seu caráter de classe deu vantagem ao governo. E no momento em que a inquietação quanto ao retorno das aulas começa a crescer nas escolas, impediu o amplo debate da proposta de greve na assembleia, que não passou de um simples referendo da proposta da direção. E agora esta mesma direção, em seu conjunto, aguarda passivamente o retorno das aulas. O caráter conciliador e burocrático da maioria das correntes que compõem a direção não deixa dúvidas: para muitos setores da base da categoria, uma nova capitulação do sindicato está sendo preparada.

Mas, nas escolas, tanto os profissionais da educação quanto os estudantes e seus familiares estão preocupados com esse aumento da exposição aos riscos da pandemia. Inclusive, para muitas famílias, a quarentena não foi sequer uma realidade: forçados pelos patrões que não queriam perder seu lucro, muitos pais e até estudantes conviveram por meses com o medo de contaminar seus entes, com o risco cotidiano de se contaminarem em seus locais de trabalho, principalmente entre aqueles que trabalham em empregos mais precarizados, como os entregadores de aplicativo. Aliás, de acordo com Pedro Fernandes, estes serão os alvos principais da reabertura, já que, para ele, “as escolas ficarão abertas para receber aqueles alunos que alegam não ter acesso a internet”. Uma afirmação muito cínica já que a própria secretaria não desenvolveu nenhuma medida que garantisse igualdade de acesso a plataforma online.

Nós, do movimento Nossa Classe – Educação do Rio de Janeiro, chamamos todos aqueles que não aceitam essa reabertura precipitada, professores, trabalhadores terceirizados, estudantes e familiares, para construir nas escolas a auto-organização desde as comunidades escolares, a fim de potencializar uma mobilização que possa somar-se à greve de professores e, com isso, impor ao governo que as comunidades escolares decidam quando e como voltar às aulas. Chamamos também a todos que denunciam o burocratismo das direções do SEPE, como a corrente Combate da CST, que compõe a chapa 6 da direção central, a batalhar no sindicato por uma saída independente dos trabalhadores organizados desde a base, recuperando o sindicato como um instrumento de luta e rompendo com as divisões impostas pela burguesia e as burocracias sindicais na classe trabalhadora.

Não basta apenas enfrentar Bolsonaro e Mourão, mas é preciso lutar contra este apodrecido regime que os colocou no poder. Por isso é necessário um movimento amplo da classe trabalhadora por uma assembleia constituinte livre e soberana, onde o povo possa decidir e mudar as regras deste jogo injusto, questionando todo este sistema que ataca os trabalhadores em plena pandemia.




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