Sociedade

RIO DE JANEIRO

Witzel deixa Rocinha sem água por mais de uma semana

Como lutar contra a COVID-19 sem ao menos ter água potável? Esse é o dilema que os moradores da Rocinha estão enfrentando há mais de uma semana.

quinta-feira 23 de julho| Edição do dia

Foto de Daniel Castelo Branco

Como lutar contra a COVID-19 sem ao menos ter água potável? Esse é o dilema que os moradores da Rocinha estão enfrentando há mais de uma semana. Em razão do desmonte feito pelo governo Witzel, a CEDAE tem sido incapaz de resolver um problema na rede de abastecimento da comunidade. Em razão disso, mais de cem famílias estão tendo dificuldades sérias para tomar banho e até lavar as mãos com a frequência necessária para evitar a contaminação pelo coronavírus.

Tudo isso é resultado da política racista do governador, cuja única medida que tem feito para as favelas do estado é enviar a polícia para matar. Desse modo, os trabalhadores negros e negras além de sofrerem pela repressão fardada do Estado cotidianamente, agora são empurrados para a morte por um vírus que busca suas vítimas nos locais em que o saneamento básico é um luxo para poucos.

Esse é o drama vivido pela família de Raquel. Diarista e mãe de quatro filhos, ela relatou, em entrevista a um jornal carioca, que está tendo que pegar água numa torneira pública e precisando recorrer a doações para aguentar a crise. “Meus filhos reclamam porque eles gostam de tomar banho e, principalmente, por causa do problema da pandemia”, disse a trabalhadora com extrema preocupação com a saúde no seu lar.

Adversidades como essa têm sido uma realidade constante nas favelas do Rio de Janeiro desde o começo da pandemia e explicam porque essas áreas concentram mais mortes por coronavírus do que muitos estados brasileiros. Atualmente, a Rocinha já registrou oficialmente 62 mortes e 308 casos confirmados de COVID-19, mas estudos apontam que, na verdade, esse número pode ser até 62 vezes maior, em razão da subnotificação causada pela falta de testes massivos e leitos para a população.

Esses dados deixam claro como a política de negar saneamento básico e um patamar mínimo de qualidade de vida dos trabalhadores nas favelas e periferias sempre foram parte da política racista de políticos burgueses como Witzel, e não podemos esperar que saiam deles e muito menos de Bolsonaro e os militares uma “saída” consequente com a vida e saúde desses trabalhadores. Um enfrentamento efetivo só pode acontecer com testes massivos, com o controle operário sobre a CEDAE e garantindo uma renda de 2.000 reais para aqueles que se encontram sem trabalho, já que o governo passa trilhões para salvar a vida de empresários, combinado com a proibição de demissões. Tudo isso deve ser conduzido em articulação com a exigência de uma Assembleia Constituinte Livre e Soberana, para que a população possa decidir os caminhos para superar a crise, sem confiança em setores da direita, como STF, Maia ou no governador racista que garante o lucro dos capitalistas enquanto nega o direito de que o povo pobre ao menos possa lavar as próprias mãos.




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