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Witzel comete plágio em dissertação de mestrado sobre o combate a fraudes

A dissertação de mestrado defendida na Universidade Federal do Espirito Santo (UFES) tem ao menos 63 parágrafos copiados de trabalhos publicados por outros seis autores, incluindo um artigo inteiro e a íntegra de um capítulo de outro texto.

sábado 14 de setembro| Edição do dia

Imagem: Marcelo Fonseca/Estadão Conteúdo

O mestrado foi defendido em maio de 2010 e se intitula "Medida Cautelar Fiscal". Segundo Witzel, a medida cautelar fiscal pode evitar "grandes fraudes e artifícios maliciosos de contribuintes que agem de má-fé e em desacordo com as leis tributárias".

Considerando as 118 páginas do miolo do trabalho, ao menos 19 páginas têm trechos copiados de outros autores (16% desse total). Dos 6 autores com passagens semelhantes encontradas, 5 não constam na bibliografia da dissertação.

Um dos citados, o advogado Juliano Ryzewski, vê um possível problema ético no caso. Em declaração a BBC News Brasil, o autor afirmou: "Por ser uma pessoa pública, deveria tomar maior cuidado com isso. Ele está autointitulando autor de um texto que ele não escreveu, mas copiou. É complicado".

Em nota, a assessoria respondeu que "os trechos citados exemplificam a dissertação de mestrado apresentada pelo governador Wilson Witzel em 2010, que foi aprovada pela Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes)". (...) "Como toda obra acadêmica, a tese de Witzel se utiliza de citações de diferentes autores e fontes que compõem a abordagem teórica sobre o tema."

Segundo a BBC News Brasil, a dissertação do atual governador do Rio tem 12 parágrafos idênticos ao artigo de Ryzewski, publicado em 2009, um ano antes do trabalho de Witzel. Segundo cartilha produzida pela Universidade Federal Fluminense (UFF), o plágio acadêmico ocorre "quando um aluno retira, seja de livros ou da internet, ideias, conceitos ou frases de outro autor (que as formulou e as publicou), sem lhe dar o devido crédito, sem citá-lo como fonte de pesquisa".

Reincidência na mentira

Em maio desse ano vazou para o mundo de que Witzel teria mentido acerca de seu currículo. O governador disse que já havia estudado em Harvard, no entanto, ele nunca foi aluno na universidade.

O governador mentiroso e fraudulento também é um dos principais responsáveis por alavancar o extermínio da juventude negra nas favelas. O número de mortes por intervenção policial no RJ é o maior nos últimos 20 anos. Em julho desse ano, o Centro de estudos de Segurança e Cidadania (CESEC) revelou dados em que o número de operações policiais cresceu 42% em relação ao ano passado. O levantamento também mostra um aumento de 46% no numero de mortes entre março e junho desse ano por policiais na comparação com o ano passado. Em 11 operações da polícia, o helicóptero foi usado como plataforma de tiros.

Informações: BBC News Brasil




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