Política

MINISTRO DA EDUCAÇÃO

Weintraub se irrita com críticas à classe média de Marilena Chauí e a compara ao nazismo

segunda-feira 14 de outubro de 2019| Edição do dia

Na Conferência da Ação Política Conservadora, um show de horrores reacionário protagonizado pelos acólitos de Bolsonaro, o Ministro da Educação Abraham Weintraub proferiu o discurso de encerramento, no qual deteu grande parte do tempo atacando a filosofa e professora da USP Marilena Chauí.

No discurso, Weintraub mostra um vídeo no qual a filosofa critica a classe média como tendo sido base para o golpe institucional, que, segundo ela, seria por natureza conservadora e teria aberto o caminho para um regime autoritário no Brasil.

Weintraub fez uma comparação totalmente absurda do discurso de Chauí com o discurso nazista, dizendo "- Prestem atenção. Peguem o discurso dela e comparem com qualquer discurso do terceiro reich. Agora troquem a palavra "classe média" por judeu." O discurso ainda contou com as ofensas de baixo nível típicas do Ministro, a FHC, e terminou com uma foto de Bolsonaro segurando um fuzil.

Weintraub se sentiu ofendido pois advém justamente daquela parte específica que, um setor especial dentro do que se chama "classe média", a parte da classe média que nada produz, mais especificamente. Nos referimos não à parte da classe média que trabalha, em especial funcionários públicos com cargos públicos bem remunerados ou os chamados "funcionários liberais". Weintraub se identifica mesmo é com aquele setor que vive de rendas e benefícios do estado e nada produz em troca para a sociedade. Freud explica.

Por isso, aliás, persegue estudantes afirmando que fazem "balburdia", que afirma que professores fazem doutrinação ideológica, que chama professores universitários e pesquisadores de "zebras gordas", enquanto corta bolsas de estudantes pesquisadores, utilizando seu cargo de Ministro para fazer uma verdadeira perseguição ideológica contra a educação e a ciência, assim como contra o movimento estudantil, associações docentes e sindicatos de trabalhadores.

O discurso absurdo de Weintraub vem para defender o "lugar de fala" daqueles setores que compareciam nos atos de impeachment de verde-amarelo levando, ao lado, as babás de seus filhos. Ou dos setores bem remunerados, incluindo artistas da Globo, que engrossaram o caldo do "Morobloco". Sem este golpe que teve apoio deste setor específico da classe média branca, que chegou ao ponto da manipulação das eleições com a prisão arbitrária de Lula, seria impensável a ida de Bolsonaro à presidência da república.

Nós do Esquerda Diário temos uma visão distinta de Marilena Chauí, porque esta considera que o golpe começou em 2013 com as jornadas de junho. Uma polêmica com esta posição pode ser lida em vários textos publicados no semanário Ideias de Esquerda, como o texto de Matias Maiello que demonstra como estas posições da filosofa tem por trás a desresponsabilização do PT por ter aberto espaço para a direita, ou no texto de Edison Urbano, que critica o balanço de Chauí sobre as jornadas de junho de 2013.

As classes médias, historicamente, estão divididas entre se aliar com a classe trabalhadora e abrir mão de sua própria condição para aderir à luta anticapitalista, ou servir de base para batalhões proto-fascistas, preparando a reação contra-revolucionária patrocinada pelo capital financeiro que é colocada em prática sempre que a luta de classes se aprofunda.




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