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Weintraub quer o fim de concursos para professores: "Universidades abrigam cracolândia"

segunda-feira 23 de setembro| Edição do dia

Em uma entrevista para o Estado de S. Paulo nessa segunda-feira, 23, o Ministro da Educação, Abraham Weintraub, volta a atacar a educação pública com a justificativa de promoverem “balbúrdia” nas Universidades Federais.

Agora, Weintraub desce ainda mais o nível e, para justificar os cortes no orçamento das universidades, chega ao absurdo de afirmar a existência de cracolândia nas instituições:

“As universidades são caras e têm muito desperdício com coisas que não têm nada a ver com produção científica e educação. Têm a ver com politicagem, ideologização e balbúrdia. Vamos dar uma volta em alguns campus por aí? Tem cracolândia. Estamos em situação fiscal difícil e onde tiver balbúrdia vamos pra cima”.

Ou seja, além de não conhecer direito nenhuma Universidade pública e ser completamente inapto para o que deveria ser o trabalho de Ministro da Educação, Weintraub também demonstra profundo desconhecimento do fato de que o que geram as "cracolândias" é a histórica política racista e anti pobres do estado (que hoje é implementada por Bolsonaro), que deixa trabalhadores sem emprego e sem moradia, vivendo nas ruas e recorrendo a drogas pesadas como o crack como forma de fugir de uma existência condenada pelo capitalismo.

Ignorando as notas públicas das Universidades informando que os cortes de gastos colocam em xeque seus funcionamentos e manutenção, o Ministro afirma ainda que não faltaram recursos:

“Me diz um caso? Não faltou (recurso). Todo dia estou buscando solução numa crise dessa dimensão.” E chegou a declarar que:

“A demanda é infinita. Todo mundo quer uma bolsinha. No Brasil, todo mundo acha que o dinheiro cai do céu”

O único dinheiro que cai do "céu" é o salário dos ministros e de toda a casta política, que acumulam auxílios-moradia aos milhares, milhões em passagens aéreas e bilhões em propinas, recebidos para rifar os direitos dos trabalhadores com cortes na saúde, educação, reforma da previdência e a MP da nova reforma trabalhista de Bolsonaro.

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Na entrevista, Weintraub também indica que deseja cortar da folha de pagamento dos professores e servidores ao dizer que “a forma de conseguir mais espaço no orçamento é achando nas despesas obrigatórias coisas não tão obrigatórias assim.” Com isso, ele diz que pretende ir gradualmente substituindo a contratação de professores pela via da CLT, e não mais dos concursos públicos: “As faculdades e universidades que aderirem ao Future-se vão ter de passar a contratar via CLT e não mais via concurso público, um funcionário público com regime jurídico único”.

Essas declarações absurdas do ministro da educação carregam consigo os planos do governo Bolsonaro para a educação pública, a ciência e a pesquisa no país: a privatização e o avanço do obscurantismo. Querem destruir as universidades para satisfazer os lucros dos capitalistas e para isso se utilizam dos mecanismos mais podres e baixos que esse governo nos reserva.

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