Política

Weintraub foge para os EUA para governo blindá-lo de investigações

Envolvido no inquérito aberto no Supremo Tribunal Federal (STF) que apura a disseminação de fake news e ameaças aos ministros do tribunal, somado a outro inquérito no Supremo, este a pedido da Procuradoria Geral da República, para apurar crime de racismo, o agora ex-ministro da educação, o privatista e olavista Abraham Weintraub, chegou nesta manhã à cidade de Miami nos EUA em fuga contra os riscos de prisão no país, para assumir posição em Washington DC como representante brasileiro no Banco Mundial com salário que pode chegar a R$ 116 mil mensais.

sábado 20 de junho| Edição do dia

Envolvido no inquérito aberto no Supremo Tribunal Federal (STF) que apura a disseminação de fake news e ameaças aos ministros do tribunal, somado a outro inquérito no Supremo, este a pedido da Procuradoria Geral da República, para apurar suposto crime de racismo, o agora ex-ministro da educação, o privatista e olavista Abraham Weintraub, chegou nesta manhã à cidade de Miami nos EUA em fuga contra os riscos de prisão no país, para assumir posição em Washington DC como representante brasileiro no Banco Mundial, com salário que pode chegar a R$ 116 mil mensais.

O ministro Alexandre de Moraes determinou, no âmbito do inquérito das fake news, que o ministro da Educação, Abraham Weintraub, fosse ouvido pela Polícia Federal para explicar uma declaração na reunião ministerial de 22 de Abril. Na ocasião, Weintraub afirmou que, por ele, colocaria “vagabundos na cadeia” – começando pelo STF. Diante das acusações de delitos de difamação, injúria e crime contra a segurança nacional, Weintraub compareceu à sede da PF e não prestou depoimento se mantendo calado.

A outra acusação, de racismo e xenofobia, aberta pelo ministro Celso de Mello também do STF, apura uma declaração de Weintraub em que insinuou que a China irá sair "fortalecida da crise causada pelo coronavírus, apoiada por seus aliados no Brasil". Na publicação o ex-ministro da educação usou a imagem do Cebolinha, personagem da Turma da Mônica em história ambientada na Muralha da China e, substituindo a letra "r" pela letra "l, fazendo referência ao modo de falar de Cebolinha, pra insinuar que se trata dos chineses.

Todo esse embate que envolve Abraham Weintraub e o STF, analisado também aqui, confirma o acirramento das tensões entre os poderes. Tentando se relocalizar na disputa dos bonapartismos, o STF tem aplicado medidas coercitivas para conter o bolsonarismo e, assim, se alçar novamente como árbitro político autoritário, como foi no golpe de 2016, que havia sido ocupado pelos ministros militares de Bolsonaro, em especial o general Braga Netto da Casa Civil, renovando o embate entre os poderes autoritários e sem voto na condução da crise política.

Todo este conflito acontece no cenário de uma disputa entre duas frações burguesas com interesses abertamente opostos aos do trabalhadores. Bolsonaro e os militares de um lado e STF, Congresso e governadores de outro, se unem no que se trata de atacar os trabalhadores, a juventude e os negros.

Embora a assessoria do MEC tenha anunciado a saída de Weintraub do país e a chegada a Miami apenas pela manhã, antes do anúncio oficial,o irmão do ministro havia dito em rede social que ele já estava nos EUA. Em rede social, nesta sexta-feira, Weintraub afirmou que pretendia sair do Brasil "o mais rápido possível". Neste sábado, na mesma rede social, em resposta a uma apoiadora, ao ser questionado se o irmão também iria para os Estados Unidos, ele escreveu: "As coisas aconteceram muito rapidamente...", mensagem com indicação de origem em Miami.

Nesta sexta-feira (19), o senador Fabiano Contarato (Rede-ES) pediu ao STF a apreensão do passaporte de Abraham Weintraub e a proibição de que ele saísse do país. Assim também fizeram Deputados do PT , como Rogério Correia (MG), Padre João (MG), João Daniel (SE). Porém, como ministro de Estado, Weintraub tem passaporte diplomático, o que facilitaria o acesso a outros países, mesmo com as restrições motivadas pela pandemia do novo coronavírus. Por conta disto sua exoneração da pasta só foi publicado após sua chegada aos EUA.

A indicação como representante do Brasil no Banco Mundial, em Washington, também motivou reações. Uma carta assinada por 15 associações e mais de 130 personalidades de diversas áreas pediu a embaixadores de oito países no Brasil que se posicionem contra a indicação de Abraham Weintraub.

Nesta sexta, o Banco Mundial informou, por meio de nota, que recebeu do governo brasileiro a indicação de Abraham Weintraub para ocupar um cargo de diretor da instituição.De acordo com o banco, o nome terá que ser aprovado pelo grupo liderado pelo Brasil na instituição e o eventual mandato terminará em outubro, quando uma nova indicação terá de ser feita.

O ex- ministro, que mostrou a cara do seu autoritarismo na fala divulgada junto ao vídeo da reunião ministerial onde diz odiar "o termo povos indígenas", declaração que acirrou as já tensas disputas por terras que todo ano levam a diversas mortes de lideranças indígenas, corroborando com as medidas e discursos bolsonaristas contra a demarcação de terras em nome do agronegócio, e que em mais de um ano a frente do Ministério da Educação cortou milhares de bolsas de pesquisa, atacou a política de cota na pós e interviu na autonomia universitária, estabeleceu uma política privatizante por meio de seu Future-se e fortaleceu os interesses dos empresários da educação que se beneficiam pelo EAD, terá no Banco Mundial um salário cinco vezes maior do que os RS23.349,00 de ministro, passando a ganhar RS115.922,00 por mês ocupando um cargo internacional que não prevê desconto de imposto de renda.

A saída de Weintraub foi uma tentativa de Bolsonaro ceder na disputa entre o núcleo duro de seu governo e o Bonapartismo institucional, ao mesmo tempo encontrando uma via de blindar Weintraub das investigações levadas adiante pelo STF. Ou seja, sua saída da pasta da educação e a seguinte fuga para os EUA é fruto de uma estratégia de Bolsonaro, que nada serve em si mesmo aos interesses dos trabalhadores e povos oprimidos do país.
Por isso apontamos os limites da comemoração de vitória que a UNE propagou após a queda de Weintraub, fazendo um chamado à que a exemplo das mobilizações estudantis do 15M, no ano passado, contra o anúncio de cortes de verbas pras Universidades federais, a UNE e demais organizações estudantis fortaleçam os atos de rua, organizando um plano de luta independente dos estudantes, e que junto a saída do imobilismo das centrais sindicais, estas como a CUT e a CTB, impulsione a auto-organização dos trabalhadores para que seja o povo que dite os rumos do país, lutando pelo Fora Bolsonaro, Mourão e os militares, rumo a Constituinte Livre e Soberana.

Assim sendo capaz de fortalecer a unificação entre trabalhadores, jovens, negros e estudantes em cada local de trabalho e estudo, para avançarmos na reversão das reformas trabalhistas, da previdência, além de enfrentar os cortes na educação e saúde, apontando o caminho para um governo dos trabalhadores de ruptura com o capitalismo.




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