Política

DÓRIA

Washington Cinel, o magnata da terceirização e um dos principais parceiros de João Dória Jr.

Para além do picolé de chuchu, existe outra pessoa no mundo que ficou extremamente feliz com a vitória de Dória em São Paulo: Washington Cinel. Desconhecido pelo povo, mas famoso entre os empresários, Cinel atua ao lado do tucano há alguns anos já, coordenando seu braço empresarial Lide Segurança, e foi um dos principais articuladores financeiros de sua campanha.

terça-feira 4 de outubro| Edição do dia

Na foto, ele é o da direita. O figura é a representação clássica do self made man, exceção da exceção, que começou de baixo e cresceu. De engraxate do interior de São Paulo, em 30 anos se transformou no comandante da Gocil, uma das maiores empresas de segurança e vigilância do país. Só no ano passado faturou mais de R$ 1 bilhão, atua em 8 estados do país oferecendo serviços terceirizados para grandes empresas e governos e explora mais de 20 mil trabalhadores em todo o território nacional.

Uma das mais importantes e lucrativas empresas com as quais a Gocil tem contratos, por exemplo, é o Metrô de São Paulo. Também possui parcerias com hospitais, eventos esportivos de grande porte, universidades, bancos, condomínios empresariais… ou seja, uma gigante do ramo e que atua principalmente em SP. Mas a empresa não foi apenas beneficiada pelas licitações com o governo do PSDB que há décadas comanda o estado, também foi pelo governo do PT oferecendo serviços à Copa do Mundo (foi a empresa que mais ofereceu serviços de todo o país) e às Olimpíadas.

Washington Cinel vive na antiga mansão do magnata José Ermírio de Moraes, em São Paulo, arrematada em leilão por quase R$ 40 milhões e acumula quase 2 mil metros quadrados. Para além de possuir fazendas próximas de Bauru, em Mato Grosso, casa na praia em Tabatinga, mansão em Miami, obras e antiguidades raras em sua mansão da Rua Costa Rica no Jardins, Cinel foi um dos principais articuladores financeiros da campanha do playboy paulistano. Parte das informações aqui reunidas foram encontradas em texto recente aqui.

No ano passado, Cinel organizou um evento com mais de 500 empresários, no hotel Grand Hyatt em São Paulo, que, além de João Dória Jr., contou com a presença de ninguém mais que Sergio Moro. A república de Curitiba palestrou sobre o “combate” à corrupção ao lado do deputado tucano Fernando Capez, denunciado exaustivamente pelos trambiques envolvidos na Máfia das Merendas tucana. Tamanha hipocrisia se revela ainda mais profunda quando um homem que lucrou bilhões em relações com governos Brasil afora às custas do suor de milhares de trabalhadores, organiza um evento para empresários lavarem a alma contra a corrupção.

Acontece que biografias como as de Cinel desvelam o tipo de ‘corrupção’ legalizada no Brasil, e no capitalismo na verdade: as relações promíscuas entre Estado e empresas privadas. Seu lucro advém de serviços que supostamente deveriam ser prestados pelo Estado, mas graças ao neoliberalismo e à boa vontade de empresários como Dória Jr., um lugar ao céu está garantido para o dono de uma das maiores mansões da capital paulistana e, certamente, seu governo firmará contratos milionários com a Gocil de Cinel, ampliando os já existentes com a sociedade tucana a nível estadual.

São casos como esses que escancaram a serviço do que está a governança de João Dória e do PSDB: a serviço dos grandes empresários. Ainda mais gritante se torna a relação com Sergio Moro, juiz que supostamente deveria prezar pela imparcialidade, mas que palestra lado a lado dos políticos tucanos, mesmo eles estando diretamente envolvidos em casos de corrupção. A questão da terceirização de serviços vem a tona também, mostrando como essa é uma das áreas de principal interesse empresarial: com leis trabalhistas flexíveis, alta rotatividade e grande demanda, a terceirização dos serviços públicos aparece como um ramo em potencial para exploração de mão de obra que visa tão somente o lucro.




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