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MÉXICO-ESTADOS UNIDOS

Walmart aposta na precarização do trabalho no México

A cadeia de supermercados, famosa por impedir a sindicalização de seus trabalhadores, anunciou um investimento de 1,300 milhões de dólares no México pelos próximos três anos, depois de uma reunião entre seu representante e o presidente Peña Nieto.

quinta-feira 8 de dezembro de 2016| Edição do dia

Desde 2012, Walmarte investiu 53,000 milhões de pesos - quase 2,600 milhões de dólares- segundo declaração de Guilherme Loureiro, presidente executivo e diretor geral da empresa no México e America central. Hoje Contam com 200,000 trabalhadoras e trabalhadores no México.

Agora, desafia a orientação protecionista do presidente eleito dos Estados Unidos, Donald Trump com o investimento de 1,300 milhões de dólares que acaba de anunciar. Seu objetivo: duplicar suas vendas para 2025, e fortalecer sua cadeia de distribuição e sua logística no México.

"Felicito a empresa, que reitera sua confiança no México e no futuro que país tem daqui pra frente", se vangloriou Enrique Peña Nieto.

Essa cadeia internacional tem sido denunciada em numerosos países por atentar contra os direitos trabalhistas, e em particular por impedir a sindicalização de seus trabalhadores por todos os tipos de vias. No México, onde exige testes de gravidez negativo para as contratar, paga salários baixos, que gira em média de $3,500 por mês para caixas. *precisa converter esse valor para o real.

Nos Estados Unidos, frente a pressão da campanha por aumento de salário para 15 dólares por hora, no ano passado, seus gestores se viram obrigados a dar um mínimo aumento de 9 dólares a hora e em fevereiro deste ano a 10 dólares. Recentemente, perdeu um julgamento na Califórnia - junto a outras empresar- em que se ordena permitir que seus funcionários possam sentar.


Atritos entre Trump e as transnacionais

Este anuncio de investimento no México é outro caso que estampa a contradição que enfrenta Donald Trump com as transnacionais: prometeu à classe operária devolver seus empregos que se foram com a transferência de fábricas e centros de trabalho a outros países, mais os empresários e seus gerentes para incrementar seus ganhos, preferem investir onde a classe trabalhadora tenha menores salários e menos benefícios.

No México, a economia balançou frente ao terremoto Trump: o peso e a Bolsa caíram vertiginosamente. Enquanto isso, Peña Nieto e seu gabinete tratam de mostrar "força" e um plano de contingência que ainda é um mistério.
No México

Trump, durante sua campanha eleitoral, ameaçou tirar os Estados Unidos do TLC, ou renegocia-lo. Com o caso Carrier, onde anunciou que manteria 1,000 empregos em Indiana, parecia que ganhava a batalha, ainda que tenha sido só uma manobra. Outros 1,300 empregos irão à planta de Nuevo León, como explicamos aqui.

Contudo, a ameaça da administração Trump é aplicar 35% dos tributos às empresas que "levem empregos estadunidenses ao México".

Por sua vez, o próximo vice-presidente dos Estados Unidos, Mike Pense, declarou no final de semana passado em uma entrevista para o canal ABC News que a renegociação do Tratado de Livre Comércio da América do Norte (TLCAN) era a melhor forma para o México pague pelo muro que Trump quer construir na fronteira.

Este tratado - um salto enorme na subordinação do México ao Imperialismo estadunidense- implicou a degradação das condições de trabalho e uma crise tão profunda no campo mexicano que, de produtor de milho, passou a importar o cereal. Uma renegociação do tratado pode levar a um aprofundamento desta subordinação, como o consequente aumento da superexploração da classe trabalhadora em benefício das transnacionais como o Wal Mart.

Por isso se faz indispensável superar a divisão criada pelos empresários no interior da classe operária pela cor da pele, por condições de trabalho, entre mulheres e homens. Só a unidade do povo trabalhador dos dois lados da fronteira que podem frear o ataque que vem por aí.




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