Política

ESCRACHA

Wagner Montes mudou de partido às escondidas: para apoiar Crivella ou para salvar seu programa na Record?

terça-feira 11 de outubro| Edição do dia

O segundo turno das eleições cariocas está marcado pela disputa entre Marcelo Freixo (PSOL) e Marcelo Crivella (PRB), sendo esse último a representação do que há de mais corrupto, reacionário e burguês na cidade do Rio de Janeiro.
Em março desse ano, o famoso apresentador do programa "Cidade Alerta" e deputado estadual, Wagner Montes, deixou seu antigo partido silenciosamente, o PSD do ex-candidato dos aplicativos e que ontem votou a favor da “PEC do fim do mundo” Índio da Costa, para se filiar no PRB de Crivella, da Record e Universal.

O PSD estava dividido pela decisão de lançar a candidatura de Índio da Costa, motivo esse que fez vários membros do partido debandarem para outros, e Wagner Montes foi um desses, porém seu caso é mais complexo. Quando saiu do PSD, Montes disse que não tinha mudado por causa de Índio, que tinha recebido vários convites mas escolheu o PRB "por ser o mais próximo".

Nisso Wagner Montes está certo, o PRB está sim mais próximo a ele. Simplesmente o PRB é a representação política da Igreja Universal do Reino de Deus do empresário e bispo Edir Macedo, dono da emissora de TV Record, a mesma que emprega Wagner Montes e patrocina seus "escracha!", exaltando a violência policial racista contra a população negra, e que aliena seus expectadores, em sua maioria trabalhadores e moradores de regiões periféricas, com um discurso de que a "solução" dos problemas da cidade é a bala da polícia como força e autoridade do Estado contra a "vagabundagem".

No entanto, desde as primeiras instalações das UPP a cidade do Rio de Janeiro está cada vez mais militarizada, sendo que o problema da segurança e da violência na cidade não foi resolvido, pelo contrário, o Rio continua sendo uma cidade muito violenta, em que a maioria das vítimas são negras e inocentes que perdem suas vidas pelo racismo histórico impregnado nas diversas instituições policiais de nosso país, principalmente a militar.

Mais uma negociata para apoiar a candidatura do corrupto bispo

Wagner Montes está fora do ar desde outubro do ano passado devido a uma cirurgia, e seu contrato de trabalho com a Record termina no ano que vem. Nesse sentido, a emissora pressionou o apresentador a passar para o seu partido, o PRB, visando angariar seus votos para Crivella (Wagner Montes bateu recordes históricos de votos no Rio) e ao mesmo tempo o apresentador ter uma oportunidade para voltar ao ar se vendendo para a candidatura dos empresários e pastores da Universal.

Wagner Montes já apareceu nas ruas apoiando Crivella numa carreata do candidato pelas ruas da zona norte do Rio em setembro junto ao bispo e ao ex-jogador de futebol e atual senador, Romário.

O programa de governo do bispo Crivella foi construído junto com o arquicorrupto Anthony Garotinho, ex-governador do Rio e até recentemente ex-secretário de governo da sua mulher, Rosinha, no município de Campos. A gestão dos Garotinho na cidade foi marcada pelas obras superfaturadas que servem em nada para a população, como o Sambódromo de Campos e a "Cidade das Crianças", sem contar o recorde que sua gestão bateu ao quase gastar 2 milhões de reais em publicidade em menos de 20 dias!

Além do apoio de amigos corruptos e golpistas como Garotinho e Aécio Neves, Crivella fechou um acordo com empresários da FIRJAN para terminar o que o PMDB começou: o desmonte do Estado nas áreas sociais de interesse à população como saúde, educação e transporte, consta no próprio site de Crivella seu compromisso com um estado dito “enxuto”.

Para conseguir a vitória, o candidato que insiste em querer cuidar das pessoas procura os aliados mais corruptos e inimigos da população trabalhadora e pobre. Desde Wagner Montes até os Bolsonaro e pastores da Universal, antigos inimigos dos movimentos de luta por direitos democráticos da população LGBT, negra e de mulheres. Crivella não representa a mudança mas antes a continuidade da tradicional política clientelista e corrupta de vender cargos e apoio a qualquer custa para no final conformar um governo que se voltará contra nossos direitos trabalhistas e pelo nossos direitos básicos à uma saúde, educação e transportes públicos e de qualidade. Os poderosos mostram sua cara escrachada de apoio a Crivella.




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