Política

ELEIÇÕES 2018

Voto nulo contra Bolsodoria, a "neutralidade" de França e os ataques aos trabalhadores

A última semana de enfrentamento dos 2 candidatos ao 2°turno em SP, João Doria (PSDB) e Marcio França (PSB), comprovaram como o bolsonarismo está por trás das duas candidaturas, e controlará com rédeas curtas qualquer um que for eleito, impondo ataques profundos a classe trabalhadora. Como se expressa na declaração do MRT, publicada no portal Esquerda Diário.

sábado 27 de outubro| Edição do dia

A última semana de enfrentamento dos 2 candidatos ao 2°turno em SP, João Doria (PSDB) e Marcio França (PSB), comprovaram como o bolsonarismo está por trás das duas candidaturas, e controlará com rédeas curtas qualquer um que for eleito, impondo ataques profundos a classe trabalhadora. Como se expressa na declaração do MRT, publicada no portal Esquerda Diário.

As recentes pesquisas do Ibope e Datafolha mostram praticamente um empate técnico, com Doria liderando, porém numa tendência de crescimento de França, o que deixa as eleições totalmente indefinidas. Na última pesquisa publicada ontem pelo Datafolha, França reduziu de 6% a 4% a vantagem do tucano, que agora lidera por 52% a 48% dos votos válidos.

Esse crescimento se explica por alguns fatores: 1-) França consegue capitalizar a rejeição a Doria, principalmente na capital, aproveitando -se do abandono dele da prefeitura e de uma gestão marcada por muita ações de marketing e escândalos como o da "ração humana" nas creches; 2-) As aspirações democráticas de amplos setores de massa pelo fato de Doria fazer palanque a Bolsonaro, numa semana marcada por declarações do pai e filho de "caça aos opositores" e "fechamento do judiciário "; e 3-) pela viralizacao de um vídeo, que chegou ser o assunto mais comentado no TT do twiter mundial, onde supostamente Doria aparece tendo relações sexuais com várias mulheres.

Não há como entender as eleições em SP, por fora do cenário da eleição nacional. Na mesma pesquisa Datafolha mostra que 74% dos eleitores de Bolsonaro, irão votar em Doria, e 81% dos eleitores de Haddad votarão em França, além disso mostra uma divisão de votos do representante da FIESP Paulo Skaff que no 1° turno obteve 21,09% dos votos, apesar deste já ter oficialmente entrado na campanha de Marcio França. Diante esse cenário, o PSL assume a posição de neutralidade, permitindo que Doria se apoie em Bolsonaro na sua campanha, ao mesmo tempo que os deputados estaduais do partido eleitos em SP liderados pelo também eleito Senador Major Olimpio, soltaram um manifesto chamando o voto "BolsoFrança".

O golpe institucional, as manipulações do judiciário nas eleições e os ataques a liberdades democrática, tendo como símbolo o pato amarelo e o patrocínio da FIESP, criou as condições necessárias para a proliferação do bolsonarismo no estado. Mesmo com a chamada de atenção de Bolsonaro em recente vídeo cobrando que as lideranças do partido em SP concentrem-se na candidatura dele (principalmente após o revés que teve na capital onde aparece perdendo de Haddad por 51% a 49% pela primeira vez) e não em brigas nas eleições estaduais, de fundo a dupla ação do bolsonarismo, não se trata de movimentos contraditórios, e sim conscientes e bem pensados. Principalmente, do ponto de vista estratégico da implementação do pacto federativo proposto por Paulo Guedes.

A neutralidade do PSL, ao mesmo tempo que não compromete politicamente Bolsonaro com nenhum dos lados, compromete tanto Doria quanto França com ele. Em outras palavras, para o PSL qualquer candidato que ganhar em SP atuará conforme seu plano econômico e satisfará os interesses dos capitalistas, dispostos e sedentos para arrancar o sangue da classe trabalhadora.

Nos debates, Doria e França sinalizaram acordo com o pacto federativo, disputando entre si não somente o legado de Alckmin, como também quem fará mais concessões para a iniciativa privada. Compactuaram com o plano de desestatização que vigora há mais de 20 anos nas gestões tucanas em SP, onde ambos participaram, assim como todas as alas do divido e em ruínas PSDB.

O sentimento de ódio contra Doria, compartilhado por todos nós trabalhadores, em particular do funcionalismo público, não pode nos levar a cegueira diante esse xadrez político e eleitoral. Porque se é verdade que Doria nos debates, pelo apoio oficial que ele dá a Bolsonaro destila todo o seu ódio contra a esquerda e os movimentos sociais, também é verdade que França responde a isso com uma posição de "neutralidade", delimitando-se do PT e da esquerda, e apoiando -se claro em Major Olímpio, criminalizando assim o MST e todos os lutadores. Justamente por isso, não podemos apostar as fichas num futuro carrasco que teremos nos próximos 4 anos, controlado assim como Doria, sob os mandos e desmandos de Paulo Guedes e Bolsonaro.

Nesse sentido, é criminosa a política do PC do B que não contente em fazer campanha pró França, ainda dissemina a falsa ideia de votar nulo supostamente favoreceria a extrema direita em SP. Um absurdo, ainda mais numa candidatura que acaba de receber um manifesto dos deputados do PSL chamando o voto BolsoFrança.

Assim como consideramos equivocado o apoio velado do PT, transmitindo alguma ilusão de que França possa significar algum tipo de mudança no estado. Sim, Dória pode sair, mas é falso afirmar que o tucanato sai junto com ele de um futuro governo. O PSOL incorre na mesma política petista, e através de seus parlamentares não alertam os trabalhadores e jovens sob esses riscos, levando a suporem a hipótese também que possa haver alguma alternativa nesse segundo turno.

Não há alternativa nesse pleito que não seja confiar na disposição de luta dos trabalhadores e por isso devemos acompanhar criticamente o voto 13 em Haddad para derrotar Bolsonaro nas urnas, mas sem dar apoio político e compartilhar com a estratégia eleitoral e de conciliação do PT. Em SP, essa estratégia é o principal exemplo da impotência em resistir o avanço do golpismo, as reformas e da hegemonia tucana nas últimas duas décadas.

Votamos Nulo em SP pela necessidade estratégica de hoje em derrotar nas ruas o bolsonarismo, massificando comitês de base em todas as categorias, como batalham e exigem da CUT e da CTB atualmente os professores do MRT na Apeoesp, os professores municipais enfrentando a burocracia sindical de Claudio Fonseca no SINPEEM, os trabalhadores da USP, os metroviários do Movimento Nossa Classe, e a juventude Faísca em universidades como na USP, Unicamp e PUC-SP.

Organizando a juventude e os trabalhadores na base é possível derrotar Bolsonaro, o golpismo e as reformas, e assim teremos a real possibilidade de ter uma alternativa de esquerda independente em SP contra o bolsonarismo.

NOTA: Esse artigo foi fechado no sábado 27/10/2018 no período da manhã, portanto antes da publicação da nova pesquisa Datafolha do mesmo dia que será divulgada as 19hs.




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