Política

ELEIÇÕES SANTO ANDRÉ

Voto Nulo em Santo André: Que Todo Político Ganhe como uma Professora

Maíra Machado

ABC paulista

domingo 30 de outubro| Edição do dia

Em um cenário eleitoral que está longe de responder aos grandes anseios dos trabalhadores e da juventude nacionalmente, chegamos ao segundo turno das eleições municipais. Na maior parte das cidade a disputa se dá entre os partidos da ordem, os mesmos que durante os últimos anos governam o país e cada uma das cidades a serviço dos grandes empresários e seus lucros. Em Santo André essa disputa é entre Paulo Serra (PSDB) e Carlos do Grana (PT).

Tudo indica que o próximo prefeito da cidade será Paulo Serra, um político que já passou por diversas siglas e que fez parte do governo Grana. Paulo é o representante legítimo dos interesses capitalistas, seu partido é conhecido nacionalmente por ser o maior inimigo da educação pública, o PSDB mantém há anos os salários dos professores congelados e as escolas preconizadas. Além disso, no ano passado, Alckmin a frente do governo do Estado ameaçou fechar centenas de escolas e mostrou os planos de vender a escola pública para o capital provado.

Paulo Serra é também o representante dos golpistas e seus ataques ao conjunto da população com a PEC241 que vai congelar investimentos para a saúde e educação durante os próximos 20 anos e as reformas na CLT, na previdência e também na educação. Paulinho Serra já declarou favorável ao Projeto de Lei Escola sem Partido e recebeu apoio do MBL durante sua campanha na cidade.

De certo que não podemos votar na direita golpista que governa o país, mas votar em Grana representa uma saída para os trabalhadores?

Essa pode ser a primeira eleição em 34 anos que o PT não ganha nenhuma prefeitura na região do ABC, estão no segundo turno apenas em Mauá e Santo André e seus candidatos aparecem atrás nas pesquisas eleitorais. Esse cenário expressa a situação do PT nacionalmente e diz respeito a uma desconfiança e descrença com esse partido que se conciliou com os partidos patronais e abriu as portas para a direita que está no comando do país.

A campanha de Grana girou em torno de que Santo André “deve seguir melhorando”, mas a realidade da cidade não é essa, são milhares de desempregados em nossa cidade que já entram nas estatísticas dos que não procuram emprego porque sabem que não vão encontrar, Santo André sofre de um desemprego estrutural na indústria. Além disso, a situação da saúde nos bairros mais pobres é de muita precarização e a educação infantil padece da falta de creches e vagas suficientes.

O PT, como sabemos já vinha atacando o conjunto da população com reformas que serviam aos interesses capitalistas, com cortes nos serviços públicos e isentando de pagamento de impostos para os grandes empresários, agora vemos o aprofundamento dessa realidade com governos diretamente empresariais. Apesar de algumas diferenças PT e PSDB estão juntos na defesa dos privilégios dos políticos e nos ataques as nossas condições de vida.

A partir de todas essas questões, reafirmo que saída para nossas demandas não pode ser depositada em nenhum voto de confiança nesses políticos, por isso, frente a essa situação, chamo a votar nulo em Santo André. Não podemos cair nos “cantos de sereia” que a saída está no menos pior, não será o voto nulo que levará o fortalecimento do PSDB, esse giro se deu justamente a partir dos governos de conciliação de classes levados a frente pelo PT em seus anos de governo federal e também em cada cidade em que esteve nas prefeituras, governando com PSDB, PMDB e os partidos que concretizaram o golpe contra a população.

A Esquerda esteve presente nessas eleições e em Santo André tivemos 1496 votos, o que mostra que é necessários construir um caminho que questione os privilégios, lute contra o capitalismo e que defenda os trabalhadores, as mulheres, os negros, LGBT e juventude. A disputa por essas demandas e pôr essas ideias segue independente das eleições, chamo cada um que votou nas ideias anticapitalistas a fortalecer essa alternativa independente do PT e das conciliações com os patrões, estando conosco nas greves e nas lutas da juventude.




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