Educação

#NÃO AO FECHAMENTO DAS ESCOLAS

Voltará a juventude a impor sua voz pela força das ruas?

Desde as intensas e massivas mobilizações de Junho de 2013, o tema da educação vem ganhando mais destaque nacional, seja pelo efeito dos cortes destinados a esta área, que já ultrapassam os 10 bilhões, também pela crise aberta nas universidades privadas sustentadas pelo FIES, PROUNI e outros projetos de financiamento dos tubarões do ensino pelo governo do PT, além da crise nas universidades federais, que chegaram a ficar sem pagar os salários de trabalhadores e contas de energia elétrica. Agora, o decreto proposto pelo PSDB de Aécio e Alckmin que visa (des)organizar a educação com o fechamento de escolas, demissões de professores e funcionários está gerando novo fôlego às mobilizações de juventude, com protagonismo dos jovens secundaristas, e expressam como os políticos tratam a educação, pode a juventude novamente lhes dar uma nova lição?

Jenifer Tristan

ABC Paulista

quarta-feira 14 de outubro de 2015| Edição do dia

Foto: Rodrigo Pinto

A juventude brasileira é cada vez mais afetada pelos impactos da crise econômica mundial. O lema das juventudes internacionais de "sem futuro" aqui já é compartilhado pelo alto índice de desemprego que está acima da media internacional, combinado a ameaça de fechar as escolas e a crise das universidades. Os políticos dizem que nosso futuro serão as prisões, dizem isso enquanto fecham centenas de escolas pelo país, implementam as escolas integrais que não possuem equipamentos suficientes para o ensino, querem criminalizar a juventude com a redução da maioridade penal e o aumento das penas para até 10 anos. Mas a juventude secundarista sai às ruas e diz que não.

Uma nova geração de juventude se levanta em todo o mundo e protagoniza grandes manifestações contra os políticos dos ajustes fiscais, as medidas repressivas contra o direito de se manifestar e os planos de austeridade. No Brasil, a juventude que hoje sai às ruas não carrega nenhuma promessa do PT e do crescimento econômico de seus irmãos mais velhos, pelo contrário, conhecem os políticos em sua plena decadência, de um regime político podre e sem saídas. PT de Dilma cortou verbas, PSDB de Aécio e Alckmin quer fechar escolas, PMDB de Cunha reduziu a maioridade penal, nenhum deles está ao lado da juventude, pelo contrário, estão um ao lado do outro para destruir nosso futuro fazendo que nós paguemos por uma crise que não fomos nós que criamos. Que Pátria Educadora é essa que fecha escolas, demite professores, alimenta a terceirização e reprime estudantes por lutarem por educação? Apesar de não terem vivido as manifestações de Junho, são já a geração que não tem medo e já parece saberem que o futuro só pode ser garantido com a força de sua mobilização.

Unificar e coordenar o movimento para barrar o decreto de Alckmin

As escolas, assim como a educação pública de conjunto, vêm de um processo de mais de 20 anos de sucateamento da educação pública básica paulista, que teve o PSDB como o protagonista, mas contou com a passividade da burocracia petista como sua aliada, e na atual situação nacional passou a ser sua correspondente, já que os cortes de Alckmin respondem aos ajustes e exigências dos "gastos mínimos". Para defender a educação, a juventude tem criado maneiras cada vez mais criativas de se comunicar, se organizar e ocupar as ruas e as redes sociais. São diversos vídeos com músicas, denuncias e intervenções que gritam contra o fechamento das escolas. É um momento insustentável que somam as denúncias das escolas-prisões, precarizadas, sem professores, com muita reprodução de machismo, homofobia, transfobia e racismo. Seria cedo para dizer que estas mobilizações espontâneas podem abrir portas mais profundas de questionamentos e uma nova onda de protestos de juventude pelo país? Pode a esquerda, depois de Junho, cumprir algum papel determinante nisso?

As experiências do movimento de juventude que despertou em 2013, nos permitem dizer que sem organização e coordenação das lutas, a disposição da juventude é desperdiçada e vencida pelo desgaste dos movimentos, onde dificilmente encontra-se com a poderosa força dos trabalhadores para deixar os governantes de joelhos e mudar a relação de forças nacional. Esse desencontro em Junho foi garantido pelas entidades freio dos estudantes, UBES, UMES e UNE, e as centrais sindicais governistas CUT, CTB e as diretamente patronais como Força Sindical que apenas um mês após os protestos de juventude chamaram uma paralisação nacional tentando desvincular as lutas, invés de unificá-las. Hoje vemos novamente o apoio das entidades estudantis governistas e o silêncio das mesmas centrais sindicais se encontram como obstáculos que precisam ser superados para colocar os atos e a luta em defesa das escolas públicas contra todos os inimigos da educação: PT de Dilma que aplica os cortes de verbas e PSDB de Alckmin que demite professores e fecha as escolas para construir presídios.

A esquerda que marchou dia 18 junto com milhares de trabalhadores e estudantes precisa seguir na luta de classes construindo uma alternativa independente dos governos do PT e da oposição de direita, das direções de ensino, das reitorias como também da patronal como única forma de lutar verdadeiramente em defesa da Educação e do acesso radical. Por isso, a ANEL e a oposição de Esquerda da UNE precisam construir uma unidade para lutar dentro das universidades e escolas para superar a burocracia petistas das entidades e mobilizar os estudantes em defesa da educação. É preciso que as entidades se provem como organizadoras dos estudantes a serviço da luta, que aprovem chamados e convocações para o ato do dia 20/11. Para transformar a luta contra o fechamento nas escolas, numa grande bandeira em defesa da educação e na garantia dos nossos direitos.

A juventude não quer pagar pela crise, mas construir um novo futuro

O capitalismo não deu certo! Cada dia mais, a burguesia retira da juventude o direito ao futuro! São reservados postos de trabalho altamente precários, rotativos, com salários baixos e sem direito ao seguro desemprego, já que é extremamente difícil se manter durante 1 ano e 6 meses em um emprego para os jovens. O vestibular que barra a maioria da juventude a chegar à universidade e as mensalidades cada vez mais caras que vão gerando milhões de inadimplentes que nem terminam seus estudos, tão pouco conseguem se livrar da divida adquirida. Direito a cultura e ao lazer se tornou repressão gratuita como vemos nas batidas policiais nos bailes funks nas periferias, nas batalhas de rap e nos espaços de encontro e diversão da juventude ou mais um acordo da UNE com o governo de financiar suas carteirinhas como pedágio para a juventude ter acesso a meia entrada. Nenhum direito conquistado está garantido, pois os políticos não hesitam de nos atacar para manter os lucros patronais e sua dominação.

A disposição da juventude que sai às ruas traz consigo um potencial de transformar a onda de indignação passiva que percorre todos os cantos do país com os escândalos de corrupção, com os anúncios de mais cortes e pior cenário de crise econômica, em expressão política respondendo aos ajustes e aos planos de austeridade. Podemos retomar as demandas de Junho de 2013 que ainda hoje seguem negadas pelos governos e lutar por elas ao lado dos trabalhadores para construir um novo futuro, para que os patrões e os capitalistas paguem pela crise ao qual geraram! Devemos lutar para que os políticos ganhem o mesmo salário de nossos professores, que possam ser reeleitos a qualquer momento quando já não mais defenderem o que prometem, e pela garantia e permanência das/nas escolas públicas, o livre acesso ao conhecimento nas universidades e uma educação única, laica, pública, gratuita e estatal. Lutar para que os trabalhadores e a juventude negra tome as escolas e universidades subvertendo estes currículos, sua organização e seu conteúdo. A juventude quer decidir e criar o seu futuro, por mais escolas e menos prisões!




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