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Volkswagen reconhece colaboração com ditadura militar no Brasil

sexta-feira 15 de dezembro de 2017| Edição do dia

A Volkswagen apresentou ontem (14) relatório no qual reconhece ter colaborado com a ditadura militar. O relatório é de autoria do historiador alemão Christopher Kopper, da Universidade de Bielefeld, e foi encomendado pela matriz da montadora depois que as investigações da Comissão Nacional da Verdade (CNV) levaram ex-empregados, sindicatos e centrais sindicas a exigir, em setembro de 2015, um inquérito civil, instaurado pelo Ministério Público Federal (MPF).

Segundo o historiador, “A VW do Brasil foi irrestritamente leal ao governo militar e compartilhou os seus objetivos econômicos e de política interna.” A principal forma de colaboração teve início em 1969, através do então chefe do Departamento de Segurança Industrial da empresa, Adhemar Rudge, ex-militar. Este Departamento monitorava os trabalhadores da Volkswagem, tendo facilitado a prisão de pelo menos sete trabalhadores “em uma época na qual a prática de tortura da polícia política já era de conhecimento público na Alemanha e no Brasil”, além de produzir uma “lista negra” de trabalhadores “politicamente indesejáveis”, cujos nomes eram compartilhados com outras empresas e o regime militar.

O estudo também afirma que a Volkswagen provavelmente forneceu veículos ou contribuições em dinheiro, por meio da Fiesp, à Operação Bandeirantes (Oban), antecessora do DOI-CODI, principal centro de repressão e tortura do regime. Tais contribuições eram a contrapartida do “controle salarial e dos sindicatos pelo governo,” que possibilitaram à montadora ter “lucros surpreendentemente altos”, pois “os salários ficaram em um nível bem mais baixo do que em uma democracia pluralista com livre negociação salarial e direito à greve. A VW do Brasil e, em última instância também a VW AG, aproveitaram para si a suspensão dos direitos trabalhistas elementares", lê-se no relatório.

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O coordenador do grupo de trabalho sobre a repressão a trabalhadores e ao movimento sindical da CNV, Sebastião Neto, afirmou que o anúncio da montadora é “apenas uma ação de marketing, pois até agora a empresa não fez pedido formal de desculpas à sociedade brasileira e não participou do inquérito do MPF”. Antes da apresentação, ex-empregados da Volkswagem manifestaram-se na fábrica de São Bernardo do Campo (SP), entre os quais o ex-ferramenteiro Lúcio Bellentani, 72, presidente do Sindicato Nacional dos Aposentados do Brasil (SINAB) e ex-militante do Partido Comunista Brasileiro (PCB), que foi torturado dentro da própria fábrica de São Bernardo do Campo, onde trabalhava, em 1972.

Conteúdo Agência Estado
foto: (Reprodução/Volkswagem)




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