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RODOVIÁRIOS

Visate quer parcelar salários dos rodoviários em março, expondo a fome e ao coronavírus

A empresa que possui o monopólio do transporte coletivo de Caxias do Sul, aumentou o valor da passagem, junto com o prefeito Flavio Cassina, para absurdos R$4,25 no início de 2020, culpabilizando o passe livre dos idosos e o desconto dos estudantes. E agora diante da crise do coronavírus, anunciou por meio de vídeo aos trabalhadores que vai parcelar o salário de março.

terça-feira 24 de março| Edição do dia

Gustavo Marques dos Santos, diretor-geral da Visate, afirma que o pagamento depende de um possível subsídio do Governo Federal e que apenas metade do salário do mês está garantido. Afirma também que a circulação dos passageiros sofreu uma queda de 80%.

Ao mesmo tempo que a Visate se preocupa em manter os lucros e busca descontar essa crise nas costas dos trabalhadores; esses mesmos trabalhadores estão com suas vidas em risco, trabalhando expostos sem que todas as condições de prevenção sejam tomadas. Parte fundamental é manter em dia o salário de todos os trabalhadores, para que possam se alimentar com a mínima qualidade.

Essa medida segue o exemplo de Eduardo Leite, que parcela os salários dos servidores a mais de ano. Marchezan, na capital gaúcha, ameaçou demissões durante a pandemia, para segurar os lucros dos empresários. Bolsonaro e seus aliados, seguem a mesma lógica, fazem com que milhares de trabalhadores sigam sem condições básicas de prevenção ao vírus e ameaça seu sustento, pois se importam mais com o lucro dos capitalistas do que com a vida dos trabalhadores.

Não devemos ignorar que o aumento no valor da passagem ocorre anualmente chegando a este valor abusivo, tampouco ignoramos que apenas 25% da frota está trabalhando e que a empresa tem sim condições de manter o salário de cada trabalhador. De maneira alguma se deve aceitar o discurso do diretor-geral de que esta é a única forma de evitar demissões.

Defendemos algumas medidas para os rodoviários aqui, que são:

– Higienização completa, imediata e constante de toda a frota de ônibus e transporte público em geral;
– Contratação emergencial de mais trabalhadores da manutenção e da limpeza a fim de garantir essa higienização.
– Proibição de qualquer demissão nos transportes públicos e cobertura de 100% dos salários e direitos de todos os afastados. A crise não pode ser despejada no lombo do trabalhador;
– Testes massivos e imediatos para todos os trabalhadores que apresentarem sintomas da gripe e para os que precisarem e quiserem fazer. Trata-se de uma medida que visa proteger não apenas os rodoviários, mas toda a população que pode ser contaminada. Isso exigiria mais investimento na saúde, com maior produção dos testes necessários, bem como mais funcionários nos hospitais, etc.
– Mais contratação de trabalhadores rodoviários. É necessário reduzir o número de passageiros, uma vez que aglomerações dentro de espaços fechados, como o ônibus, pode acarretar em ampliação da contaminação. Com mais rodoviários, podemos ter mais linhas de ônibus, com menos passageiros em cada uma delas.
– Abertura dos livros de conta das empresas de transporte público. Se os patrões dizem que não possuem dinheiro para distribuir álcool gel para os rodoviários, então que se abram as contas das empresas e comprovem que não se trata de demagogia para manter seus lucros.
– Estatização do transporte público sob controle dos próprios trabalhadores rodoviários e os usuários. Já se passaram semanas desde a explosão pandêmica do vírus e os empresários do transporte e a prefeitura se mostram a cada dia que passa incapazes de salvaguardar a vida dos trabalhadores, bem como atuar em benefício da população. Eles só querem os lucros deles e mais demissões. Nós defendemos a vida dos trabalhadores, seus empregos e a saúde de todos os usuários.
– A lei do teto de gastos deve ser revogada! Em 2016 foi aprovada a lei do teto de gastos que congela os investimentos públicos em saúde e educação por ao menos 20 anos. A crise escancara o absurdo dessa lei, compactuada por Bolsonaro e seus aliados na época. Medidas como essa devem vir junto de medidas emergenciais para combater o vírus em grande escala, com ampliação de leitos nos hospitais públicos, contratação de mais funcionários da saúde, um SUS 100% estatal que seja controlado pelos próprios trabalhadores, abertura de leitos privados para todos os que necessitarem…

Ou seja, uma série de medidas que podem combater de frente o problema, defendendo a categoria rodoviária, bem como o conjunto dos usuários e da população.




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