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Violência e racismo: número de assassinatos a quilombolas cresceu 350% em um ano

quinta-feira 27 de setembro| Edição do dia

Nesta última terça (25), em Brasília, foi lançada a publicação Racismo e violência contra quilombos no Brasil, a pesquisa foi organizada pela Coordenação Nacional de Articulação das Comunidades Negras Rurais Quilombolas (CONAQ) e a Terra de Direitos, em parceria com o Coletivo de Assessoria Jurídica Joãozinho de Mangal e a Associação de Trabalhadoras e Trabalhadores Rurais da Bahia (AATR).

O estudo aponta que na última década, 2017 foi o ano mais violento para tais comunidades, com 18 assassinatos. Comparado com 2016 ocorreu um aumento de 350% na quantidade de assassinatos dessas pessoas. Baseado em pesquisa documental, do acervo da CONAQ, notícias em jornais, redes sociais e técnicas específicas de amostragem, o trabalho também trata de questões em relação às violências e ameaças contra quilombos e especificamente sobre o contexto de violência sofrida pela mulher quilombola.

Um dado importante é em relação a concentração de assassinatos no Nordeste e no Norte, principalmente relacionado ao avanço do agronegócio e da mineração, ao mesmo tempo em que a violência aos quilombolas avança por todo o país. Entre 2008 e 2017, o Nordeste registrou 29 assassinatos em conflito de terras, na região Norte, no mesmo período foram 5 assassinatos.

Segundo dirigentes da CONAQ, o aumento dos assassinatos é resultado da omissão e conivência do Estado, onde existe uma aliança entre os governos e ruralistas para promover a retirada de direitos dos movimentos sociais, assim como incriminá-los.

Tanto na cidade quanto no campo, a população preta segue sendo sistematicamente assassinada a serviço dos lucros capitalistas. Mais uma triste demonstração do racismo que sofremos neste país.

Neste contexto golpista, de ataques brutais descarregados sobre as costas de toda a classe trabalhadora, a limitada constituição de 1988, chamada de constituição “dos movimentos sociais”, que ao mesmo tempo permite essas atrocidades pode estar chegando ao seu fim, assim como os direitos de demarcação de terras quilombolas e indígenas correm perigo igual. Afinal Bolsonaro, que recentemente foi absolvido pelo STF pelas declarações racistas contra quilombolas e já declarou que em seu governo não vai ter "nenhum centímetro de demarcação de terra para quilombolas e indígenas", lidera as intenções de voto. Do outro lado, seus adversários que buscam fazer frente a extrema direita tampouco representam uma solução para tais comunidades, pois Ciro Gomes possui uma vice candidata ruralista, Kátia Abreu, que também esteve do lado petista em seus anos de governo, como personificação das alianças do PT com a bancada ruralista, alianças que mais uma vez o partido busca reprisar em nome de um pacto pela pacificação desse regime racista e assassino.




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