ABSURDO

Vigilantes do Metrô/SP estão há 3 meses sem salário em meio à pandemia

Os vigilantes da empresa terceirizada Dunbar, que presta serviço ao Metrô de SP, estão há 3 meses sem salários em meio à pandemia. O Metrô de SP e o governo Doria também são responsáveis.

sábado 27 de junho| Edição do dia

Os trabalhadores da empresa terceirizada Dunbar, que prestam serviço de vigilância em obras e pátios do metrô de São Paulo, seguem em meio à pandemia sem receber um tostão sequer da empresa. São três meses, que coincidem com a decretação do estado de calamidade pública. E não bastasse a atitude desumana da Dunbar, o metrô de São Paulo nada fez para que as mais de 200 famílias não passassem necessidade nesse período difícil que passa o país. O Metrô e o governo também são responsáveis por essa situação, pois implementam a terceirização, tendo plena consciência de que esse tipo de situação é recorrente. E é justamente o que permite impor salários e condições precárias a esses trabalhadores.

A Dunbar segue a receita de praticamente todas as empresas terceirizadas que prestam serviços no metrô. Tem sido comum que em algum momento elas atrasem ou deixem de pagar salários, vales transporte e refeição sem falar de descontos indevidos que acontecem quase que cotidianamente em diversas dessas empresas. Basta perguntar a qualquer metroviário para saber das recorrentes situações de falta de pagamento por parte dessas empresas sem contar as inúmeras vezes em que as trabalhadoras, em sua maioria negras e negros, são demitidos sem receber nada e são obrigadas a depender da justiça e de processos que duram anos para receber o que deveria ser seu por direito. Caso emblemático foi a a greve das trabalhadoras da higilimp em 2016 que paralisaram pelo atraso dos salários. Posteriormente a empresa decretou falência e muitas trabalhadoras aguardam até hoje um desfecho pela justiça do trabalho.

Neste mesmo período da pandemia ocorreram centenas de demissões de terceirizados das bilheterias, limpeza e jardinagem. Em casos como da empresa Works, que presta serviço de limpeza na linha 1, foram demissões de trabalhadores do grupo de risco. Uma covardia imensa em nome de salvar lucros

Da parte do metrô de São Paulo, fica evidente todo o cinismo de suas propagandas coorporativas que pregam um metrô harmonioso e cuidadoso, onde parece reinar a felicidade. Toda essa hipocrisia nada mais é do que a máscara que esconde a realidade de exploração e humilhação que passam os milhares de terceirizados da companhia. Uma pequeníssima fatia de suas verbas para publicidade já seria o bastante para arcar com os míseros salários oferecidos pela empresa Dunbar.

Os trabalhadores Da Dunbar, hoje, vêm contando com a solidariedade dos metroviários que têm doado itens básicos e alimentos não perecíveis para que suas famílias não passem tanta necessidade durante essa pandemia. Um gesto de solidariedade muito importante pra mostrar a esses companheiros que não estão sozinhos. E pra aprofundar essa aliança, é preciso que os metroviários tomem como parte de suas demandas a luta para que os terceirizados recebam os salários atrasados e também a luta por barrar e reverter as demissões que estão acontecendo durante a pandemia.

Essa é a unidade necessária para que a classe trabalhadora dê um golpe decisivo nos planos dos capitalistas como a terceirização, as retiradas de direitos, demissões e demais ataques, é preciso que os trabalhadores do país se unifiquem num plano de luta comum sob um programa de independência de classe que imponha nenhuma demissão e retirada de direitos durante a pandemia, cancelamento das demissões já realizadas, auxílio emergencial de no mínimo dois mil reais para todos os trabalhadores que necessitem, testes massivos para combater de forma coerente a pandemia, contatação emergencial de todos os profissionais da saúde disponíveis, garantia de afastamento com todos os direitos e ganhos para todos os trabalhadores do grupo de risco que ainda estão trabalhando e reconversão da produção das indústrias para a produção ode respiradores, leitos de hospitais e demais insumos necessários para o combate a COVID-19.

Às empresas que alegam dificuldades financeiras, os trabalhadores devem exigir a abertura dos livros de contabilidade para demonstrara a falácia desses argumentos que visam garantir os lucros e as propriedades dos ricos. Caso as empresas fechem ou demitam, estas devem ser estatizadas e colocadas sob controle dos trabalhadores que são os únicos que tem o interesse legítimo de que esses serviços sejam fornecidos com qualidade para a população.

Com um plano desse tipo, levado a cabo por todos os sindicatos e partidos dos trabalhadores, a classe operária é capaz de passar por cima de seus inimigos, cancelar as reformas anti populares e fazer com que a crise atual seja paga pelos capitalistas que a geraram.




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