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VIOLÊNCIA POLICIAL RACISTA NOS EUA

Vídeo mostra a Polícia de Oklahoma fuzilando um homem negro desarmado

Um agente da polícia de Tulsa, em Olkahoma, assassinou a tiros um homem negro desarmado cujo veículo estava avariado. Um novo caso de violência policial racista nos Estados Unidos.

terça-feira 20 de setembro| Edição do dia

O veículo do homem negro assassinado pela polícia, identificado como Terence Crutcher, de 40 anos, quebrou em uma zona florestal da cidade de Tulsa, em Oklahoma, aonde chegaram várias patrulhas de agentes.

As autoridades fizeram público nessa terça-feira o vídeo do acontecimento, que ocorreu na sexta-feira passada e que o chefe da polícia de Tulsa, Chuck Jordan, qualificou na coletiva de imprensa de “muito preocupante”. As imagens viralizaram nas redes sociais, enchendo de ódio e indignação a comunidade negra, que qualificou o fuzilamento de Crutcher como um novo assassinato racista por parte da polícia.

No vídeo, vê-se como Crutcher, mãos ao alto, caminha até o veículo seguido pela agente Betty Shelby, que lhe aponta uma pistola, e a quem rapidamente se unem outros dois uniformizados, que também empunham suas armas contra o homem negro.

Transcorridos poucos segundos, Crutcher, ao que parece, baixa os braços para procurar algo no interior do veículo, através da janela do condutor, momento em que recebe pelo menos um disparo de Shelby e cai no pavimento. Crutcher morreu no hospital pouco tempo depois.

As imagens também foram feitas do alto de um helicóptero da polícia, e vê-se claramente que os policiais o assassinaram brutalmente.

Os vídeos são tão conclusivos, e a indignação que gerou tão grande, que o comandante da polícia se viu obrigado a reconhecer que não podiam encobrir nada e que o vídeo é “muito difícil de ver”. Isso logo depois de um porta-voz oficial da polícia ter tentado negar os fatos e afirmar que Crutcher tinha se negado a obedecer às ordens dos agentes, entre elas, a de manter os braços levantados.

Ante a possiblidade de protestos, o chefe da polícia fez um chamado à comunidade a “manter a paz”, depois que casos similares acontecidos nos últimos meses geraram uma onda de indignação, protestos e mobilizações em todo o país.

Tanto Shelby quanto o outro agente, identificado como Tyler Turnbough, foram suspensos mas, assim como no resto desses casos, continuarão ganhando seus salários até que se conclua a investigação.

O advogado da família, Damario Solomon-Simmons, qualificou o vídeo de “inquietante” e acusou a polícia de ter deixado Crutcher morrer sangrando no chão, já que os policiais não o socorreram até algum tempo depois do disparo.
A irmã gêmea do falecido, Tiffany, por sua vez, mostrou-se especialmente incomodada pelo comentário de um policial que descreveu Crutcher como um “cara malvado”.

“Estamos devastados, toda a família está devastada. Esse cara malvado era pai, esse cara malvado era filho, esse cara malvado estava matriculado na Universidade Comunitária de Tulsa para fazer todos nós nos sentirmos orgulhosos, esse cara malvado amava a Deus e cantava na igreja todo fim de semana”, disse a irmã do falecido.

Organizações pró-direitos civis e personalidades relacionadas ao movimento Black Lives Matter exigiram a detenção imediata de Shelby e que responda criminalmente por assassinato.

O fuzilamento de Crutcher deu-se há uns poucos dias do assassinato de um adolescente negro de 13 anos, em Ohio, por parte de um policial branco, por portar uma pistola de ar comprimido. Apesar dos chamados à calma e à “convivência pacífica” por parte das autoridades, os assassinatos dos negros nas mãos de policiais brancos se multiplicaram por todo o país, mostrando o profundo racismo existente na sociedade estadunidense. Um racismo que não se acabou nem mesmo com a chegada do primeiro negro à Casa Branca.




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