PARASITA

Vida boa só se for a sua, Paulo Guedes. Exigimos auxílio de 2 mil e pelo tempo que for necessário

Dizia o parasita: “Se falarmos que vai ter mais três meses, mais três meses, mais três meses, aí ninguém trabalha. Ninguém sai de casa e o isolamento vai ser de oito anos porque a vida está boa, está tudo tranquilo. E aí vamos morrer de fome do outro lado. É o meu pavor, a prateleira vazia”.

sexta-feira 22 de maio| Edição do dia

Até o momento o Brasil supera os 20 mil mortos e há ainda 11 mil óbitos suspeitos que devido a falta de testes não podem ser confirmados. São 310.087 de pessoas contaminadas, sem mencionar as subnotificações. Mais de 50% das famílias brasileiras já foram atingidas por demissões ou cortes de salários, aumentou brutalmente a violência doméstica, e já se estima uma queda do consumo das famílias de 6,5%. É nesse cenário que Paulo Guedes diz que a vida está boa. A vida está boa pra quem, Paulo Guedes? Só se for para ele e seus comparsas que vivem de privilégios e da exploração dos trabalhadores.

O Brasil é um dos epicentros da crise sanitária e cada vez mais vem se aprofundando a crise econômica. Enquanto seguem as disputas políticas entre Bolsonaro que reafirma seu negacionismo e os governadores que defendem medidas demagógicas como as quarentenas sem testes massivos, é a classe trabalhadora e os mais pobres que pagam com suas vidas por esta crise que foi gerada pela ganância dos capitalistas.

Já se sabe que seria possível construir 1,3 milhão de leitos de UTI com o que se paga a dívida pública, que suga o suor dos trabalhadores e nossos recursos naturais para encher o bolso dos capitalistas estrangeiros, os donos da dívida pública.

Bolsonaro, que por maldade ou incompetência dificultou o segundo saque do auxilio emergencial, conta com Paulo Guedes para propor ainda mais ataques a população como a redução do valor já insuficiente de R$600,00 para irrisórios R$200,00. Quem é que sobrevive com esse valor?

Isso porque o [secretário especial da fazendo do Ministério da Econômica, Waldery Rodrigues, mostra que o governo avalia um valor ainda menor.

As novas declarações grotescas de Paulo Guedes só reforçam o que já sabemos: estes são os verdadeiros parasitas que, para manter seus privilégios, não têm nenhum limite moral para retirar as mínimas condições de sobrevivência da população.

Enquanto isso, as favelas no RJ totalizam mais mortes por coronavírus do que 15 estados brasileiros, sem contar a violência policial que em meio a pandemia matou um adolescente de 14 anos na sua própria casa, e ontem matou outro jovem em meio a uma distribuição de cestas básicas. Mais uma vez: de que vida boa Guedes está falando?

A realidade da classe trabalhadora e dos setores mais oprimidos, especialmente os negros no nosso país, é de uma enorme preocupação constante: o risco de morrer pela Covid-19, pela mira da polícia racista ou de fome.

As quarentenas indiscriminadas, sem testes massivos para uma organização racional, não ocorrem para amplos setores de trabalhadores. Não apenas os essenciais estão indo trabalhar como também trabalhadores de fast-foods como Ragazzo, os aplicativos de entrega como Ifood e Rappi, além de outros tantos essenciais que mesmo lutando contra a Covid-19 sofrem com não pagamentos dos salários como denunciaram os motoristas de ônibus de diversas cidades do ABC, Terezina e Grande Vitória. Além do absurdo dado de mais de 199 mil trabalhadores da saúde infectados pelo coronavírus.

Essa situação é inaceitável. Nós sabemos que muitos trabalhadores dependem integralmente deste auxílio e é por isso que exigimos a liberação imediata a todos os que precisam dele para sobreviver. Repudiamos cada dia de atraso, repudiamos cada auxílio que é emperrado por problemas burocráticos. Mas é preciso dizer em alto e bom som que R$600 não atende às necessidades mais básicas de nenhum ser humano que pode viver em condições dignas!

É nesse sentido que levantamos a necessidade das organizações de esquerda batalharem por políticas que atendam às necessidades dos trabalhadores, ao invés de políticas que batam palmas ao Congresso, que se glorifica de ter levantado os R600. É preciso levantar um valor mínimo que seja capaz de dar conta disso, e menos de R$2 mil é impossível. E que seja por mais 2, 3, 5 meses ou pelo tempo que for necessário enquanto o coronavírus seguir matando milhares de pessoas! Que seja ainda maior no caso de mulheres com filhos! É urgente levantar uma política que proíba as demissões e a revogação imediata de todas as MPs que permitem corte de salários e retirada de direitos.

Essas medidas básicas e emergenciais, assim como a necessidade imediata de testes massivos, reconversão industrial para produção de leitos, respiradores, etc, deve necessariamente estar combinada de uma política de controle dos trabalhadores a essa produção. Os trabalhadores são os únicos que podem apresentar uma saída que atenda às vidas e não ao lucro. E que nesse sentido tomem os rumos da política em suas mãos com uma Assembleia Constituinte Livre e Soberana, com clara perspectiva de governo operário de ruptura com o capitalismo.

Isso tudo passa por uma política de autoorganização dos trabalhadores, ao invés de uma política de impeachment, como a protocolada ontem por setores da oposição e organizações de esquerda, que abre espaço para Mourão e para um governo ainda mais militarizado.




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