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UFRGS | Vice-reitora ganha liminar na justiça contra Bulhões, aprofundando crise na chapa interventora

No dia 4 deste mês, a Justiça Federal concedeu liminar à Patrícia Prankes, vice-reitora interventora da UFRGS, onde decidiu que o reitor, Carlos Bulhões, deve permitir o acesso da vice-reitora a reuniões da diretoria da instituição e processos internos.

quinta-feira 19 de maio | Edição do dia

A vice-reitora entrou com ação no MPF contra Carlos André Bulhões, acusando que o interventor a excluía de encontros e bloqueava acesso a informações internas da universidade, inclusive tirando o acesso ao SEI (Sistema Eletrônico de Informação).

Além disso, Prankes disse:

— Houve dois casos de indício de entradas que não pelas regras normais do vestibular, abri processo interno para esclarecer como se deram essas entradas fora do vestibular, com indícios de irregularidades. A partir daí, comecei a ser cerceada.

Segundo o MPF, Bulhões deve convocar a vice-reitora com antecedência de 24h para reuniões em que ele esteja presente e tenha convocado outras lideranças, ou ainda que contenham pauta de discussão com relevante reflexo à comunidade acadêmica. Também determina que o reitor não impeça ou crie obstáculos para o "diálogo pessoal" da vice-reitora com quaisquer pessoas que compareçam à UFRGS e que libere o acesso a pastas às quais os demais membros da Reitoria têm acesso.

Com esse movimento, a vice-reitora busca aproveitar a crise da reitoria para se apresentar como um lado "democrático" do que foi a intervenção bolsonarista em nossa universidade. Mas é preciso lembrar que Pranke esteve junto de Bulhões, Bibo Nunes e Bolsonaro em seu projeto intervencionista de administrar os cortes na universidade nas costas dos estudantes e trabalhadores, avançando em submeter a UFRGS ainda mais à iniciativa privada. Pranke fala de falta de transparência do reitor de forma demagógica, mas desde que a transparência seja somente para ela e seus interesses, visto que sua política nunca foi contra os cortes e pela abertura do livro de contas da UFRGS para que a comunidade universitária tenha acesso para onde vão os gastos e os cortes da universidade, porque a reitoria interventora mantém a maior parte dos dados financeiros da universidade em sigilo, enquanto demitem terceirizados, cortam bolsas e negociam com empresas e associações empresariais como a AMRIGS.

Pranke também busca se distanciar parcialmente da política do interventor,apesar de que compõe a chapa que teve menos votos durante as eleições à reitoria e que foi escolhida à dedo pelo presidente. Faz parte da mesma reitoria que está tentando criminalizar diretor, técnico e estudantes do Instituto de Artes por mobilização em defesa de infraestrutura adequada para poderem estudar e trabalhar, frente à situação de calamidade do instituto.

A vice-reitora não está ao lado da comunidade acadêmica que está sofrendo com todos os ataques de sua própria reitoria e do governo Bolsonaro, como as estudantes indígenas que estavam em luta por uma moradia, os cotistas e os trabalhadores terceirizados, os mais precarizados da universidade, mas sim ao lado da política privatista da direita e dos grandes empresários.

Para enfrentar os ataques do reitor e da vice-reitora interventores, as entidades estudantis precisam atuar como verdadeiras ferramentas de luta, impulsionando a auto-organização através de assembleias de base e em aliança com os trabalhadores, sem confiança no CONSUN para levar a frente nossas demandas. Na defesa da comunidade acadêmica é necessário levantar uma forte campanha contra os cortes, pela abertura do livro de contas e por mais verba para a educação para garantir políticas de permanência, defendendo o fim da lei do Teto de Gastos e o não pagamento da dívida pública.




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